O dia começou cedo para Cielo. Acordou e comeu algumas sobras de peixe do jantar da noite anterior, se dirigiu direto para Quebra-ondas, ainda existia trabalho a ser feito lá. O jovem guerreiro tinha cabelos lisos e presos a um rabo de cavalo, eram negros com um brilho azulado. Mantinha sempre um lenço preso ao pescoço, que servia muitas vezes para o trabalho com a madeira. Era extremamente alérgico a verniz e tintas e usava o pano para cobrir a face. Tinha uma vestimenta comum a um pescador, usando sempre tons em azul, cinza e marrom.
Encarou por um tempo a poderosa Lâmina do mar, uma Alabasta que se tratava de uma grande haste de madeira, coberta com uma cera azulada, com um afiado triângulo pontiagudo feito de metal na ponta, na outra extremidade uma lâmina crescia em meia lua, dando-lhe um aspecto maligno tamanha era a sua envergadura. Era uma arma extremamente bonita, que havia pertencido ao seu avô, o antigo líder da guilda azul.
Ao chegar no porto, percebeu que já existiam outras pessoas trabalhando no grande navio e o admirou um pouco, realmente era uma obra de arte. Aquele era o navio que seu avô havia construído há muito tempo atrás, era também o sonho herdado por sua mãe, que culminou na morte da mesma. Havia uma carga emocional muito grande naquele grande emaranhado de madeira.
O avô do rapaz era Renmar, um dos melhores guerreiros de todo o reino. Havia inclusive sido o mestre de batalha do rei e do General Ragnar. Era uma pessoa extremamente querida em toda Soleria, sendo sempre lembrado entre as rodas de pescadores. Diziam estes, que o sonho maior do velho seria capturar um daqueles gigantescos animais que habitam a costa da praia e por esse motivo o grande navio foi construído. Alguns contam que o antigo líder azul teria poder para tal, mas que havia perdido a coragem após o que havia acontecido com a sua única filha.
O navio era revestido pela melhor madeira que os elfos poderiam oferecer, tinha arpões do tamanho de um homem e gigantescos arcos para lançá-los. Em sua ponta possuía uma cabeça de uma menina esculpida pelo próprio velho. Aquela era Skyler a única filha do antigo mestre, mãe de Cielo e a única lembrança que o rapaz possuía de sua mãe.
Tinha capacidade para trinta pessoas e possuía dois andares, onde primeiro era destinado a navegação e a combate marítimo, já o segundo, para dormitório, cozinha entre outras coisas. Quebra-ondas ao contrario de Hydra do mar, nunca foi para a água, o velho sabia que seu sonho era impossível, e o manteve apenas como uma doce recordação.
A mãe de Cielo cresceu naquele ambiente de sonho e aventuras marítimas, tinha o desejo de saber o que existia além das criaturas bizarras. Ela tentou de toda forma a assumir o sonho do pai, mas o mesmo não aceitou. Decidiu construir um navio para si mesma e derrotar os gigantes animais. Acabou se apaixonando por um marceneiro, que roubou o sonho da menina e o tornou seu. Construíram um navio feito para a guerra, que seria mais leve e rápido que Quebra-ondas, e o rapaz empalhou a cabeça de uma Hydra na ponta do navio. Nascia então Hydra do mar.
Por um desvio da natureza a mulher percebeu que estava grávida e que não poderia lutar com toda a força. Dezenas de marinheiros e pescadores que decidiram ajudá-los na empreitada perderam o ânimo com o decorrer dos meses.
Após o nascimento de Cielo, Skyler não abandonou o sonho, porém, pode contar apenas com o marido. Os dois se jogaram ao mar mesmo assim. E não tiveram a mínima chance.
Ao passar em um ponto de maior profundidade, um grande animal surgiu do mar, e com um único golpe virou o navio fazendo com que o casal nunca mais fosse visto. A carcaça foi encontrada na costa dois dias depois, sem nenhum resquício dos dois amantes. Alguns poucos anos se passaram até que o velho Remnar também se foi deixando o indefeso menino sozinho no mundo.
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Soleria - A Canção de Dama Lua
FantasyFilhos sempre querem ter histórias maiores do que as dos seus pais. Mas quando você é filho do maior mago do reino e melhor amigo do príncipe, isso se torna algo bastante complicado. É para isso que se tratou a vida de Tai, criar histórias que invad...
