CAP.31 - A provação de Abil.

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O engraçado de se ver a memória dos outros, é que a cada vez que assistimos podemos notar um detalhe diferente.

Tanto podem ser memórias dos outros, ou as minhas, sempre existe algo novo a ser visto.

E essa batalha foi especial, já tínhamos perdido tudo, não conseguíamos ficar de pé, mas mesmo assim conseguimos levar alegria para aquelas pessoas que tanto necessitavam.

Os escravos nos seguiam e levavam nossos companheiros caídos, sem pensar, no que ocorreria com todos eles caso perdêssemos. Não tínhamos essa opção.

E enquanto nos lutávamos contra Xavier, não muito distante existia outra batalha, que mudou os nossos destinos de uma maneira inimaginável.

O motivo da mudança de nossos destinos, era que assumimos uma responsabilidade que não era nossa ao lutar a batalha de Paradiso, conforme nossa luta ficou conhecida no futuro. Sabíamos que não arrumaríamos exército nenhum naquela ilha e que possivelmente sairíamos dela mortos, mas simplesmente não poderíamos viver sabendo que existiam pessoas vivendo naquelas condições.

Éramos imaturos naquela época e pensando hoje eu faria de uma maneira completamente diferente aquele ataque. Estudaria mais os guerreiros preciosos faria ataques mas sorrateiros não nos expondo como fizemos. Mas nós éramos jovens e arrogantes, entramos na ilha pela porta da frente e batendo em qualquer pessoa que entrasse em nosso caminho. E em um único dia, acabamos com décadas de opressão e trabalhos forçados.

Eu havia falado que não esperávamos um exército da Ilha Paradiso, mas no dia da guerra eles enviaram alguns barcos repletos de ex-escravos que lutaram como homens livres, ao nosso lado como iguais. Nada menos do que aquilo era aceitável.

Naquele dia aumentamos nossa fama e nos tornamos os heróis de Paradiso e para falar a verdade isso foi muito estranho, pelo menos naquela época. Hoje eu nem ligo mais com esses nomes repletos de baboseira que o povo nos dá, mas naquele dia eu senti um orgulho envergonhado, pois não parecia certo eu ser chamado de herói.

Heróis para mim eram Ragnar, o maior guerreiro de Soleria, assassino de Orcs e guerreiro imbatível. Era o rei Gerard, aquele que sempre daria esperança a todos em nossa ilha. Era Maria que ensinou a maioria do nosso grupo, o fogo que existe no coração de um guerreiro.

Mas naquele dia, o verdadeiro herói foi o líder da Guilda Verde, o elfo Abil.

Abil sempre buscou o respeito de nossa pequena sociedade, sempre sendo posto a prova por talvez não ser preparado para o cargo de líder de guilda, sendo acusado pelos cantos de ter herdado o mesmo.

Lógico que isso não era exposto de forma aberta a todos, sendo apenas um comentário maldoso, porém, o elfo sabia que eles existiam e por isso sempre se colocava a prova.

Apesar de ter sido colocado em nossa missão de maneira despretensiosa, ele sempre aceitou o desafio. E o juramento que Rick fez para ele o fez acreditar que a partir daquele dia tudo seria diferente.

No torneio do Thor, ele foi eliminado, logo nas batalhas iniciais, o que trouxe certo desanimo para o elfo, mas ele se manteve com a cabeça erguida. Sabia que a hora de se provar chegaria e ele estaria pronto.

Uma coisa que eu acho engraçada é que eu não me lembro de tê-lo visto reclamar de todo o preconceito sofrido, nenhuma vez. Acontecesse o que acontecesse, ele sempre era o primeiro a se colocar a disposição. E naquele dia pude perceber o quanto eu o admirava, o quanto o príncipe estava certo em fazer a ele uma promessa de amizade eterna, o quanto ele merecia o seu cargo.

Ele sabia mais do que todos a importância de nossa missão, principalmente naquela ilha onde as pessoas eram julgadas, simplesmente pela cor de sua pele, por sua inferioridade social ou qualquer outro motivo inaceitável que qualquer idiota inventasse, e por isso, ele lutou com tudo o que tinha. Ele sabia o que era o preconceito.

Soleria - A Canção de Dama LuaStories to obsess over. Discover now