Capítulo 11

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Pela noite, após voltar da faculdade, Larissa tomou um banho, pôs um vestido de tecido leve e saiu de casa sem que seus irmãos percebessem. Discretamente, ela passou pela árvore que havia ao lado da casa, e correu até o quarto dos fundos, com medo de ser vista por Júlio ou até pelo pai deles.

Bateu na porta insistentemente, e após alguns segundos, Lúcio a abriu, franzindo a testa ao vê-la ali. O garoto tinha uma carranca no rosto, os cabelos bagunçados, e vestia apenas um short de elástico, fazendo com que o olhar de Larissa, inconscientemente, passeasse pelo corpo mais uma vez.

— O que você quer, Ignachy? — Ele murmurou, com a voz rouca.

— Oi. Posso entrar? — Perguntou, e mesmo com hesitação, ele afastou-se, deixando que ela adentrasse o quarto — Eu te acordei?

— Sim. — Lúcio se limitou a responder, e jogou-se no sofá novamente, encolhendo-se da mesma forma que estava anteriormente.

— Desculpa. Eu queria saber como você está — indagou — O Júlio comentou que você não estava bem.

— Estou ótimo... — Ele disse irônico, e fechou os olhos, suspirando em seguida.

— É sério, Bonates! — Larissa exclamou — O que você tem? Parece estar com dor.

— Enxaqueca. Nada demais... — respondeu o rapaz, em um murmúrio, mas quando abriu os olhos, a notou ainda ali, lhe olhando — O que foi, Ignachy? Eu estou bem! Você já pode ir...

— Você engana ao Júlio, mas não a mim. Diz logo o que aconteceu. — Ela pediu, demonstrando-se impaciente — Tomou algum remédio? — Ele negou em um aceno de cabeça — Vou buscar um para você... — suspirou, e deu-lhe as costas.

— Não precisa. — Lúcio resmungou, e levou as mãos até os olhos, esfregando-os.

— A dor não vai passar sozinha, Bonates — argumentou a garota — Eu tenho remédio para enxaqueca. Vou buscar rapidinho, e você vai tomar. E não, não estamos negociando. Fica quietinho aí, que eu já volto — disse autoritária, enquanto ele apenas lhe olhava.

— Ignachy... — O rapaz a chamou, assim que ela abriu a porta — Traz um analgésico, por favor. Estou com dor no corpo.


Larissa assentiu, e fechou a porta, indo em direção à sua casa. Como já estava escuro, e aquela área não tinha tanta iluminação, era mais tranquilo para ela andar por ali sem ser vista. Mesmo assim, ela caminhou com cautela, e entrou em casa pela porta lateral, onde dava acesso à cozinha, para seus irmãos não a virem.

Após alguns minutos, ela retornou, e entrou sem nem bater na porta do quarto de Lúcio. Engoliu seco quando o viu deitado no sofá, com a barriga para cima, vestindo somente aquele mesmo short. Ele tinha o braço sobre os olhos, e parecia estar cochilando, pois nem se moveu quando ela entrou.

Enquanto caminhava até o frigobar, seus olhos passaram pelo corpo do rapaz, analisando cada tatuagem, em suas pernas e braços, e os músculos que formavam o abdômen. Ela pegou uma garrafa de água que havia na geladeira, e foi até ele, sentando-se ao seu lado no sofá.

Como Lúcio não despertou, ela levou uma mão até seu braço, e esfregou os dedos em sua pele, com intuito de fazê-lo acordar. Ele retirou o braço do rosto e o virou para sua direção, encontrando-a sentada ali. Eles se encararam por alguns segundos, até que a loira arranhou a garganta, querendo acabar com o clima estranho que havia se instalado.

— Aqui... — disse, entregando a garrafa, então ele se sentou, e ela retirou o comprimido da cartela.

— Valeu... — Ele agradeceu, engolindo o remédio e dando um longo gole na água.

Em dose duplaOnde histórias criam vida. Descubra agora