Quando Larissa chegou à faculdade, foi diretamente para sua sala, olhando frequentemente para seu celular. Ela esperava por uma mensagem de Paula, e de Lúcio, mas nenhum dos dois lhe respondia. O professor entrou, a aula se iniciou, e Lúcio chegou com quase meia hora de atraso.
Ele pediu licença e se dirigiu para sua cadeira, ouvindo vários murmúrios pela sala, devido seus machucados. O rapaz se sentou longe de Larissa, pois era onde havia cadeira vaga, e após trocar um olhar com ela, ficou absorto, não prestando atenção em mais nada. Os minutos passaram devagar e na cabeça do rapaz só se repetia as palavras do pai.
Saber que sua mãe estava bem, mas não queria vê-los, estava lhe machucando. Por todo esse tempo, Lúcio culpava Eduardo pela doença dela, mas o que ele não imaginava, era essa resistência dela em ter os filhos de volta. Ele começou a se questionar se o problema estava com eles, ou especificamente com ele.
O vibrar de seu celular lhe tirou do devaneio, e ao retirar o aparelho do bolso, viu que se tratava de Larissa. Seu olhar foi até ela, que o encarava, esperando por uma resposta. Ele abaixou a cabeça, lendo sua mensagem e então respondeu em seguida.
Larissa:
"Está tudo bem? Parece cansado."
Lúcio:
"Não dormi bem e tive umas coisas para lidar pela manhã.
Vai ter aula ainda? Queria um tempinho contigo."
Assim que a aula acabou, a loira guardou seu material e olhou para Lúcio, que estava sentado de forma relaxada, com o olhar fixo no chão. Continuava absorto em seus pensamentos, até ela se levantar e sentar-se em sua frente, quando a sala estava vazia.
— Oi! — Ela disse preocupada — Aconteceu algo?
— Não.
— Sério? Você parece estranho. — Ela o observou suspirar e pegar o caderno, que sequer escreveu algo, e fechar para guardar — Ei, Bonates... — Sua mão foi até a do rapaz, e ele a olhou — Você disse que queria um tempo comigo entre as aulas. O que houve? Quer conversar?
— Hum, não. — Lúcio murmurou — Só ficar com você.
— E o que aconteceu essa manhã? — Ela insistiu.
— É coisa minha, Ignachy. Não faz pergunta. — Ele resmungou, emitindo outro suspiro, enquanto fechava o zíper de sua mochila, e quando olhou, ela havia levantado e estava saindo da sala.
Lúcio se levantou rapidamente e correu até ela, segurando em seu antebraço. Larissa se virou, cheia de impaciência, e emitiu um grunhido, rolando os olhos quando ficaram de frente para o outro. Ele lhe olhava confuso, pois não entedia a insatisfação dela.
— O que foi? — Ele perguntou franzindo a testa — Está indo para onde?
— Solta meu braço, por favor. — A loira pediu, desviando o olhar do dele.
— Ah ta, é que... Eu... Hã... — Ele passou a mão no rosto, ainda confuso — Falei alguma coisa que não devia?
— O problema é esse Bonates. Você não fala. — Ela suspirou e ele ergueu as sobrancelhas, insinuando que ainda estava em dúvidas — Olha, se você quer ficar comigo, acho bom a gente começar a ter diálogos. Eu não preciso de outro cara que só queira me beijar e tentar transar comigo. Queria não me importar tanto, mas não consigo, porque eu gosto realmente de você, então, quando eu tenho um problema, divido contigo, e gostaria muito que você agisse da mesma maneira. — Ela concluiu, mas diante o silêncio do outro, ela deu as costas e foi para o pátio.
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Em dose dupla
Teen FictionJúlio e Lúcio Bonates são irmãos gêmeos, que apesar de idênticos fisicamente, possuem personalidades bem diferentes. O primeiro é o sonho de qualquer garota: romântico, educado e carinhoso. Já o outro mantém uma reputação ruim. É prepotente, arrogan...
