No dia seguinte, assim que encerrou o treino do clube, Lúcio seguiu para a escola de dança em que Ana treinava. Sequer lhe avisou que iria, chegou dez minutos após o horário que encerrava a aula, e a viu em um grupo de amigas, na calçada da escola.
Desceu do carro e seguiu em direção a ela, mas logo parou, vendo um rapaz se aproximar e abraçá-la por trás. Ficou observando-a por alguns segundos, até que foi visto por Ana. Ela murmurou alguma coisa para as amigas, se desfez do rapaz e seguiu em direção ao moreno.
— Oi? O que está fazendo aqui? — Ana perguntou, tentando sorrir.
— Vim te buscar... — Informou o rapaz.
— Por quê? — Ela deu um riso confuso, e logo depois percebeu o que havia falado — Quer dizer, aconteceu algo? Você nunca aparece. Ainda mais durante a semana... Não teve treino?
— Já treinei hoje — disse mediante um suspiro, levando o olhar para a calçada, onde o rapaz ainda os olhava — Quem é ele?
— Quem? — Ana indagou e seguiu o olhar de Lúcio — Ah, é o Fabricio. Primo da Cássia. Já saiu conosco várias vezes. Não se lembra?
— Por que ele estava te abraçando? E por que ele continua nos olhando?
— Sei lá, amor. — Ela estalou a língua e se virou para o moreno — Então, você atravessou a cidade para vim me buscar?
— Sim. Você fugiu de mim o final de semana todo, e eu preciso conversar com você — explicou o rapaz, levando o olhar até o dela, vendo-a ficar séria — Vamos? Eu te levo para casa.
— Hã... Vamos... — Ana murmurou desconfiada e seguiu o namorado.
Durante o trajeto, Lúcio percebeu que ela não parava de mexer ao celular. Estava no WhatsApp, digitando mensagens, mas que ele não conseguia ver, já que tinha que prestar atenção na direção. E apesar do que havia ido fazer ali, o fato daquele rapaz estar tão próximo a ela, havia lhe causado curiosidade.
— Por que o primo da Cássia estava lá? Ele faz balé também? — Ele perguntou de repente, e após uns segundos de silêncio, ela respondeu desdenhosa.
— Hã, não... Ele a busca depois da aula — respondeu desdenhosa.
— Não me lembro dele — comentou o gêmeo.
— Você não se lembra, porque nunca sair com meus amigos. — A morena resmungou.
— Você fala como se fizesse questão. — Lúcio deu uma risada sem humor.
— Eu não faço? — Ana questionou indignada — Sempre te chamei, mas você nunca quer, nunca pode... Então eu cansei de só ficar em casa. Pois se depender de você, é só o que fazemos... Ficamos na minha casa, vendo filmes ou transando. Parece que só está comigo por isso. — Ela bufou, irritada.
— Claro que não, Ana. — Lúcio retrucou, estalando a língua, e nesse momento, o celular da morena começou a tocar, então ele se calou.
— Não, né? Eu não sou burra, Lúcio... Já notei isso... — Ela continuou a falar, enquanto o toque continuava, e incomodava o rapaz.
— Atende esse celular, por favor. — Ele murmurou impaciente.
— Não é ninguém. — Ela cancelou a ligação, mas logo tornou a tocar.
— Atende.
— Não! — Ana bufou, cancelando a ligação e guardando o aparelho dentro da bolsa — Você disse que precisa conversar comigo, então estou esperando...
— Não está mais dando certo para mim. — Lúcio falou de supetão, interrompendo-a, e em seguida, o celular começou a apitar, indicando mensagens no WhatsApp.
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Em dose dupla
Teen FictionJúlio e Lúcio Bonates são irmãos gêmeos, que apesar de idênticos fisicamente, possuem personalidades bem diferentes. O primeiro é o sonho de qualquer garota: romântico, educado e carinhoso. Já o outro mantém uma reputação ruim. É prepotente, arrogan...
