Capítulo 47

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Alguns minutos depois, Lúcio ligou a televisão, e a viu se acomodar no sofá. Ficaram assistindo um filme, até que ele notou que ela dormia. Levantou-se, foi até o frigobar, onde suas roupas estavam e tirou fotos com o celular, para ter provas do que havia acontecido.

Aproveitando que ela estava apagada, ele ainda tirou foto da marca da perna, pulsos e pescoço, pois sabia que Fernandes jamais assumiria ter feito alguma coisa. Ao voltar para o sofá, estava deitando-se ao seu lado, quando ela se arrastou e se aconchegou em seu peito. Lúcio não se afastou, apenas fechou os olhos e se permitiu pegar no sono, abraçado a loira.

Assim que amanheceu, ele se levantou, sem querer acordá-la e foi para o banheiro. Quando voltou, Larissa estava sentada no sofá, com o olhar perdido em algum ponto fixo no chão, e a cara inchada, que denunciava a noite de choro que havia tido.

— Bom dia. — Ele disse se aproximando.

— Ah, bom dia... — Ela despertou e ergueu a cabeça em sua direção.

— Está melhor? — Perguntou, parando em sua frente.

— Ainda me sinto estranha. — Larissa disse encolhendo os ombros e deixou seu olhar descer para seu abdômen desnudo, onde havia alguns hematomas amarelados — E você?

— Eu? — Ele respondeu confuso — Tão enojado quanto você, mas estou mais tranquilo.

— E esses machucados? Não são de agora, né? — comentou ela, deixando o rapaz sem palavras.

— Não são nada — desdenhou ele.

— São antigos? São de quando? Foi daquela vez que passamos na farmácia para comprar remédio? Ou você brigou com alguém recentemente? — A loira lhe metralhou de perguntas, e então ele suspirou, vestindo a camiseta que segurava.

— Se você não se importa, eu prefiro não falar sobre isso — respondeu friamente.

— Mas por quê? — Ela perguntou, e ele se manteve calado — Nós somos... Hã, amigos, então achei que tínhamos um nível de intimidade para partilhar nossos segredos. Não é?

— Não posso te contar, Ignachy. — Lúcio retrucou impaciente.

— Não pode ou não quer? — Erguendo as sobrancelhas, ela o provocou — Pois eu não consigo entender o motivo de você não me contar nada sobre a tua vida. Eu compartilho meus segredos contigo, porque eu confio em ti, mas parece que não é recíproco, né? Você não confia em mim ou não se importa o suficiente... — Ela bufou uma risada, se pondo de pé.

— Porra, Ignachy, eu só não gosto de dar satisfação da minha vida a ninguém. Que merda! Para de insistir nisso. — Ele esbravejou, levando uma mão até os olhos, deixando-a inerte diante o tom de voz.

— Eu, eu, eu... — Ela gaguejou, sem saber o que falar ou agir, então pegou suas roupas, seu sapato e passou por ele, indo em direção à porta.

— Ignachy, espera... — Ele ainda protestou, mas deixou que ela fosse embora, com receio de acabar descontando mais ainda sua frustação em quem não devia, que era ela.


Ele esperou uns minutos, tentando se acalmar e saiu dali, indo para a cozinha, porém, quando abriu a porta de vidro, deparou-se com Júlio e Eduardo sentados à mesa, tomando café juntos.

— Ei, bom dia. — Júlio falou ao irmão, que apenas acenou com a cabeça.

— Resolveu vir para casa? — Seu pai perguntou irônico — Não sei mais quando você está fora ou está enfurnado naquele quarto dos fundos.

— Se eu soubesse que você estava aqui, não teria vindo. — Lúcio retrucou, e foi até a geladeira, pegando uma caixinha de achocolatado, enquanto o pai suspirava desgostoso.

Em dose duplaOnde histórias criam vida. Descubra agora