Capítulo 12

686 51 2
                                        

Na sexta-feira, Júlio havia feito um novo convite para Larissa, chamando-a para sair. Haviam combinado de ir ao cinema, e depois jantar. Dessa vez ele estava decidido a vencer a timidez e tomar a iniciativa com ela, já que Larissa demonstrava também estar interessada.

No sábado pela manhã, assim que terminaram de almoçar, Lúcio subiu para seu quarto, e Júlio foi atrás. Depois da última discussão entre eles dois pelo encontro com Larissa, o irmão havia decidido contar que sairia com ela novamente, para evitar uma nova briga à toa pela aquela mentira.

— E aí... Vai fazer o que hoje? — Júlio perguntou, após adentrar o quarto.

— Não sei. Esperando a Ana ver o que vai querer fazer... — Ele deu de ombros.

— Hum... Vou sair com a vizinha de novo — informou, vendo o irmão lhe olhar rapidamente e depois desviar o foco para o celular em sua mão.

— Boa sorte dessa vez... — Lúcio falou desdenhoso, mas havia ironia em sua voz.

— Está falando de que?

— O Igor me contou você não teve coragem de beijar a pirralha no outro encontro... — Ele apertou os lábios, sem querer sorrir — Eu sabia que você era frouxo, mas...

— Ah, Lúcio. Cala a boca! — Júlio rosnou — E o Igor não tinha nada que te falar isso. Só quis ir com calma... Não quero só uma ficada. Quero uma coisa mais séria, sei lá... Estou investindo.

— Bom, boa sorte mesmo assim... — O irmão riu.

— Estava pensando... Você e a Ana não querem sair conosco? — Ele perguntou receoso, e Lúcio apenas engoliu seco, mantendo-se ao celular — Porra, desliga isso e presta atenção em mim — disse irritado.

— Não viaja, ? — Lúcio estalou a língua e encarou o irmão — Não vai rolar. Vai ser um esforço muito grande ter que aguentá-la. Só com a Ana eu já me estresso, imagine as duas juntas.

— Achei que seria legal... E que se você a conhecesse melhor, iria parar com essa implicância — argumentou o irmão.

— Você quer mesmo que eu te responda? — Ele fez um olhar de tédio para o outro — Olha, quem vai ter alguma coisa com ela, é você. Então o que eu acho dela, é indiferente. Ok?

— Ok, Lúcio, Ok... — Júlio balançou a cabeça negativamente e depois rolou os olhos, saindo do quarto.


***


No início da tarde, Lúcio saiu sozinho para ir até o shopping mais próximo para lanchar. Pediu um combo de sanduíche com milkshake e sentou-se, em uma das mesas na praça de alimentação. Estava comendo, distraído, mexendo em seu celular, quando fora interrompido por um rapaz.

— Ei. Oi. Você é irmão do Júlio, né? — Ele falou, parado na mesa ao lado.

— Hã. Sim... — Lúcio concordou, um tanto confuso.

— Sou o Liu — apresentou-se — Também estudo no centro universitário.

— Eu sei. Guimarães, né? Já te vi com o pessoal do time lá na faculdade... — O outro retrucou, esticando a mão, e Liu fez um toque — Sou Lúcio.

— É, eu também sei quem você é. O famoso Bonates. — Ele bufou mediante um sorriso — Já tinha ouvido sobre você.

— Aposto que ouviu coisas horríveis. — Lúcio murmurou debochado.

— Boas e ruins... — Liu hesitou — Ouvi falar bem dos teus passes, gols, e do tanto de confusão que você causa.

— Não dá para evitar... — O outro apertou os lábios, soando irônico.

Em dose duplaOnde histórias criam vida. Descubra agora