Capítulo 13

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Em torno das oito horas da noite, Larissa terminou uma maquiagem básica, pôs um vestido azul marinho, de alças, e com as costas nua, e calçou uma sandália de salto, para esperar Júlio lhe chamar. Ela havia se sentado na cama, para responder as mensagens de Paula, no celular, quando Fernando adentrou o quarto.

— Ué, vai sair? — Ele perguntou, franzindo a testa.

— Sim. Vou ir ao cinema com o Júlio — explicou, desinteressada na presença do irmão ali.

— De novo? Vocês já não saíram essa semana?

— Sim, e qual o problema? — Ela ergueu o rosto, e lhe encarou — Achei que vocês fossem colegas.

— Ser colega dele é uma coisa, ele pegar minha irmã, é outra, e bem diferente! — Resmungou o loiro.

— Ah Nando, por favor, né? — Ela estalou a língua, dando uma risada — Só estamos saindo.

— E não rolou nada? — perguntou intrigado.

— Não que seja da tua conta, mas não... — Larissa suspirou — E vocês? Vão para onde? — Perguntou, vendo-o com uma calça jeans e tênis.

— Ah, uma baladinha aí... — Ele deu de ombros — Aquela boate que o pessoal da faculdade costuma ir.

— Acho que qualquer dia, vou chamar a Paula e o Ale para irmos também. — Ela disse desinteressada — Todo mundo fala super bem.


Nesse momento, a campainha tocou, e a loira se levantou, pegando sua bolsa e despedindo-se do irmão. Ela desceu as escadas e abriu a porta, encontrando Júlio parado, com as mãos nos bolsos e um sorriso largo no rosto. Larissa até tentou retribuir, mas sorriu fraco, pois não tinha como olhar para um dos gêmeos e não lembrar do outro.

Os dois atravessaram a rua, em direção ao carro de Júlio, mas só então o rapaz se lembrou que não havia pegado as chaves do carro. Ele avisou que iria buscá-las, e pediu para Larissa ir com ele, para que ela não ficasse sozinha ali fora.

Ele abriu a porta da casa, e subiu as escadas, enquanto ela preferiu esperar no hall de entrada. Estava distraída, com celular em mãos, mexendo em suas redes sociais, quando ouviu passos na escada e virou o rosto, achando que fosse Júlio.

— O que está fazendo aqui? — Lúcio perguntou surpreso, descendo lentamente em sua direção.

— Hã... Oi. Eu... Eu... Estou esperando o teu irmão — disse constrangida, já que ele lhe olhava da cabeça aos pés, vendo-a tão arrumada.

— Hum. Vocês vão sair, né? Acho que ele comentou. — O rapaz murmurou, sem querer demonstrar sua insatisfação.

— Pois é. — Ela assentiu — E você? Vai sair? — Perguntou, ao vê-lo, também, bem-vestido.

— Sim — disse seco.


Os dois ainda se olharam por poucos segundos, até ele se afastar, indo até a mesinha do hall, para pegar as chaves do seu carro. Larissa não resistiu a curiosidade, e virou-se para trás, surpreendendo-o.

— É com alguma garota? — A pergunta saiu de supetão — Quer dizer... Você vai sozinho? — Ela insistiu, vendo-o virar-se para ela, com as sobrancelhas erguidas.

— E se for? — Retrucou — Eu até poderia te responder, mas acho que isso não é da tua conta, né? — Indagou sarcástico.

— Foi só uma pergunta, Bonates... Não precisa ser grosso. — Ela disse incrédula.

— Ignachy, é com meu irmão que você vai sair, então eu não tenho que te dar nenhuma satisfação... — Lúcio bufou uma risada, irônica, mas que no fundo, era apenas um espelho da raiva que ele sentia, ao vê-la tão bonita para o outro.

Em dose duplaOnde histórias criam vida. Descubra agora