Capítulo 5

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Pezão

WM: Aah.. qual foi Patrão..? Me libera agora a tarde aí!

Pezão: WM, cê tá careca de saber suas obrigação.

WM: só hoje Pezão, na moral aí. Além do mais, Miih tá chegando aí. Porque vc não aproveita também.

Pezão: Desconjuro! Mulher complicada pra caralho.

WM: Porque vc é simples né - apertei os olhos pra ele - Ah.. sou sincero. Cês dois são iguais

Passou alguns dias do baile, e Michelle vem aqui no morro direito, com as irmãs. Ela é muito desbocada, mas cês acredita que eu já tô achando bonitinho isso?

A gente deu uns amassos legal depois daquele dia, mas eu não quis render. Tenho medo de ela emocionar e entender tudo errado

JP é que sofre na mão dela. Facilitou ela prega a mão na lata dele.

A gente briga toda hora, as vezes pelos motivos mais banais. Semana passada mesmo, ela veio pra cá curtir o pagode com as outras. Aí eu comentei que não curto cerveja, mas a Skol eu até bebo um pouco. Ela imediatamente respondeu que eu era maluco, e a melhor era Brahma.

Ficamos umas 2h discutindo isso, e até hoje não chegamos em um consenso.

Pezão: vc vai pra onde?

WM: sorveteria. Bora? Daqui a pouco as meninas chegam lá

Pezão: Bora então!

Descemos o morro caminhando e cumprimentando o pessoal. Sempre faço isso, porque minha comunidade precisa me ver, e eu preciso ver como tão as coisas.

Chegando na sorveteria, sentamos pra esperar elas chegar. Pouca coisa depois, a irmã do Menor passou toda cabreira, e sentou lá na pracinha.

WM: Tenho maior pena dela. Muito sofrida a vida deles viu.

Pezão: É verdade. Chamar ela pra cá pra tomar um sorvete tambem - chamei um vapor que tava passando - fala com aquela novinha que tô chamando aqui.

Miih: Que novinha? - Olhei pra ela, que tinha a cara ruim como se fosse matar um

Pezão: Aquela lá. Irmã do Menor - enquanto isso a menina chegou

Miih: Tá pegando essa criança agora Pezão?

Mari: E-eu não tenho nada com ninguém não - a menina tava até gaguejando velho

Pezão: Tô te entendendo não Michelle.

Miih: Falei inglês por acaso?

Pezão: Não. Tá cacarejando aí, e eu não tô entendendo nada.

Miih: Pezão.. Pezão.. vc não me testa - alcancei sua mão, e puxei de uma vez fazendo ela cair sentada no meu colo

Pezão: Isso é ciúme é? - ela tentou se levantar

Miih: Me solta Pedro. Cê se acha...

Pezão: Vamo lá em casa

Miih: Eu não.

Pezão: Vamo Michelle, vamo ao bater papo

Miih: e vc lá é homem de bater papo Pedro? - fez cara de incrédula

Pezão: Com vc sim. Vamo vai..- falei cheirando o pescoço dela

Miih: mas é rapidinho

Fomos subindo conversando sobre nossas vidas. Eu sentia muita facilidade de falar com ela sobre mim. Coisa que não fazia com mais ninguém, eu simplesmente ia falando com ela. Dá minha infância, da minha mãe.

Ela já era um pouco mais arisca em falar sobre isso. Eu sabia que ela tinha sido adotada, e que ela voltou um plano mirabolante pra por Maju no lugar dela na adoção, mas mesmo assim, sentia que ela não me contava tudo. Meu palpite é que tem. Ver com os pais biológicos dela, mas não vou insistir. No tempo certo, ela me fala.

JP: Patrão, patrão - ele vinha correndo em minha direção - Vai lá treinar os meninos hoje?

Miih: Que meninos?

JP: Os novatos Patroa

Miih: Que patroa o quê homem.. quer outro murro?

JP: Deus me livre. A senhora tem a mão pesada patroa

Miih: Fala com ele Pezão - falou suspirando como se buscasse paciência

Pezão: Cê é surdo JP?

JP: Não patrão. Eu escuto muito bem

Pezão: Eu espero que sim. Vai indo lá, que mais tarde chego lá pra ver os menino

JP: Tá beleza. Falou aí patroa

Miih: Eu desisto desse cara. Vai ser burro assim longe de mim!

Pezão: ele é um moleque legal.

Miih: Pedro, qual a idade desses menino que vc tá treinando?

Pezão: varia. Tem uns de 15, 14. Não sei direitinho

Miih: eu não tô acreditando que vc tá botando crianças pra trabalhar - a gente já ia entrando em casa

Pezão: eu não vou atrás de ninguem não Michelle. Eles que vem me procurar pedindo serviço.

Miih: E vc dá?

Pezão: O serviço? Sim.

Miih: Vc tá ficando doido? Vc tem que dispensar esses menino pra já

Pezão: Michelle, eu não tenho que fazer nada. Aqui quem manda sou eu, e eu digo que eles continuam.

Miih: Quer saber? Tem razão. Aqui é vc que manda, por isso, se eu tô incomodada, eu que vou embora.

Virou as costas e saiu. ELA SAIU!

Eu sinceramente não sei lidar com Michelle, com a personalidade dela.

E com a loucura também não.

Refém (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora