Adrian Miller
Saio do quarto irritado. Como se não bastasse ela querer ficar a cara dela, agora ela vem
dá uma de louca também?
Desço as escadas e Alana ainda está no mesmo lugar. Ela me olha e diz:
— Espero não ter causado nenhum problema. Ela me pareceu um pouco irritada.
— Não causou – digo e sigo em direção à cozinha para pegar nossos lanches. Vera assim
que me vê, coloca tudo numa bandeja e eu agradeço.
— Vera, pode levar a Srta. Alana até o quarto de hóspedes? Ah! Antes, sirva algo para ela
comer, por favor.
— Sim, senhor.
— E Vera, arrume um quarto para ela bem longe do meu, se possível – sussurro e ela não
consegue disfarçar um sorriso. — Quando meus pais chegarem, apenas avise que fui dormir.
Não quero ser incomodado. Boa noite.
— Boa noite, senhor Miller.
Passo por Alana e digo:
— Vera está trazendo algo para você comer.
Ela me olha e diz parecendo chateada.
— Não ficará aqui comigo?
— Você já é de casa. Então, fique à vontade – deixo-a ali, me olhando perplexa, enquanto
subo as escadas com a bandeja na mão.
Entro no quarto, deixo a bandeja na cama e vou até a varanda. Verônica está deitada na
espreguiçadeira olhando em direção ao mar. Me agacho em frente a ela e me debruço em suas
pernas.
— Trouxe os lanches. Vamos comer?
Ela vira a cara e não responde. Está visivelmente irritada.
— Quando quiser, então. – digo e entro. Sento-me na cama, ligo a TV e começo a comer.
Depois de algum tempo ela entra e se deita ao meu lado ignorando-me completamente e
dorme.
***
Já se passam das cinco da tarde. Daqui a pouco começam a chegar os convidados e os
preparativos estão a mil por hora.
Verônica e eu quase não nos falamos. Ela faz questão de me ignorar, principalmente, se
estou perto da Alana. Não sei como uma pessoa pode sentir tanto ciúmes de algo que nem
existe. Eu jamais a trocaria pela Alana. Jamais. Esperava que ela soubesse disso. Minha mãe
também não ajuda muito. Fez questão de me aporrinhar com a história do meu casamento de
forma clandestina. Alana nem pareceu se importar ao saber que me casei já Verônica, teve um
acesso de raiva dizendo que ela é falsa, uma cobra e que Alana vai fazer de tudo para me tirar
dela. Eu sei exatamente quem é Alana e sei que ela tinha esperanças de que fosse ficar com ela
depois da morte da Sara. Mas sempre deixei claro para ela e para todos, que isso jamais
aconteceria. Não importa o quanto tente dar em cima de mim, eu não a quero.
— Adrian! Papai disse para você acompanhar os rapazes do buffet. Mostrar a casa e como
será a recepção – Terry diz.
— Eu? Negativo. Você vai fazer o que?
— Vou com a Verônica até a farmácia.
— Farmácia? Ela está se sentindo mal? Cadê ela? Ela está bem? – pergunto preocupado.
— Ela está ótima, Adrian. Só precisa comprar a vitamina dela que acabou esquecendo de
trazer. E você, se livra daquele vodu oxigenado que fica na sua cola – claro que Terry tinha
que me deixar irritado.
— Ela não está na minha cola – resmungo.
— Ah não? Ela faz questão de ficar no seu pé só pra irritar a Verônica. E maninho, se sua
mulher ficar irritada e perder o bebê, eu mesma mato você – ela diz e dá as costas para mim.
Desde quando ela se tornou tão protetora?
Vou até o escritório do meu pai para ver se o encontro e vejo que a porta está entreaberta.
Alana anda de um lado para outro parecendo nervosa. Está falando com alguém ao celular.
— Eu só preciso de mais tempo... Eu preciso de mais tempo. Não é tão fácil conseguir
isso de uma hora pra outra... Já disse para não me ligar... Sim, eu entendi... Eu vou
conseguir, fique tranquilo.
— Problemas? – digo assim que ela desliga. Ela dá um pulo e coloca a mão no peito.
— Adrian? Você me assustou – diz pálida.
— Posso ajudá-la em algo? – pergunto intrigado.
— Ah, não. Era só um cliente da Miller´s cobrando o contrato. Fiquei de entregar para que
assinasse e acabei esquecendo.
— Hum... Me avise se der algo errado. Podemos pedir para que outro diretor faça a
intermediação. Não podemos perder nenhum contrato.
— Sim. Mas já está resolvido. Obrigada – diz saindo rapidamente. Estranho. Algo no jeito
dela me diz que está mentindo.
O pessoal do buffet chega e começo a dar as ordens. Jonas e meu pai aparecem para me
ajudar. Após duas horas de instrução para que tudo saia perfeito, vou para meu quarto me
arrumar. Verônica e Terry foram se arrumar em um salão e ainda não voltaram.
Tomo meu banho, me perfumo e coloco meu smoking preto. Verônica entra no quarto já com
os cabelos arrumados e, maquiada. Está linda! Seu cabelo está liso, preso por seu próprio
cabelo num rabo de cavalo baixo. Uma maquiagem leve que destaca toda a sua beleza.
Passa por mim e vai direto para o banheiro. Depois de algum tempo, ela sai enrolada na
toalha e começa a se vestir. Fico observando-a calado enquanto coloca sua lingerie preta. Vai
até o closet e pega o vestido azul que comprei para ela em Las Vegas. Me levanto da cama e
me aproximo dela.
— Espere. Deixe-me te ajudar – digo fechando o zíper lentamente de seu vestido. —
Pronto. Está linda!
— Obrigada – diz sem muito entusiasmo.
— Hei! Os convidados já estão chegando – Terry diz entrando no quarto. Está magnífica em
um vestido todo rendado preto.
— Já estamos descendo – digo.
— Uau cunhadinha... Está linda!
— Obrigada Terry. Você também está linda – elas sorriem uma para outra. Fico feliz que
estejam se dando tão bem.
— Espero vocês lá embaixo.
Verônica continua a se arrumar. Coloca as joias que lhe dei e se perfuma.
— Pronta? – pergunto.
— Sim, estou.
— Então vamos – digo, pego em sua mão e saímos do quarto.
***
A primeira pessoa que vejo entre os convidados que já chegaram é Albert. Meu padrinho.
Está conversando com meu pai ao lado de uma mulher de cabelos encaracolados vermelho.
Apresento alguns amigos a Verônica e assim que me viro, dou de cara com a linda ruiva
que me encara com olhos predadores. Amélia. O que ela faz aqui? Porque está ao lado de
Albert? Me aproximo lentamente e antes que eu chegue até ela, Verônica me olha. e diz:
— Não quero você perto daquela mulher. – A olho confuso.
— Vou apenas cumprimentar os convidados. Vai ficar com ciúmes de toda mulher que se
aproximar de mim agora? – pergunto irritado. Ela solta meu braço e caminha para longe de
mim.
Continuo andando e quando chego, Amélia me dá um sorriso mostrando seus dentes
perfeitos e alinhados.
— Adrian?
— Amélia? Não esperava encontrá-la aqui – digo e Albert me cumprimenta.
— Adrian! Você e Amélia se conhecem?
— Claro. Amélia e Sara eram colegas de quarto na faculdade.
— Ah! – ele exclama sem graça.
— E seu marido? Porque não veio? – pergunto pegando um copo de uísque que o garçom
nos oferece.
— Está numa viagem de negócios. Então Albert me convidou para acompanhá-lo a festa –
ela diz olhando ao redor.
Safados! Está na cara que Albert está saindo com ela. Ainda não entendo essa necessidade
louca de trocar de mulher como quem troca de roupa, que ele tem.
— Com licença, vou cumprimentar alguns conhecidos – ela diz nos deixando sozinho.
Olho para ele em reprovação.
— A Amélia, Albert? Sério? Quando vai tomar vergonha na cara? – pergunto dando um
gole em minha bebida.
Ele me olha e ri.
— Eu tenho um fraco por mulheres. Mulheres bonitas e inteligentes – ele ri.
— Sei. Bom, vou procurar minha mulher e mantê-la ao meu lado, nunca se sabe quando
você vai atacar – digo rindo e ele solta uma gargalhada.
— A sua mulher está segura, pelo menos de mim. Agora já não posso dizer o mesmo sobre
o homem que está com as mãos nela – ele aponta a direção com o seu copo e eu me viro para
olhar.
Meu sangue ferve no mesmo momento em que a vejo ao lado de Jason Maxwell. Ele beija a
mão dela com aquela cara de “quero te foder” e ela, é só sorrisos.
— Quem convidou esse infeliz? – rosno.
— Certamente, seu pai. Eles são amigos.
— Ah, claro – digo irritado.
— É melhor ficar de olho – ele diz dando tapinhas em meu ombro e sai caminhando entre
os convidados me deixando sozinho com minha ira.
Dou três passos e sou bloqueado por Alana.
— Vejo que sua mulher é bem íntima do Sr. Maxwell – ela cutuca.
— É, eles são amigos – digo tentando esconder meu ciúme.
— Amigos? Conta outra, Adrian. Nós dois sabemos que tipo de amigos ela tem. Quem sabe
ela e ele não...
— Cala sua boca, Alana – digo irritado e a empurro para que me de passagem. Vou
caminhando em direção a eles e a vontade que tenho é de matar esse infeliz. Sempre no meu
caminho.
— Adrian! Adrian espere! – minha mãe me puxa pelo braço.
— O que foi? – pergunto irritado.
— Seu pai precisa te apresentar alguns investidores. Eles estão...
— Agora não – digo e continuo sem dar a mínima para ela.
Quando estou bem próximo a eles, escuto:
— Você ficou ainda mais bonita com esses cabelos claros. Mas preciso confessar que
gostava mais de seus cabelos pretos – o filho da puta diz tocando nos cabelos dela e ela sorri.
— Olha se não é o famoso Jason Maxwell. O homem que vive cercando a minha mulher –
digo sorrindo com ironia e sinto que Verônica fica tensa.
— Adrian Miller – ele retribui o sorriso. — Estava aqui conversando com a Verônica.
Disse que o loiro caiu bem para ela, quase não a reconheci.
— Creio que seria impossível. Já que assim que passou por aquela porta, veio diretamente
a ela – digo irritado. Filho da puta petulante.
— Adrian... – Verônica diz me olhando em tom de alerta.
— Se está procurando por meu pai, ele está no jardim. Acho que seria educado da sua
parte ir cumprimentá-lo – digo e ele não tira seu sorriso presunçoso da cara.
— Certamente o farei. Se me dão licença – diz e se retira. Maldito.
— Isso é jeito de tratar um convidado? – Verônica pergunta claramente insatisfeita.
— Não quero você perto dele – digo entredentes segurando-a pelo braço. Ela se
desvencilha de mim com um puxão e diz:
— Ah é mesmo? Veja como soa essas palavras saindo da sua boca – e sai, virando as
costas para mim. Diabos! O que foi que eu fiz?
Procuro-a entre as pessoas e a vejo conversando com Terry. Como sei que está em boas
mãos, ando entre os convidados enquanto toca a música de David Guetta - Without You ft.
Usher em busca de mais alguns copos de uísque para me acalmar.
Albert conversa com meu pai ao lado de Jason, aquele desgraçado. Não vejo Amélia em
nenhum canto. Jonas está com Hélio e Fábio, os advogados da Miller´s, conversando sobre
Direito Político. Nem em festa, esse povo para de falar de trabalho, impressionante.
Decido ir até a cozinha para ver se está tudo certo com Maria. Ela insistiu em ajudar a Vera
mesmo eu não concordando. Ando pelo corredor que dá acesso ao escritório e vejo Amélia
parada na porta. Está atenta e ao que me parece, ouvindo conversas alheias. Me aproximo
sorrateiramente e indago:
— Posso saber o que faz aqui?
Ela dá um pulo, se vira ainda mais pálida do que já é e gagueja:
— A-Adrian...
Percebo que a porta está entreaberta e que Alana e minha mãe conversam.
— É impressão minha ou estava bisbilhotando o que não deve?
— Estava à procura de um toalete – ela diz na maior cara de pau.
— Toalete? Hum... Interessante – digo e ela cora.
— Com licença – diz e sai desnorteada.
Empurro a porta do escritório e no mesmo instante, Alana e minha mãe param de falar. As
duas tem a mesma expressão de espanto no rosto. O mesmo que acabei de ver no rosto de
Amélia. Seja lá o que for que conversavam, devia ser um assunto muito interessante.
— O que fazem trancadas aqui? – pergunto curioso. Como conheço bem minha mãe, ela
deve estar conspirando contra alguém.
— Nada – Alana responde. — Estávamos apenas conversando – ela sorri.
— Bom, vou deixar vocês a sós – minha mãe diz e se retira fechando a porta do escritório.
Alana anda em minha direção com passos firmes e imponentes. Passa por mim e chega até a
porta do escritório e a tranca.
— O que está fazendo? – pergunto indo em direção à porta para destrancá-la. Se Verônica
me pega trancado aqui com ela, será um escândalo.
Alana me bloqueia com seu corpo e posso sentir o cheiro de bebida nela. A festa mal
começou e ela já bebeu mais do que o normal.
— Ah Adrian! Quando você irá perceber que sou eu a mulher certa para você? – ela
pergunta enlaçando seus braços em meu pescoço.
— Para com isso Alana. Já tivemos essa conversa milhões de vezes – digo tentando
empurrá-la, mas ela gruda em mim.
— Sim. Mas nunca me deu uma chance para provar que posso te fazer feliz – ela diz e
encosta sua boca em meu pescoço. Consigo sentir seu hálito quente em minha pele.
— Alana, pare! – elevo a voz segurando-a pelos braços e a empurro. — Acho que já bebeu
demais – digo. — Seria melhor se se mantivesse afastada de mim. Somos amigos. Apenas
isso. Não confunda as coisas – ela me olha e ri. Destranco a porta do escritório e saio
deixando-a sozinha respirando aliviado por ninguém estar no corredor. Alana já está ficando
mais do que chata. Preciso dar um basta nisso.
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Somente Seu
ChickLitHoje faz uma semana que Adrian e eu nos separamos. Desde que saiu do meu apartamento, não voltou a me procurar. Acho que ele realmente desistiu de mim. Fiquei trancada em casa todos esses dias, procurando uma forma de resolver minha vida. Eu precisa...