Adrian Miller
Estaciono na garagem e saio do carro o mais depressa possível. Não vejo a hora de vê-la.
Abraçá-la. Esses dias tem sido difíceis sem ela por perto.
Entro em casa e assim que passo pela sala, eu sinto o cheiro de café fresco que vem da
cozinha.
— Bom dia! – digo assustando Maria que ainda passa o café.
— Meu Deus, Adrian! Quer me matar? – ela sorri. Dou um beijo nela.
— Nossa! Estou tão cansado. Meu corpo inteiro dói. Preciso de um banho. Onde está minha
mulher? – digo.
— Ela deve estar dormindo. Ainda não desceu para o café – ela responde atenta em sua
jarra de água quente.
— Como foram as coisas? – pergunto sentando-me na cadeira.
— Tudo tranquilo. Verônica que ficou pelos cantos da casa, toda cabisbaixa, sentido sua
falta – ela ri. — Essa garota ama mesmo você – ela ri.
— Mas é claro que ela me ama – digo divertido. — Vou acordá-la. Estou morrendo de
saudades.
— Ela ficará feliz. Quer que eu leve o café no quarto?
— Hummm... Você me faz esse favor? – olho para ela com a minha melhor cara de cachorro
pidão e ela ri.
— Vá ver sua esposa. Daqui a pouco levo o café para vocês – ela sorri de um jeito terno.
— Obrigado.
Deixo a cozinha e subo as escadas correndo parecendo um adolescente. Entro no quarto
com o sorriso de orelha a orelha. Quando olho para a cama vazia e desarrumada, chamo por
ela.
— Verônica?
A porta do banheiro está aberta e ela não está.
— Estranho. Maria disse que ela não havia acordado!? – murmuro confuso para mim
mesmo.
Tiro o paletó e coloco em cima da cama enquanto afrouxo a gravata. Vou até a varanda e
nada. Caminho pelo corredor e vou até os outros quartos. Nenhum sinal dela.
— Verônica? – a chamo pelos corredores, mais uma vez.
Desço as escadas e vou direto a procura dela pelo jardim. Assim que cruzo o jardim em
direção à sala de jogos, Max e Rose correm em minha direção latindo e abanando os rabos.
— Hei garotão! – me agacho para fazer um carinho neles. Continuo a procurá-la. Entro no
salão de jogos para ver se ela está fazendo seus exercícios habituais. Está tudo no mais
absoluto silêncio. Fecho a porta e volto para a cozinha.
— Maria, Verônica não está no quarto. Tem certeza que não a viu hoje? – pergunto abrindo
a geladeira e pegando a garrafa de água.
— Ela ainda não se levantou – ela responde. — Só se ela saiu e eu não vi – conclui.
— Aonde ela iria a essa hora? Ela nunca acorda tão cedo e ainda são dez da manhã – digo
dando um gole em minha água.
— O senhor viu se o carro dela estava lá fora?
— Sabe que eu nem reparei? Entrei tão distraído. A única coisa que estava pensando era
em vê-la – sorrio. — Vou dar uma olhada.
Saio da cozinha indo até o estacionamento. O único carro estacionado ao lado do meu, é o
da Terry. Estranho.
— Maria, a Terry não está com o Jonas? – pergunto confuso assim que entro na sala.
— Sim.
— O que o carro dela faz lá fora?
— Jonas veio buscá-la.
— Verônica deve ter saído. O carro não está lá fora – digo pegando meu celular do bolso e
ligo para ela. Caixa Postal. Ligo mais uma vez. Caixa Postal. — Ela disse que deixaria o
telefone ligado – digo cismado. Aonde ela iria?
Escuto um barulho vindo de fora. Abro a porta correndo e vejo o carro do Paulão. Graças a
Deus! Ela estava com ele.
Caminho em direção ao carro e o vejo sair. Ele está sozinho.
— Bom dia, Adrian – me cumprimenta.
— Bom dia. Onde está a Verônica? – olho para o carro confuso. — Ela não está com você?
— Verônica? Não! Ela que me pediu para vir só hoje. Ontem ela preferiu ficar em casa,
então, nem vim trabalhar.
— Ela não está em casa e o carro também não está. Deve ter ido a algum lugar – digo
olhando em minha volta e sinto uma sensação estranha. — Vamos entrar. Acabei de chegar e
preciso de um banho – digo e ele me segue.
— Maria, serve um café para o Paulão, por favor. Vou tomar um banho e já desço. Verônica
deve ter ido a algum lugar por perto.
— Sim, senhor.
— Paulo, fique à vontade. Já desço – digo e subo as escadas.
Tiro minha roupa e entro no chuveiro. Tomo um bom banho e quando termino, desligo o
chuveiro e saio. Me seco rapidamente e coloco a toalha envolta dos quadris. Limpo o espelho
embaçado pelo vapor da água quente, pego minha escova de dentes e faço minha higiene.
— Adrian! Adrian! – escuto minha irmã me gritar pelo corredor.
— Estou no banheiro – grito.
— Adrian – sua voz sai ofegante. — A Maria disse que a Verônica não estava quando
chegou e que não a viu desde quando acordou – diz atropelando as palavras parecendo
assustada.
— Ei fala devagar – falo empurrando-a para o quarto e saio do banheiro.
— E-eu liguei no celular dela agora a pouco e está na caixa postal. Ela não atende – diz
inquieta elevando a voz.
— É eu sei. Tentei ligar para ela também – digo colocando meu jeans e uma camiseta
branca.
— Eu só vi as ligações dela quase agora. Meu celular estava desligado e...
— Espere! Ela ligou pra você? – perguntei intrigado.
— É ligou e estava tarde. Era de madrugada e eu estava dormindo.
— Como? Porque ela te ligaria na madrugada? – pergunto assustado e aquela sensação
estranha volta outra vez. — Merda! Ela deve ter passado mal à noite, Terry. Que merda.
Porque não deixou essa bosta ligada? – esbravejo.
— Hei! Eu não tive culpa. Eu estava dormindo, era mais de uma hora da manhã, Adrian.
— Não importa porra!
— Já ligou na clínica onde a mãe dela está? Pode ter acontecido alguma coisa com a mãe e
ela foi até lá – ela diz.
— Boa. Pegue meu celular. O número está na agenda. Vai ligando enquanto termino de me
arrumar – digo e vou à procura de meus sapatos.
Termino de me arrumar e quando Terry desliga o telefone ela diz:
— Ela não apareceu lá. A mãe dela está bem – sussurra.
— Merda! – digo irritado. — Porque ela não me ligou? Eu disse a ela para não sair
sozinha.
Saio do quarto numa velocidade que até eu me impressiono, quando vejo, já estou na sala.
— Paulão, eu preciso das imagens de segurança. Quero ver a que horas ela saiu daqui –
ordeno. Várias coisas se passam pela minha cabeça. Como ela é teimosa. Deve ter se sentido
mal e saiu sem avisar ninguém. E isso está me deixando apavorado.
— E então? – Maria pergunta preocupada.
— Terry disse que Verônica ligou para ela na madrugada. Você não ouviu nada, Maria?
— Não. Ela foi para o quarto bem cedo. Disse que ia assistir a um filme e ler um pouco –
ela deu de ombros.
Vou até o escritório com Paulão para pegar as imagens de segurança. Por sorte, instalei
esse sistema quando iniciaram as ligações anônimas.
— Pronto! Aqui está – Paulão diz voltando as imagens para o dia em que fui viajar.
— Adianta um pouco. Maria disse que ela foi dormir cedo ontem – digo atento com os
olhos fixos no monitor. — Teve alguma coisa suspeita por esses dias, Paulo?
— Não! Ela quase não saiu de casa. A não ser o dia em que foram para o shopping e
demoraram uma eternidade. Fiquei até irritado – ele diz rindo.
— Mulheres – nós rimos juntos.
— Aqui. Ontem após as oito da noite. Ninguém saiu até... – ele diz passando as imagens até
meia noite.
— Hei. Espere. Terry diz que ela ligou depois da uma da manhã. Adiante até esse horário –
digo inquieto com os olhos fixos na tela.
— Pronto. Quer que deixe passar? – ele pergunta e eu concordo com um meneio de cabeça.
Olhamos atentos para o televisor e quando vejo a porta da sala se abrir e Verônica saindo,
entro em pânico.
— Mas que merda! Onde ela está indo? Não parece que está se sentindo mal – rosno. Vejo-
a pegar o celular. Deve ser agora que ela liga para Terry. Parece agitada e indecisa. Até que a
vejo entrar no carro e sair.
— Droga! – bato com os punhos na mesa. — Adianta as imagens Paulão. Quero ver se ela
voltou pra casa – digo já angustiado.
Paulo faz o que mando.
— Já volto – digo e saio do escritório. Passo pela sala e vejo Terry me chamar. Ignoro.
Subo as escadas e vou direto ao closet. As roupas dela estão todas no lugar. No mesmo tempo
em que sinto o alívio por saber que ela não me deixou, fico apavorado com a possibilidade de
ela estar por aí, precisando de mim.
— Acha mesmo que ela iria abandoná-lo? – ouço a voz da minha irmã me repreendendo.
— Não enche! – digo passando por ela.
— Encontrou alguma coisa, Paulo? – pergunto ainda nos últimos degraus da escada. Paulo
está sentado no sofá com uma expressão preocupada.
— Ela não voltou desde que saiu.
— Não é possível – me desespero. — Maria, liga para os hospitais da região e verifique
se ela deu entrada em algum deles.
— Claro – ela responde.
— O que vocês fizeram ontem? – pergunto para Terry que anda de um lado para o outro.
Parece pensativa.
— Maria disse que ela não saiu em nenhum momento. Eu fiquei na casa do Jonas.
— E tem alguma ideia de onde ela possa ter ido? Ela não comentou nada? Porque ela
ligaria pra você no meio da noite? – a interrogo.
— Ai. Meu. Deus! – ela para no meio da sala e fica pálida. — Sônia – ela sussurra.
— O que tem a Sônia?
— Nada. Deve ser apenas coincidência – ela diz e franze o cenho.
— Fala logo caralho! O que tem a Sônia? – pergunto ríspido.
— Encontramos a Sônia no shopping no dia em que viajou. Ela pediu o telefone da
Verônica. Você sabe onde ela mora? Talvez...
— Está me dizendo que... Merda! Puta que pariu.
— Sabe onde ela mora? Olha, eu não gosto daquela mulher, Adrian. Eu disse pra Verônica
que você não iria gostar.
— Eu sei onde essa infeliz mora – rosno. — Vou até lá – digo pegando as chaves do carro e
Paulão me segue.
***
Viro a esquina e entro na rua onde Sônia mora. De longe, já consigo ver o carro de
Verônica estacionado.
— Merda! – Praguejo. — O que ela veio fazer na casa dessa drogada maldita – bato com
as mãos no volante, irritado.
— Vamos descobrir agora – Paulão diz e abre a porta do carro no momento em que
estaciono atrás do carro dela.
Vejo-o seguir até a guarita do prédio e chamar o porteiro. Corro atrás dele.
— Tem certeza de que não viu ninguém entrar no apartamento dela? – Paulão diz.
— Tenho sim, senhor. — A Sônia saiu ontem por volta das nove da noite com um rapaz.
Não havia nenhuma mulher – ele nos olha.
— Sabe me dizer como esse homem era? – pergunto.
— Não me lembro muito da fisionomia não, senhor. Ele era alto, estava de terno e quase
não falou.
— Filho da puta! – vocifero passando as mãos pelos cabelos, nervoso.
— Viu quando aquele carro estacionou? Nenhuma mulher veio perguntar por ela? Loira,
baixa, bem branquinha? – Paulão pergunta.
— Não, senhor. Nem prestei atenção.
— Obrigado – Paulão agradece o porteiro enquanto sigo para meu carro soltando fogo pelo
nariz.
— Aquele desgraçado. Só pode ser ele. Filho da Puta!
— Acha que pode ter sido ele?
— É a cara dele. Desgraçado! Ligue para o Jonas e peça para que ele nos encontre no hotel
do Charles. Tenho certeza que aquele filho da puta está envolvido – digo e o pavor me
consome. Eu vou matar aquele desgraçado se ele estiver com ela.
Vou matá-lo.
***
Chegamos ao hotel. Jonas está em pé andando de um lado para o outro aflito.
— Nossa que demora! – diz ao me ver.
— Ele está aí dentro? Eu vou matar aquele filho de uma puta, desgraçado! – digo
entredentes, enfurecido. Meu descontrole é visível e sou segurado por Paulão ao tentar entrar
no hotel.
— Hei, cara! Não faça nenhuma idiotice. Se ele estiver com ela, é isso que ele quer. Que
você perca a cabeça e aí ele terá uma razão pra foder você – Paulão diz tentando me trazer
para a realidade.
— Fique aqui. Eu entro e pergunto. No estado em que você está só irá causar problemas –
Jonas diz e mesmo contrariado, aceito.
Ele entra com Paulo e através das portas giratórias, vejo-o interrogar a recepcionista. Ando
de um lado para o outro feito um louco. Ele deve tê-la trazido para cá. Será que a levou para
casa dele?
— Charles não está – Jonas sussurra.
— Como assim não está? Eu vou pegar aquele desgraçado! – digo avançando para a porta
giratória e sou puxado por Paulão.
— Adrian. Charles viajou faz uma semana. Está fora do estado. Não está com ela.
— Como assim? É mentira. Não estão vendo? – digo desesperado.
— Não é não. A recepcionista nos deu aqui um papel. Parece que ele está inaugurando um
hotel lá em Cuiabá. Ela disse que ele está lá já tem uma semana. Não foi ele. Quem sabe ela
esteja com a Sônia em algum lugar – Paulão diz, mas algo soa em meus ouvidos que ela está
em apuros.
— Você sabe onde ele mora. Vamos vasculhar a casa dele. Quero ter certeza e falar com os
empregados. Deve ter alguém naquela merda, não é? – digo descontrolado. Sinto-me
impotente e isso me desespera. Jonas me olha aterrorizado.
— Você precisa se acalmar, Adrian. Vamos à polícia e registramos a queixa do
desaparecimento dela – Jonas diz e odeio quando ele age todo certinho.
— A polícia não vai ajudá-lo quando eu o encontrar. Eu vou matar ele Jonas. Eu juro que
vou matar.
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Somente Seu
ChickLitHoje faz uma semana que Adrian e eu nos separamos. Desde que saiu do meu apartamento, não voltou a me procurar. Acho que ele realmente desistiu de mim. Fiquei trancada em casa todos esses dias, procurando uma forma de resolver minha vida. Eu precisa...