Verônica S. Miller
Tento abrir os olhos devagar. Eles estão pesados. Minha mente está confusa. Minha visão
está um pouco turva e embaçada, mas consigo ver que não estou sozinha.
— Hei! Você está legal? – reconheço a voz de Sônia.
Sinto-me nauseada. Minha cabeça dói.
— O que aconteceu? Onde estamos? – digo um pouco desorientada. Estou jogada num chão
frio de madeira. Olho em minha volta e vejo que estamos numa sala vazia e pequena. O
ambiente cheira a mofo. Ergo-me e me sento com dificuldade encostando as costas contra a
parede rústica e gelada.
— Verônica, você está bem? – ela pergunta.
— Ai! Minha cabeça dói – respondo entre gemidos.
— Deve ser o efeito do éter. Charles te apagou umas duas vezes, pelo que vi.
Tento organizar minhas ideias. Charles. Oh, droga! Agora eu me lembro.
— Onde estamos? Como viemos parar aqui? – pergunto, mas ela não responde.
Vou até a porta e tento abri-la.
— Não tem como abrir. Já tentei. Ele nos prendeu aqui, aquele filho da puta, miserável –
ela diz olhando para mim.
— Preciso sair daqui. Preciso ir pra casa – me desespero. — Meu Deus! Que horas são?
Não era pra eu estar aqui.
Vou até a pequena janela que está bloqueada pregada com alguns pedaços de madeira.
Pelas frestas, consigo ver que é dia.
Agora me recordo...
— O que você fez Sônia? Você me enganou! – digo enfurecida. — Não estava mal coisa
nenhuma, não é? – olho para ela enfurecida.
— Olha... Não tive culpa. Ele apareceu e praticamente me obrigou tá legal? – ela diz
soando irritada.
— A culpa é sua. Não devia ter feito o que ele mandou. Sabe o que vai acontecer agora?
Ele vai nos matar! – digo em desespero.
— Não fala merda. Ele disse que só queria falar com você – ela bufa.
— E você idiota acreditou. Acha que ele teria todo esse trabalho apenas pra trocar algumas
palavras comigo!? – digo com sarcasmo. — É claro que ele vai nos matar – digo andando de
um lado pro outro em desespero. — A culpa é toda sua – digo com meu olhar acusador. —
Devia ter ficado em casa, mas não, fui me preocupar com uma vaca traíra – rosno. — Agora
estou aqui, presa – concluo e a cada minuto, o pavor me consome.
— Olha, eu não sabia. Não tinha ideia de que ele faria isso, tá bom? – ela se justifica, mas
não vejo sinceridade em sua voz.
— Cala a boca! – grito. — Abra essa porta! Charles! Charleeees! – grito dando socos e
pontapés na enorme porta de madeira. Começo a chorar.
— Ai meu Deus! Vamos morrer aqui – choro ainda mais ao lembrar do meu estado. Se
Charles descobrir que estou grávida, ele me mata.
Preciso proteger meu filho.
Preciso sair daqui.
***
Já se passaram horas. Não sei ao certo quanto tempo, mas é o suficiente para me deixar
ainda mais amedrontada.
Sônia adormeceu. Eu continuo sentada no chão abraçada em minhas pernas. Pensando num
jeito de sair daqui.
Ouço vozes, levanto-me rapidamente.
A porta se abre num ranger assustador e Charles aparece ao lado de dois homens. Um eu
reconheço. Alto, forte e assustador. Jaqueta de couro preta, não mais do que uns quarenta e
poucos anos. O olhar dele me dá calafrios. O outro, um sujeito de bigodes, estranho, roupas
surrada um tanto suja e uma aparência sebosa. Forte e com uma cara de maníaco.
Definitivamente, um contraste com a bela aparência de Charles. Sempre de terno e muito
elegante.
— Acorde-a! – Charles ordena ao homem de aparência suja.
Me retraio contra a parede apenas observando. Ele me olha com seus olhos frios e
intensos.
O homem acorda Sônia aos tapas.
— Levanta piranha! – ele ri enquanto a empurra com suas botas sujas. Ela acorda
assustada. Passa a mão no rosto e ajeita os cabelos desgrenhados.
— Dou dez minutos pra você tirar isso do cabelo dela – Charles diz, jogando em cima de
Sônia, um pequeno embrulho.
Ela pega e abre com curiosidade.
— Uma tinta de cabelo?? Pra que essa merda? – Sônia pergunta. — Eu não sei pintar
cabelo, Charles.
— Se vira. Você sabe fazer coisas bem piores. Pintar um cabelo eu tenho certeza que irá
tirar de letra – diz com sua voz imponente.
— Eu já fiz o combinado. Agora me deixe ir – ela resmunga partindo para cima dele.
— Acho que você se esqueceu de quem é que manda aqui – ele diz com sua voz de
dominador. — Daqui a pouco eu volto para buscá-la – diz entredentes e sai fechando a porta.
Só então, é que vejo o quanto estou apavorada, pois assim que eles saem, volto a respirar
normalmente.
— Ainda acredita que ele irá nos soltar? – pergunto com sarcasmo.
— Ele é um idiota! Se ele pensa que vou fazer o que ele quer, está muito enganado – diz
irritada.
— Me dê isso – digo retirando a caixa de tinta de suas mãos. Era só o que me faltava.
Reviro os olhos. — Não tem água nesse lugar. Como ele quer que eu tire isso do cabelo
depois?
— Acho que ele não quer que você tire. Se eu bem o conheço, ele fará isso por você – ela
diz com um sorriso de canto de boca. — É você que ele quer não eu. Logo sairei daqui – ela
diz me deixando perplexa.
— Você é uma filha da puta. Não sei onde estava com a cabeça quando te dei meu telefone.
Como fui burra! – exclamo. — Eu mesma faço isso. Não quero que chegue perto de mim –
digo e ela se senta num canto do cômodo me observando.
***
Sônia me olha atenta.
— Nada mal – diz assim que termino. — Vai voltar a ser você mesma agora – ela ri.
Idiota.
A porta se abre.
Charles me olha por alguns segundos e dá um sorriso satisfeito.
— Tragam-na. Quero que a leve para meu quarto – ordena para seus capangas. O homem
esquisito me toca e sinto um pavor. Ele fede a suor.
O homem me arrasta pelos braços sem muita dificuldade. Assim que saímos do pequeno
cômodo, passamos por um corredor imundo. Chegamos a uma pequena sala com alguns
móveis velhos e quebrados. O homem me arrasta até a outra porta de madeira. Abre a porta e
empurra outra de tela velha fazendo-a ranger. Ao sair, vejo que estou no meio de uma mata.
Olho em volta tentando firmar a visão embaçada pela claridade e não vejo absolutamente
nada, além de árvores, folhas, galhos caídos ao chão de terra e uma caminhonete marrom
empoeirada. Percebo então, o lugar em que estava. Um velho casebre de madeira caindo aos
pedaços e uma aparência terrivelmente assustadora.
— Que lugar é esse? – pergunto assustada. Charles me olha com seu olhar frio e nada diz.
Ele segue andando em nossa frente até que para ao lado da caminhonete enferrujada. Ele
afrouxa a gravata e a tira enquanto faz sinal para que o homem me leve até ele. Quando nos
aproximamos, ele me venda com sua gravata preta.
— Pra onde está me levando, Charles? – sussurro amedrontada. A única coisa em que
penso, é nas inúmeras formas em que ele poderá me fazer sofrer.
Ele me coloca dentro da caminhonete e se senta ao meu lado dizendo para que os capangas
dirijam.
— Não precisa ter medo de mim, minha menina. Vou cuidar de você – ele diz após um
tempo. — Agora você é minha – sussurra em meu ouvido e me arrepio com o jeito em que
fala. Ele está completamente louco, se acha que irei ceder as suas vontades.
Após um tempo, a caminhonete estaciona.
— Pode deixar. Cuido dela daqui. Podem voltar ao trabalho – ele ordena e sinto um alívio
em não ter que ficar perto desses homens. Charles tira minha venda e me pega pelos braços
levando-me para dentro de uma grande casa.
Passo por uma sala rústica, mas bem decorada. Sofisticada, assim com ele.
— Vamos tirar isso do seu cabelo – ele diz e continua a me arrastar. Passamos por vários
corredores até chegarmos num quarto. Olho tudo assustada e com curiosidade. O quarto é
grande. Uma cama com cabeceira de ferro preto e lençóis vermelhos de cetim me levam a
momentos que passei com ele. Na parede, alguns quadros abstratos coloridos, dão um
contraste com o papel de parede escuro.
— Tire a roupa – ele ordena e caminha até uma cômoda de madeira. Ele abre a gaveta
lentamente e vejo-o retirar algumas peças de roupas e uma toalha de banho. Quando ele se
vira, me olha franzindo o cenho. — Estou esperando – ele diz deixando meus sentidos em
alerta.
— Eu quero ir pra casa, Charles – sussurro assustada colocando os braços envolta do
corpo para me proteger de seu olhar lascivo.
Ele se aproxima e joga as roupas em cima da cama. Para de frente para mim e diz tocando
meu rosto:
— Já está em casa. Agora faça o que mandei – sua voz tem um tom de comando e automaticamente, faço o que me ordena. É como se minha mente mandasse meu corpo reagir
contra minha vontade. É estranho e assustador ao mesmo tempo.
Tiro toda a minha roupa. Charles me pega pela mão e me guia até o banheiro. Ele fecha a
porta e começa a retirar seu terno. Desvio o olhar e ele ri. Ouço o som da água cair assim que
ele liga o chuveiro.
— Venha – ele diz entrando no box apenas de cueca preta Caminho até ele com
passos vacilantes. Entro debaixo do chuveiro e ele inclina minha cabeça para baixo deixando
a água cair em meus cabelos. Retira toda a tinta e posso ver a água preta escorrendo pelo ralo.
Quando tira todo o excesso, lava meus cabelos delicadamente.
Quando termina, pega a toalha e me seca. Todo esse cuidado, me faz lembrar das primeiras
noites que passamos juntos. Como ele era cruel e ao mesmo tempo, gentil. Como conseguia me
deixar assustada num simples olhar.
Saímos do banheiro e ele faz questão de me sentar sobre a cama. Caminha até a cômoda e
em outra gaveta, retira uma escova prateada com cerdas largas.
Charles tem um brilho no olhar. Um brilho diferente. Sua expressão agora, não é tão
assustadora. Ele apanha meus cabelos com as mãos e começa a penteá-los. Mecha por mecha,
até que estão completamente desembaraçados.
— Eu preciso ir, Charles – sussurro. — Ninguém sabe onde estou. Devem estar me
procurando – digo receosa.
Ele dá um suspiro pesado enquanto joga a escova com fúria do outro lado do quarto me
deixando com medo.
— Já disse. Você está onde deve estar. Ao meu lado – rosna.
Fico calada tentando procurar a melhor forma de falar com ele. Charles anda de um lado
para outro inquieto. Sua expressão muda e ele se aproxima de mim com um olhar obscuro.
— Por que você foi embora? Eu disse para você que eu voltaria para te buscar – diz
perdendo seu autocontrole.
— Você me machucou, Charles – sussurro. — Você me bateu. Me machucou de verdade –
digo e minhas lágrimas começam a aparecer. Fecho os olhos e lembro do momento de terror
que vivi quando ele me açoitou sem nenhuma piedade.
— Eu sei. Eu sei merda! Mas na primeira oportunidade, você virou as costas pra mim e se
casou com aquele filho da puta – ele esbraveja.
— Co-co-mo sabe que... – gaguejo atordoada e olho para minha mão. Minha aliança não
está em meu dedo.
— Como eu sei? – ele ri nervoso. — Eu sei de cada passo seu, Verônica. Nem essa
tentativa ridícula de pintar o cabelo, fez com que me afastasse de você. — Acha mesmo que
poderia se livrar de mim? – ele diz puxando meu cabelo na altura de minha nuca, fazendo com
que enfrentasse seu olhar raivoso. — Responda! – ele puxa ainda mais forte.
— Não – sussurro fracamente.
Ele me solta e pega o vestido vermelho que depositou na cama e a lingerie.
— Eu posso fazer isso – digo retirando de suas mãos, a calcinha que tenta colocar em mim.
Ele a pega de volta e me empurra na cama. Me debato e começo a chutá-lo.
— Não toque em mim! – grito.
Ele me bloqueia deitando em cima de mim e segura minha mandíbula com a mão dando um
aperto forte. Seu rosto está próximo ao meu e posso sentir sua respiração descompassada.
— Você era mais obediente, querida – diz apertando-me ainda mais até que solto um
grunhido de dor, e então, ele solta sua mão de meu rosto.
— Eu não vou deixar você encostar em mim, Charles. Nunca mais – me enfureço e ele ri.
— Eu adoro essa sua resistência – diz passando a calcinha por minhas pernas enquanto me
debato tentando me desvencilhar de seu peso. Quando ele termina, joga o vestido para mim.
Ele começa a colocar seu terno e quando está totalmente vestido, vem em minha direção.
— Eu volto mais tarde. Preciso trabalhar querida – e se aproxima para beijar minha boca.
Viro o rosto e sua boca se choca contra minha bochecha. Ele me olha insatisfeito, mas não diz
absolutamente nada e sai pela porta trancando-a do outro lado.
Me encolho na cama e começo a chorar. O desespero bate quando caio na real de que ele
não irá me deixar ir. Ele é louco. Completamente doente.
Vasculho as gavetas. Encontro alguns grampos e o pego para tentar abrir a fechadura. Tento
mas não obtenho sucesso.
— Merda! – esbravejo jogando os grampos longe. Dou socos e chutes na porta. Grito como
uma louca. Ninguém me ouve.
Continuo vasculhando o quarto a procura de algo para tentar me livrar dessa prisão em que
ele me colocou. As janelas estão pregadas e não há nada que possa fazer para abri-las. Grito
em desespero caindo no chão e chorando como uma criança assustada.
Penso em Adrian, em minha mãe... Em como farei para que ele não descubra sobre o bebê.
— Charleeeeeeeees! – grito aos prantos. — Me tire daqui! Me tire daquiiiiii!
Fico encolhida no chão com os braços envolta do meu corpo. “Eu preciso pensar! Eu
preciso me acalmar!”.
Penso em todas as formas de sair desse quarto. Nenhuma delas dá certo. Ele pensou em
tudo. O desgraçado pensou em tudo. Eu mal sei onde estou. E se eu estiver em outro país? Oh
meu Deus! Choro ainda mais ao pensar que Adrian jamais me encontrará.
Levanto-me e num acesso de raiva, começo a destruir tudo a minha volta e a gritar feito
louca. Tiro os quadros da parede e arremesso-os por todos os cantos do quarto. Jogo a escova
contra o espelho na parede quebrando-o em vários pedaços. Rasgo os lençóis, travesseiros e
quebro todas as gavetas da cômoda jogando todo o conteúdo delas no chão. Quando minha
raiva cede, vejo a extensão dos danos que causei. Eu apenas sento-me no canto do quarto e me
encolho rezando para que esse tormento acabe e que eu possa finalmente ir para casa.
***
Ainda estou acordada. Pela janela, vejo que já escureceu. Já estou a horas trancada nesse
quarto. Olho para fora e vejo a caminhonete marrom estacionar. O homem de jaqueta de couro
está em pé olhando para a caminhonete. Dela, saem Charles e o cara estranho seboso.
“Preciso arrumar um jeito de sair daqui”.
Ouço passos e sei que é ele quem está se aproximando. Vou até perto da porta e o espero
abrir. O clique da fechadura faz meu coração acelerar.
Ele abre a porta e eu avanço para tentar fugir.
— Onde pensa que vai? – diz bloqueando minha passagem.
— Me solta! – grito. — Me Solta, Charles!
Ele me empurra para dentro e olha ao redor furioso.
— Mas... Que merda toda é essa? – ele grita e a raiva estampada em sua face me faz
estremecer.
— Eu não vou ficar aqui nem mais um minuto, Charles! Eu quero ir embora – sussurro e as
lágrimas começam a rolar.
O homem entra trazendo em sua mão um prato com comida.
— Você precisa comer. Não se alimentou o dia inteiro – ele diz com raiva, chutando as
coisas em seu caminho e pega o prato das mãos do homem. Quando ele estende o prato em
minha direção, eu o pego, arremesso longe e, grito:
— Não quero comer! Quero sair daqui!
O barulho do prato se quebrando, deixa Charles descontrolado. Ele avança em mim e me
arrasta pelos cabelos fazendo-me ajoelhar em frente aos restos de comida com cacos de vidro.
— Você vai limpar essa merda! – grita em meu ouvido puxando ainda mais forte meu
cabelo.
— Me larga! Desgraçado! Tire suas mãos de mim – me descontrolo dando socos em seus
braços.
— Prepare a caminhonete – grita para o capanga inerte. — Agora caralho!
Charles me joga de bruços na cama e coloca meus braços para trás. Ele amarra meus
pulsos com sua gravata unindo-os um no outro enquanto continuo gritando. Ele me vira e seu
rosto está vermelho de raiva.
— Cala a boca! – ele diz com sua voz fria.
Grito ainda mais e ele me dá uma bofetada.
— Você quer fazer isso do jeito mais difícil, não é? Não é? – diz tapando minha boca e
nariz com a mão. O ar começa a faltar e me desespero me debatendo.
— Você é minha, Verônica. Minha! E eu vou ter que te dar uma lição pra você entender
isso. Você fará o que eu quiser, entendeu?
Quando ele me solta, tusso e respiro com dificuldade.
Charles me puxa pelos braços e me arrasta para fora. Quando chegamos à caminhonete, ele
me empurra para o banco de trás e dá a volta, entra no carro e dá a partida. Pela janela,
ordena ao homem para ir até a cabana a pé.
— Você vai mofar na cadeia, Charles – digo entredentes.
Ele não diz nada. Apenas dirige feito louco pela estradinha de terra. Está tudo escuro. Não
consigo ver o que tem lá fora. Estamos no meio do nada.
Após um tempo, chegamos.
Ele abre a porta e me puxa com violência. Vejo a cabana assustadora e tento me soltar dele.
Ele me puxa com mais força enquanto eu grito:
— Me solta, Charles – e começo a chorar. — Por favor, me deixe ir. Por favor!
Ele abre a porta de tela e a outra. Passamos pelo corredor estreito e ele abre uma porta
jogando-me para dentro do cômodo. Quando acende a luz, vejo que não é o mesmo quarto.
Olho ao redor assustada. Há uma cama king size nova que não combina com o estado do
lugar. No canto, uma pequena jaula preta com um colchão vermelho, parecendo uma gaiola.
No teto, algumas correntes presas que conhecia muito bem. Nas paredes, vários chicotes
pendurados, o que me causou ainda mais pânico.
— Vai ficar aqui até se acalmar – ele diz me jogando em cima da cama. Ele desamarra
meus pulsos e então, avanço nele arranhando seu rosto. Ele dá um grunhido e me bate mais
uma vez.
— Você vai me obedecer, sua cadela – rosna.
— Não sou sua cadela – rebato com fúria.
Ele caminha até os chicotes e pega um deles. Me encolho e as lágrimas não param de cair.
— Não me obrigue a fazer isso outra vez – diz empunhando o chicote.
— Não vou fazer nada que você mandar, seu desgraçado. Nada! – grito e sinto a primeira
chicotada em minhas pernas. Solto um grunhido de dor e ele avança em minha direção.
— Vai fazer exatamente o que eu ordenar – sussurra friamente. — Tire a roupa. Vou dar
uma surra em você pra que se lembre de que eu sou seu dono.
Cuspo em seu rosto e digo:
— Eu prefiro morrer. Não vou me submeter a você nunca mais, seu monstro.
Ele se afasta transtornado e grita:
— Paschoal! Paschoal!
Depois de alguns segundos, o cara de jaqueta preta aparece.
— Sim.
— Traga a vagabunda – ordena com fúria.
Passa alguns minutos e Sônia é jogada ao meu lado pelo brutamontes.
— A arma – Charles diz para ele estendendo a mão. O homem retira de trás de suas costas
uma arma e eu entro em pânico. — Cai fora! – ele diz ao homem aos berros e fecha a porta.
Sonia está tão assustada quanto eu.
— Conta pra ela Sônia, o que acontece quando eu me enfureço. Quando as coisas não saem
como eu quero – diz com a arma na mão.
— Charles – ela sussurra e posso sentir o pânico dela.
Ele aponta a arma para mim e eu fecho os olhos. Eu aperto os olhos tão forte que eles
chegam a doer. Meu corpo treme e só consigo pensar em meu filho.
— Ela disse que prefere morrer a ficar comigo – ele ri.
— Charles, por favor – ela implora.
— Olha pra mim, Verônica – ele ordena, mas mantenho os olhos fechados. — Olha pra
mim! – grita com fúria.
As lágrimas caem e sei que esse é meu fim.
— Já viu alguém morrer? – ele pergunta. — Responda!
— Não – digo chorando e minha voz sai trêmula.
— Considere-se com sorte hoje, querida – ele diz e ouço o barulho estrondoso. Meu
coração acelera ao ver o corpo de Sônia se chocar contra o chão. Meu terror aumenta, quando
vejo uma mancha vermelha na altura do peito, preencher sua blusa branca rapidamente.
Ela está imóvel.
Ela está... Ela está...
Oh meu Deus!
Morta!
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Somente Seu
ChickLitHoje faz uma semana que Adrian e eu nos separamos. Desde que saiu do meu apartamento, não voltou a me procurar. Acho que ele realmente desistiu de mim. Fiquei trancada em casa todos esses dias, procurando uma forma de resolver minha vida. Eu precisa...