Segunda-feira, 23 de Setembro de 2013 - Bristol, Inglaterra
Mentiras e mais mentiras. O ser humano não consegue parar este ciclo, sempre a mentir, vive para isso, respira para isso, parece que ama mentir, o seu próprio vicio, um vicio de todos, um vicio partilhado por centenas, milhares, milhões e biliões. Porque é que mentem? Porque é que apreciam tanto isso? A verdade já não significa nada? Ser verdadeiro e honesto já não é o suficiente? Para que ter amigos se estão sempre a mentir? Se não são verdadeiros?
*Flashback on*
"Tens que lhe contar Harry, não podes mentir a Sofia" ouvi a voz da Mrs Finley e parei automaticamente no corredor. Não queria ouvir a conversa, não queria intrometer-me mas foi inevitável quando ouvi o meu nome.
"Não sei se consigo." o Harry sussurrou e por pouco não escutava a sua voz rouca. Porque é que ele não tem coragem? Pensava que ele confiava em mim. Será que devo ir-me embora ou ouvir? Não sou assim, não ouço as conversas dos outros, não me quero intrometer nesta conversa privada entre irmãos.
"Sabes que quanto mais tempo esperares pior vai ser, podes perde-la. Estas no ultimo ano de escola, pode ser o vosso ultimo ano juntos. Não mintas mais." ouvi o som dos seus saltos altos ecoar pela sala, na minha direção, recuei automaticamente e corri pelo corredor ate chegar a entrada da escola. Respirei fundo quando parei e passei a mão pelo cabelo enquanto que sentia uma leve brisa a tocar o meu rosto. O que esta ele a esconder de mim?
"Sofia!" virei-me rapidamente quando ouvi a sua voz, ele estava no topo das escadas, ainda a segurar a porta "Sofia." ele voltou a falar. Não conseguia pensar em nada, estava estática a olhar para ele, porque não conseguia dizer nada? Dizer o que tinha pensado a dois minutos atras? Ele deu um passo em frente e eu recuei. "Sofia." ele voltou a dizer e olhou-me ainda mais intensamente. Fechei os olhos por alguns segundos e respirei fundo. Quando abri os olhos ele continuava na mesma posição.
"Tenho que ir para casa." respirei fundo, mas não consegui sorrir. Ele começou a descer as escadas e eu corri, corri para longe. Corri como uma cobarde. Ouvi-o a chamar mas não parei, nunca mais parei até me trancar em casa exausta e com pouco ar nos pulmões.
*Flashback off*
Ele podia ser um mentiroso mas eu era uma cobarde, não conseguia perguntar-lhe o que é que ele me escondia, não conseguia perguntar nada. Porque é que ele mentiu? Porque é que eu fui cobarde? Porque é que ele me esconde coisas? Porque é que eu lhe escondo coisas? Porque é que omitimos partes da nossa vida, talvez ate da nossa alma?
"Vais abrir a porta?" ele voltou a bater a porta da minha casa, senti a porta a tremer contra as minhas costas.
"Porque me andas a mentir?" observei a minha casa vazia e escura, nem as luzes tinha ligado, apenas fiquei ali a pensar e a ouvi-lo implorar para abrir a porta.
"És tao complicada as vezes."
"Antes complicada do que mentirosa." resmunguei.
"Quando vais perceber que percebeste tudo mal." eu soltei um riso com a sua frase.
"E o que percebi mal?" olhei para o teto branco enquanto que aguardava a resposta dele, mas ele não me respondeu durante longos segundos.
"Nunca pensei que te fosse dizer isto aqui e agora, posso ao menos olhar-te nos olhos quando te contar, não sei se sou capaz assim, com esta pequena mas enorme distancia." fechei os olhos. Será que devia abrir a porta? O que será que ele me queria contar? Seria algo de bom? Ou seria algo que eu preferiria não saber? Estes mistérios, estes enigmas estão a matar-me por dentro, estas perguntas que estão a um passo de ser respondidas, mas mesmo assim esse passo parecia enorme, parecia assustador, não me queria arrepender de saber mas também não queria permanecer na ignorância. "Posso entrar?"
"Não sei." abri os olhos e levantei-me "Vou gostar do que vais dizer?"
"Quem devia estar com receio era eu." ele soltou uma gargalhada "Eu é que posso sair magoado daqui, eu é que posso sofrer por tua causa, porque tudo depende de ti, é por isso que tenho medo de falar contigo, eu quero mas tenho medo."
"Tens medo de mim?" respirei fundo e abri a porta, ele levantou de imediato a cabeça quando abri a porta e sorriu-me, mas esse sorriso não lhe chegava aos olhos, era forçado.
"Não." ele continuou a sorrir e abanou ele continuou a sorrir e abanou com a cabeça negativamente "Tenho medo do que vais dizer, é impossível ter medo de alguém tao adorável quanto tu." desta vez ele sorriu de verdade enquanto que corava um pouco.
"Estas a corar porque?" cruzei os braços e levantei uma sobrancelha, ele olhou para o chão tentando esconder a sua cara, mas consegui ver na mesma as suas bochechas a ficarem cada vez mais vermelhas. Ele encolheu os ombros. "Não sou adorável." sorri-lhe quando ele olhou por fim para mim.
"És maluca." ele sorriu tanto que nas suas bochechas formaram-se as covinhas as quais eu me tinha acostumado.
"E porque é que eu sou maluca?"
"Por pensares que não és adorável, por pensares que não és tao especial quanto eu acho que és, por não saberes o quão boa pessoa és, por não saberes o quanto eu adoro falar contigo."
"Estas muito lamechas hoje, que se passa?" caminhei para dentro de casa, para o meu sofá e deixei-me cair nele, ele seguiu os meus movimentos com os seus olhos enquanto que caminhava dentro da minha sala. Ele não me estava a contar nada, porque é que ele não me contava o que me andava a esconder? Porque é que ele hoje estava mais estranho que o habitual?
"Nada." ele enterrou as mãos nos bolsos e sentou-se ao meu lado.
"Estou a espera que me contes o que me andas a esconder." observei-o intensamente, ele não me olhava nos olhos mesmo que a alguns minutos atras tivesse dito que o queria fazer.
Ele levantou a cabeça ao fim de algum silencio constrangedor "Isto começou a alguns meses, eu não queria que isto tivesse acontecido, mas foi algo inevitável, eu só queria uma amiga, mas acho que isso não é suficiente." enruguei a testa. O que é que ele quer dizer com isto? "Tu és mesmo algo de estranho sabes? Irritante. Também és muito irritante e consegues tirar-me do serio por vezes, mas é isso que me encanta, és diferente, é isso que me faz vir atras de ti sempre que discutimos, não percebo porque estou sempre com um sorriso patético sempre que ouço o teu nome ou sempre que dizes uma piada, sou sempre o único a rir-me das tuas piadas, apenas eu vejo o teu lado divertido, apenas eu percebo o teu lado irónico. Isto pode parecer fantástico mas é terrível porque preferia olhar-te nos olhos e ver apenas o que vejo em qualquer outra rapariga, não quero perder o que temos mas também quero algo a mais. Estou sempre a ter este sonho patético em que namoramos, em que somos felizes, eu quero isso, eu quero poder beijar-te todos os dias, amar-te, quero rir-me contigo, chorar contigo." ele passou as mãos nos cabelos, ele estava a tremer. Não sabia o que pensar, apenas o choque atravessava meu corpo "Sabias que em Espanha eu tive que fazer um grande esforço para não fazer sexo contigo, tive dias a fio apenas a pensar como aquele momento podia ter sido, até me arrependi, mas depois lembrei-me porque não o fiz, não o fiz porque te amava, porque me importo contigo e com a tua felicidade, era por causa disso que não tinha feito nada, porque apenas quero que o faças se me amares como eu te amo. Consegues perceber o que te estou a dizer?" apenas olhei para ele, não me conseguia mover, não conseguia formar uma palavra que fosse. Ele suspirou "Sofia, eu estou loucamente apaixonado por ti, estou apaixonado por uma pessoa um milhão de vezes mais incrível do que eu, mas não quero saber se não sirvo para ti, se não sou suficiente, porque vou continuar a gostar de ti, continuarei a amar-te até ao fim, continuarei a tentar ser uma pessoa melhor por ti." ele colocou as suas mãos quentes sobre as minhas geladas "Eu amo-te Sofia!"
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Mil e uma desculpas pela demora mas com a escola ando ainda mais ocupada... vou tentar atulizar pelo menos 2 ou tres vezes por semana!!! Que acahram desta declaraçao? eu nao sou muito romantica mas espero que tenha conseguido escrever algo de romantico ha ha ha !!! digam o que acham que vai acontecer, beijooooos (:
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Made of ice
Ficção Adolescente"Quando era pequena, costumava chorar por tudo e por nada. Hoje, com 17 anos apercebo-me que me estou a tornar numa pessoa fria." "Não és fria, és verdadeira" olhei-o nos olhos " é isso que mais gosto em ti" ele sorriu e foi nesse momento que perce...
