Capítulo 37 - Matando a saudade

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Limpei as lágrimas do meu rosto  e esperei que eles se aproximassem. Meu pai foi o primeiro. Ele cumprimentou Mira, a minha sogra e logo depois seus olhos foram direcionados a mim. Ele desceu o olhar por meu corpo e parou em meu ventre avantajado. Um longo sorriso surgiu em seu rosto. 

_ Shakila. _ Ele se aproximou. Eu o reverenciei como rei e logo depois eu o abracei como pai. Seu braço era forte e acolhedor. Nos afastamos e eu não pude conter as lágrimas. Elas desciam como rios por meu rosto. _ Espero que sejam lágrimas de felicidade. _ Assenti, enquanto ele passava as mãos limpando meu rosto. Ele seguiu para falar com Lubna. Que também chorava ao meu lado. Darelle assim que me viu, correu na minha direção. Eu não conseguia me abaixar para abraça-la como eu queria. 

_ Shakil. _ Ela abraçou-me, sua cabecinha ficou na altura da minha barriga. _ Eu estava com tanta saudade de você. _ Ela disse e sorrir como uma irmã babona. 

_ Eu também minha pequena. _ Disse a abraçando. Quando ela me soltou, foi na direção de Lubna em um abraço cheio de carinho. 

_ Shakila. _ Eu conhecia aquela voz firme, porém ao mesmo tempo suave. Minha mãe. Ela sorriu assim que me viu. _ Você está linda minha filha. _ Ela me abraçou com o pequeno em seus braços. 

_ Obrigada Mamãe. _ Meus olhos foram direcionados ao pequeno bebê em seus braços. Suas bochechas morenas estavam rosadas e ele dormia como um verdadeiro anjinho. _ Ele é tão lindo mamãe. _ Disse emocionada. 

_ Vê se ele não é a cara do meu sultão. _ Minha mãe estava estonteante, pois ele era a cara de papai. Um longo surgiu em meus lábios. E involuntariamente passei as mãos por meu ventre. Será que meu bebê seria a cara de Raíd?!

Ah Raíd! O que você estará fazendo agora? Meu coração se apertou de saudade. 

_ Vamos entrar... hoje é dia de comemorar. _ Disse Kalil, chamando a atenção de todos. 

[...]

Ocorreu tudo bem na festa. Graças ao bom Allah! Meu sogro e meu pai se recolheram junto com os outros homens para acertarem o dote do casamento.  Mira disse que estava cansada e também se despediu de todos. Ficamos apenas eu, minha mãe e minhas irmãs. 

_ Acho melhor você ir descansar, amanhã teremos um longo dia. _ Disse minha mãe para Lubna. 

_ Aonde eu vou dormir? _ Perguntou Darelle, fazendo biquinho. 

_ Você pode dormir comigo se quiser. _ Disse dando de ombros. Ela se jogou em meu colo, arrancando-me uma risada. 

_ Darelle, não se jogue em cima de sua irmã. Ela está esperando um bebê. _ Repreendeu minha mãe. 

_ Desculpe Shakil. _ Ela me olhou, desculpando-se. Beijei sua bochecha e sussurrei em seu ouvido. 

_ Não tem problema. _ Ela sorriu e me abraçou novamente. 

_ Vamos, vou acompanhar vocês até os seus quartos. _ Primeiro  deixamos Lubna em seu quarto. 

_ Acho que não vou conseguir dormir. _ Disse ela sorrindo. _ Nem acredito que me casarei amanhã. _ Seu sorriso só fazia aumentar.

_ Acredite irmã sei como está se sentindo. Eu também não consegui dormir na véspera do meu casamento.

_ Bom. É melhor que tente! Acho que não quer assustar o noivo com grande olheiras devido a falta de sono. _ Disse minha mãe, fazendo todos rirem. 

_ Vou tomar um banho e descansar. Prometo. _ Disse Lubna. Minha mãe se aproximou e beijou sua testa. _ Bons sonhos minha filha. 

Saímos do quarto de Lubna e levei minha mãe até o seu quarto. Ela sorriu quando viu o berço ao lado da cama. 

_ Obrigada Shakil. _ Ela sorriu e logo se aproximou colocando o bebê no berço. _ Muito gentil de sua parte. _ Sorrir de lado e entrei, fechando a porta atrás de nós. Ela franziu a testa, pelo seu olhar ela sabia que eu estava escondendo alguma coisa. _ Venha Darelle, vamos tomar um banho para dormir. 

_ Mas eu vou dormir com a Shakil. _ Ela bateu o pé. 

_ Você vai, mas primeiro vai tomar banho. _ Ela correu até o banheiro para voltar logo comigo. 

_ Não vá embora Shakil, eu tomo banho rapinho. _ Ela disse do banheiro, nos fazendo rir. 

_ Não irei, estarei esperando por você. _ Me aproximei da poltrona que tinha de frente para cama e sentei. Meus pés estavam inchados e doloridos. Como eu queria uma massagem. Tirei minhas sandálias e a sensação de alívio me invadiu. 

_ Me conte. _ Minha mãe sentou a minha frente e me olhou com calma. _ O que está acontecendo? _ Ela perguntou. 

_ Não consigo esconder nada de você não é? _ Ela sorriu de lado e esperou que eu continuasse. _ Estou preocupada com Lubna mãe. _ Ela franziu a testa, não entendendo o motivo da minha preocupação. 

_ Tidur não a ama. Na verdade, ele tão pouco queria casar com ela. Ele está se casando obrigado. Sinto como se estivesse vendo um dejavú da minha vida. Não quero que ela passe por tudo que passei. _ Minha mãe se aproximou e segurou em minha mão. 

_ Ela não irá, você estará perto dela, lhe aconselhando. Você estava sozinha aqui, nesse enorme palácio. Longe da sua família, longe de mim. 

_ Mãe. 

_ Shakila, seu pai já aceitou o dote, não tem como voltar atrás. Cabe a você guiar sua irmã. Protegê-la. 

_ Ela está apaixonada por ele. _ Ela deu um meio sorriso e lágrimas vieram ao meu rosto. _ Não sei como vou fazê-la entender, não sei como vou falar para ela...

_ Não conte, ela não precisa saber . 

_ Mãe, ela pensa que esta vivendo um sonho. Eu já passei por isso e quebrei meu coração. Ainda estou curando as feridas que sinto. 

_ Todas nós passamos Shakila. Eu conversarei com sua irmã. Para que ela desça das nuvens. Mas não posso impedi-la de se sentir feliz no dia do casamento dela. Sua irmã sempre sonhou em se casar. Você que sempre nutriu dentro de você que só se casaria quando amasse alguém de verdade. E olhe você. Lembro-me como se fosse ontem, você era igual ao Tidur, não queria casar com alguém que não amava. Mas com o tempo, vocês acabaram se apaixonando e amando um ao outro. É assim que construímos um amor solido minha filha. Não em cima de uma paixão instável e incontrolável. Mas com admiração e respeito. É isso que você tem que passar para sua irmã. Que apesar de tudo que passou, hoje você é feliz, não é? _ Assenti, limpando as lágrimas do meu rosto. _ Olha o  amostra do amor de vocês crescendo em seu ventre. Um filho só é gerado quando tem sentimento. _ Ela se aproximou e limpou as lágrimas do meu rosto. _ Não se preocupe, vai dar tudo certo. _ Minha mãe tinha razão, eu teria que parar de me preocupar e sim, ensinar a minha irmã a não cometer os mesmo erros que eu. 

Eu ajudaria Lubna a conquistar Tidur. Assim como eu conquistei Raíd. 



A OdaliscaWhere stories live. Discover now