Capítulo 11 - Desentendimento

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MERDITH

Depois que o gêmeo misterioso foi embora - mais uma vez que não lhe perguntei o nome - eu e Henri brigamos mais. Sua revolta pelo que o possível fundador disse sobre ele querer fazer com que eu me sinta mal ou me culpar, foi tão grande que eu mesma fui embora sem fazermos as pazes.

Agora cá estou olhando pela janela, as estrelas que nunca deixam de brilhar. A capa preta que estava pouco molhada já secou. Me envolvi nela e é como se ele me abraçasse de novo, é quentinha, o calor aquece meu corpo gelado. O cheiro de canela com maçã é tão forte me deixando viciada. É tão macia.

Os olhos de fumaça amarela não vieram...Hoje não me deixaram um calafrio como toda a noite. O celular ao meu lado mostra várias ligações perdidas do Henri. Ainda estou zangada, não quero falar com ele, só iríamos discutir pela ligação, eu ia chorar, ele ficaria com pena e tudo mais.

Me deito na cama, está tão gelada. O que o gêmeo me disse não sai da minha cabeça - "você me deixa descontrolado" - Coro só de pensar nisso. Será que ele está pensando nisso agora? Do seu jeito frio, talvez não. Mas ele não ignoraria...certo? Não sei. Não consigo deixar de lado como me sinto bem perto dele, mesmo que uma aura ruim lhe saia. Ele me deixa confortável de uma forma diferente, sem medo, sem amarras. Só de pensar como ativei uma maliciosidade no fundo de mim. Aaaah no que estava pensando??

Me lembro da irmã dele, ela não parecia tão amigável quanto ele. Mas se bem que ele também não parecia, ela também me ativou alguma coisa. Deve ser a criação deles, são tão parecidos em personalidade dura. Não devem ser assim entre eles, ou talvez. Mistério. Essa palavra resume eles, e qualquer mistério é o suficiente para chamar minha atenção.

*********

- Brigou com Henri, filha? - estava demorando até mamãe saber.

A mesa está lotada de comida para o café da manhã, deveria notar que algo  está diferente. A ideia de que minha mãe preparou tudo isso pra me deixar de bom humor e perguntar algo, me faz rir.

- Sim. Creio que ele te ligou - reviro os olhos mordendo uma torrada.

- Igual um bebê chorão. Mas queria saber se você tinha chegado em casa bem, disse que estava com má companhia  - ela me olha suspeita.

- Não há companhia em Rystton Hergreely, mãe! - ignoro seu olhar preocupado em mim e bebo o café - exceto por Chellepi.

- Olhe bem o que diz sobre a família que governa Rystton - me repreende.

Não a respondo. Sem estresse de manhã cedo. Odeio quando Henri mete minha mãe nas brigas, já prevejo que ela me perguntará sobre isso até que estejamos bem de novo. O que vai ser provavelmente hoje, não brigamos por muito tempo.

- Vou indo - saio da sala com a mocinha na bolsa - Até de noite - grito antes de abrir a porta.

- Até mais tarde, filha.

Desço as escadas da varanda colocado a mochila nas costas e travo bruscamente quando vejo o menino da pele de neve, com cabelos castanhos encostado em uma das árvores perto da floresta.

- Bom dia, Merdith  - ele diz indiferete.

- B-bom dia..O que você...? - não consigo criar as palavras pela surpresa .

RYSTTON HERGREELY: O Livro LunarOnde histórias criam vida. Descubra agora