AMÉLIA
Dormi assim que deitei na cama. Acordei meia noite com a dor na coluna e os olhos brilhando. Prata. É tão bom sentir esse poder de verdade, puro e poderoso.
Os funcionários sabem do que se tratam e não se surpreendem ao me ver. Mas quando entro na sala de jantar nossos convidados me olham com olhos arregalados - exceto Chellepi - que quase pulam para fora.
Como sempre, o casal está atrasado. Sento na mesa e Lisa me serve.
- Dá para pararem de me encarar? - levanto devagar o olhar para eles. Todos desviam os olhares para voltar a comer.
Quando estou na quarta torrada, os pombinhos aparecem para tomar café. Também é reconfortante ver Nathan com seus olhos dourados, estão num tom mais leve que o normal. Mer também tem os mesmos olhos, já transferiu o poder. Só falta eu pelo visto. Sinto também o cheiro de Nathan dentro dela, os dois andaram aprontando. Não fizeram desde aquela primeira vez.
- Bom dia. - Mer se senta e Lisa lhe serve café.
- Amiga, seus olhos...
- Ah sim - Ela toca nas bochechas - Nathan já me passou a maioria dos poderes.
- Pelo menos já se perdoaram - Henri diz sem tirar os olhos do pão com queijo - Estava ao quarto ao lado, ouvi a briga.
- Quem nessa casa não ouviu? Espero que não tenha escutado o que aconteceu depois, acho que esqueci de levantar as barreiras. - Nath se serve de café preto. Henri o olha sem expressão, mas vejo a fúria gritar nos seus olhos. Isso será um problema mais para frente - Ela queimou o teto, o carpete e um pouco da cama. Irmã - uma pausa dramática, ele arruma o lenço no colo pegando uvas no prato - Mer entrou me modo incendiária.
Cuspo todo suco que bebia. Anne faz o mesmo quando ri de mim, em seguida Arthur imita sem querer o ato. Lisa olha com reprovação para a mesa, por eles cuspirem nos pães quentes.
- Como?
- Eu não sei, foi antes da transferência. Foi a com magia dela. - Meu irmão morde uma uva.
MERDITH
Depois do café eu e Ame fomos para a sala, todos foram para acompanhar. Henri e Anne conversam alguma coisa, Chellepi me olha atenta e séria. Balanço a cabeça para ela, ela sussurra " Ok ".
Amélia segura meus ombros, imito ela. Aquela sensação é horrível, mas preciso sentir ela de novo. Nos preparamos, ela sussurra alguma coisa e mana prata escorre seus seus olhos e boca. Eles andam pelos nossos braços unidos e sobem meu pescoço, é viscoso. Entram em mim como minhocas, sufoco por 10 segundos. Nos soltamos, Ame senta no sofá e eu me apoio nos joelhos, Nathan passa a mão sobre minha costa como se eu fosse vomitar.
Os olhos da gêmeas que antes apreciam moedas de prata, agora estavam mais fracos, mesmo assim bonitos. Ela me passou menos força que Nathan, ainda assim é tão intenso quanto. Me sinto pesada, como se minerais realmente corressem pelas minhas veias, alguns hematomas aparecem na minha pele. No espelho do outro lado aí salão vejo meus olhos, prata e ouro misturados. Escuto os corações acelerados de todos da sala, escuto o coração dos funcionários, vejo o orvalho descer pela grama no jardim. Consigo me ver, ver a mansão de cima. Que merda é essa? Consigo ver minha mãe, ver a escola, ver a cachoeira. Vejo tudo.
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RYSTTON HERGREELY: O Livro Lunar
Ficção Adolescente[CONCLUÍDO] Rystton Hergreely é uma cidade pequena e isolada das outras. Um lugar movido por suas lendas estranhas. Um dia, gêmeos aparecem causando agitação na população, vários boatos mortos revivem - e não é só os boatos. Merdith é uma garota ce...