Capítulo 27 - Cobaias

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MERDITH

Na noite que machuquei Amélia, Nathan não dormiu comigo, nem na seguinte ou na outra. Desço para tomar café quando o encontro  no corredor, não estou com raiva - um pouco talvez. Ando mais rápido para passar dele.

- Vai continuar assim? - Nath me puxa pela cintura, a voz faz cócegas na minha orelha.

- Você que não apareceu no quarto para dormir. - me viro vendo mais de perto as olheiras. - Dormiu ao menos?

- Não direito, e não apareci no quarto porque não gostei da ideia de você ser uma cobaia também. Não sabemos nada sobre o que aquela coisa pode fazer com você!

Vejo a preocupação nele, Nathan nem e preocupa em esconder. Meu coração acelera e coloco a mão na sua bochecha. Ele diz sonolento:

- Sei que vai dizer "não" se eu pedir para não fazer isso. Então eu não...

- Shhh - coloco os dedos nos seus lábios - Eu consigo.

Nath apenas concorda e seguimos de mãos dadas para o saguão. Na mesa Amélia já estava sentada, ainda fico com raiva das ações que vão tomar. Mas ela está normal comigo, por isso, e só por isso, também passei desde ontem a me comportar normalmente.

- Bom dia, família - ela nos cumprimenta.

- Bom dia - eu e Nathan retribuimos

- Hoje sem falta na sala de serviços! Merdith, quero que aqueça a magia dentro de você. Se a poção for fatal, o que eu acho não ser, você  poderá se curar como te ensinei desde que me queimou - ela mostra o pulso enfaixado - Afinal, já está melhor.

- Que bom - digo com um sorriso sem mostrar os dentes - Entendi, aquecer a magia.

Depois do café foi tudo uma correria. Segundo Amélia, as cobaias estariam aqui 13:00. Nunca mais me lembrei da escola, nem dos meus amigos. Eles devem estar saindo da escola uma hora dessas. Faltam 20 minutos e Nathan aparece com duas crianças de na faixa de 7 anos...crianças...Três idosos e seis adultos, três mulheres e três homens. Querem ver qual o efeito em cada um. E eu, a décima primeira cobaia.

Na sala vejo todos os dez passarem para a escada obedientes. Nathan os encantou. Limpo as mãos no na saia igual de Amélia, - preta, jaqueta cinza longa e fina, uma blusa regata preta e botas de salto fino - estou suando mais que o normal. Claro, Mer, pessoas vão na melhor das hipóteses morrer. Pior se houver efeitos mais confusos.

- Vamos. Estão todos lá - Nathan diz da porta. Tiro a jaqueta e me teletransporto para a sala de serviço - está melhor que antes - quase me assusto com ele atrás de mim.

Nunca vim aqui fora aquela vez. Paredes de espelhos, tetos e chão bancos como marfim, mas sem instrumentos - brinquedos como os gêmeos chamam - só o sofá e uma mesa com o frasco de poção.

- Vamos dos menores aos maiores. Crianças primeiro. Nathan.

Ele faz movimentos com uma mão e elas estão conscientes de novo. Estarão conscientes? Mais divertido ao que parece para os dois. E para mim. De forma nenhuma, Mer. Seus corpos estão acorrentados como eu estive também. Amélia abre um frasco amarelo - com DNA de Leonizi - e o coloca até a metade em cinco copinhos diferentes. Não vamos usar tudo. Depois coloca metade deles em outros cinco copinhos.

RYSTTON HERGREELY: O Livro LunarOnde histórias criam vida. Descubra agora