Capítulo 31

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SEM REVISÃO

Não conseguia para de chorar, Eloy abraçava-me com força, tentando me consolar, mas isso não adiantava, a dor por mais leve que seja, estava ali, me atormentando.

Por mais que um lado meu diga que ele não mereça as minhas lágrimas, o outro lado, o humilde, o que tem compaixão, fazia-me chorar, fazia-me sentir por ele, pois eu não sou uma pessoa má, não sou rancorosa, sem falar que ele teve uma parcela importante em minha vida, pelo menos no início dela, e é esse Thiago que quero levar para o resto da minha vida.

Lembro-me dos longos minutos de choque em que fiquei ao compreender o que Eloy disse-me, a ficha não caia, pois a poucas horas ele estava ali comigo, pedindo o meu perdão e agora está morto.

Eu havia sentido por todo o tempo da nossa conversa como se ele estivesse se despedindo, isso foi um dos motivos que me impulsionou a perdoá-lo, só espero que agora ele esteja em paz e feliz.

- Vamos pequena- a voz do Eloy tira-me transe, fazendo-me perceber que o enterro chegou ao fim, que ele já estava a sete palmos do chão, tornando tudo real, ele se foi.

Permito-me ser guiada pelo Eloy para o carro, adentro o mesmo, com o coração pesado, encosto a cabeça no vidro da janela, olhando a paisagem, estávamos indo rumo a alcatéia, minha antiga casa, para poder  resolver as burocracias, infelizmente essas coisas tem que ser resolvidas logo. O que eu acho um falta de respeito, pois deveria ser permitido nós superarmos o luto, porém, quem sou eu para contestar o supremo?

A mão do Eloy toca a minha perna, olho para ele, seus olhos transmitindo apoio, é tão bom tê-lo comigo, não sei se estaria sendo forte sem ele ao meu lado, ele vem sido o meu pilar nesses últimos dias.

Ponho a minha mão sobre a sua e forço-me a dar-lhe um sorriso, para que saiba que apesar de tudo estou bem, que vou superar mais rápido do que ele imagina.

- Obrigada por está aqui comigo- ele desvia os olhos da estrada novamente por breves segundos.

- Jamais a deixaria sozinha em um momento como esse, sei que ele não foi o melhor pai do mundo, mas teve sua importância em sua vida e agradeço a ele por ter feito você, se não eu não lhe teria em minha vida- um sorriso surge em meus lábios, só Eloy para me fazer sorrir em um momento desses.

- Sim ele foi importante em algumas partes, e são com essas pequenas boas lembranças que quero lembrar dele- respiro fundo- mas as vezes penso que isso é obra do destino para que tudo ocorresse da forma corretaz talvez se a minha vida fosse perfeita, eu ainda não teria conhecido você, isso se eu fosse realmente conhecer- tento pensar pelo lado positivo de tudo que me aconteceu, aliás, eu poderia ter me apaixonado por um outro alguém e nunca ter dado uma chance ao Eloy, pois estaria feliz- ainda parece tão surreal para mim Eloy, ele estava falando comigo e depois descubro que morreu- Eloy só fazia me escutar, fiquei grata por isso, precisava desabafar.

Minha mente estava embaralhada, muitas coisas passando de uma vez por ela, todo o caminho pecorrido até aqui, passei os dois últimos dias caladas, sem comentar nada, só respondia o necessário, agora quis me abrir um pouco e Eloy está me respeitando, sendo um bom ouvinte.

- Me acha errada por sofrer a morte dele?- ele me encara, as duas sombrancelhas unidas.

- Não, é normal apesar de tudo, você é pura e bondosa Eleanor, sente compaixão, é normal sofrer um pouco- assinto e volto a olhar para frente, percebo que estamos chegando.

- Obrigada por me escutar- ele só dá uma pequeno sorriso e estaciona o carro em frente a mansão.

Olho na direção da grande casa, lembranças boas e ruins inudam a minha mente, não me imaginava voltando para essa casa algum dia, quando a deixei pensei que fosse para sempre.

Destinada A Um AlfaOnde histórias criam vida. Descubra agora