A Reunião

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O Volvo preto estacionou com a suavidade de um felino em frente à fachada espelhada da Bacardi, mas não foi Lauren quem atraiu os olhares. Um outro veículo, blindado e imponente, havia acabado de deixar sua carga preciosa: um homem de pele acobreada, vestindo um terno de linho creme perfeitamente cortado e um turbante vermelho-sangue que desafiava a monocromia corporativa de Miami.

Arjun Essel desceu falando ao celular, cercado por três guarda-costas que pareciam estátuas de granito vestidas de Armani. A cena tinha um ar de realeza exilada, uma mistura de tradição milenar e poder moderno que fez o saguão da empresa parar por um segundo.

Lauren, que buscava salvação em uma dose dupla de café preto na cafeteria lateral, observou a entrada triunfal. O café queimou sua língua, mas serviu para acordar os neurônios que o álcool havia anestesiado. Ela viu a recepcionista, uma garota nova e visivelmente apavorada, gaguejar diante do turbilhão de hindi e inglês carregado de sotaque que Arjun disparava.

Ajeitando o blazer e invocando sua persona executiva, Lauren caminhou até eles.

— Boa tarde. Parece que temos um pequeno choque cultural aqui. — Ela sorriu, aquele sorriso treinado que abria portas e desarmava tensões. — Precisam de ajuda?

Os seguranças a mediram de cima a baixo como se escaneassem uma ameaça, mas Arjun baixou o telefone, os olhos escuros brilhando com curiosidade.

— Supra bhaat! Me chamo Arjun. — Ele tentou, trocando para um inglês quebrado. — Reunião... Bacardi?

— Ah, o representante da Essel. — Lauren estendeu a mão, mas recolheu-a sutilmente ao lembrar-se de alguma etiqueta vaga sobre contato físico que lera em algum lugar. — Eu sou Lauren Jauregui. Bem-vindo. O senhor não fala inglês fluentemente?

A confusão no rosto de Arjun foi resposta suficiente. Ele olhou para os lados, buscando socorro, e murmurou algo para seus homens que soou como um pedido de tradução.

Foi então que o som de saltos firmes e ritmados cortou o ar, vindo da entrada oposta.

— Namaste, Arjun-ji! Aap kaise hain?
A voz era melódica, mas carregava uma autoridade tranquila.

Lauren virou-se e, por um breve momento, esqueceu o indiano.
A mulher que se aproximava era uma força da natureza. Alta, pele dourada que parecia reter o sol da Califórnia, e cabelos cacheados que caíam em cascatas sobre os ombros. Ela vestia um tailleur que gritava competência, mas caminhava com uma fluidez que nenhuma sala de reuniões conseguia engessar.

— Supra bhaat! — O rosto de Arjun se iluminou como se tivesse encontrado um oásis. — Dinah Jane!

— Sou a tradutora que vai impedir que o senhor cause um incidente diplomático ou se perca em Miami — ela disse em hindi, depois virou-se para Lauren, mudando para um inglês impecável e sem sotaque. — E olá para a futura chefe. Dinah Jane. Prazer.

— Lauren Jauregui. — Lauren apertou a mão estendida de Dinah, sentindo a firmeza do toque. — Hindi? Sério? Meu pai não me avisou que tinha contratado uma poliglota que parece ter saído de uma capa da Vogue.

Dinah riu, um som rico e genuíno.

— A Vogue não paga as contas, Srta. Jauregui. Mas traduzir contratos bilionários sim.

Ela voltou-se para Arjun, alternando os idiomas com uma facilidade vertiginosa, resolvendo a questão dos seguranças e do hotel em segundos.

— Vamos subir? — Dinah sugeriu, indicando os elevadores. — O tempo é dinheiro, e em rupias ou dólares, o Sr. Arjun não gosta de perder nenhum dos dois.

No elevador, enquanto subiam para o andar executivo, Lauren se aproximou de Dinah, baixando o tom de voz para um sussurro conspiratório enquanto Arjun e seus seguranças ocupavam a frente da cabine.

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