Mon Coeur

1.5K 96 16
                                        

A história de Lauren e Desiré não começou com um clichê, mas com um ritmo. Foi no Salsa Miami, entre o suor, o cheiro de rum e a batida sensual da bachata. Lauren, que frequentava as aulas mais para manter a sanidade do que pela dança em si, estava encostada no espelho, julgando silenciosamente a falta de coordenação de um turista, quando a viu.

Desiré Benoist havia acabado de aterrissar de Paris, trazendo consigo uma elegância que parecia deslocada naquele calor úmido da Flórida. Quando ela pisou no salão, o ar mudou. Ela não andava; ela deslizava, com uma postura que gritava ballet clássico, mas com um fogo nos olhos que pedia algo mais carnal.

— Quem é a escultura de mármore que acabou de entrar? — Lauren perguntou a Normani, sua professora e confidente, sem se dar ao trabalho de ser discreta.

— Desiré Benoist. Francesa. Chegou há dois meses. — Normani sorriu, percebendo o olhar predatório e encantado de Lauren. — Ela já sabe dançar, só veio para socializar. Mas cuidado, Jauregui. Essa aí parece que quebra corações por esporte.

— Eu gosto de esportes radicais — Lauren retrucou, bebendo um gole de sua água, os olhos fixos na francesa.

Normani, fazendo as vezes de cupido e agente do caos, facilitou a aproximação dias depois. A conexão foi instantânea, elétrica. Lauren, que costumava ser cética e reservada, viu-se desarmada. Havia algo na forma como Desiré a olhava — como se Lauren fosse a única pessoa na sala, a única pessoa no mundo — que derrubou suas defesas.

O namoro floresceu com a intensidade de um furacão tropical. Não era apenas amor; era uma simbiose. Elas eram a "Lauren e Desiré", uma entidade única que frequentava as melhores festas, viajava para ilhas exclusivas e dançava até o amanhecer.

A família Jauregui foi conquistada sem esforço. Clara via em Desiré a filha doce que equilibrava a personalidade tempestuosa de Lauren. Mas foi com Michael que a francesa criou um laço surpreendente. Ela ria das piadas horríveis dele, assistia aos jogos de futebol fingindo entender o que era um impedimento, e bebia cerveja com ele no domingo. Para Michael, ela já era da família.

O noivado foi a consequência natural. O pedido foi feito num iate, sob o céu de Key West, e o "sim" de Desiré selou o destino delas.

Ou assim parecia.

Os meses seguintes foram um borrão de degustações de bolo, listas de convidados e a euforia de construir um futuro. Mas, nas entrelinhas da felicidade, havia uma fissura crescendo. Desiré, apesar de amar Lauren, sentia-se diminuída profissionalmente. Ser a "noiva da herdeira da Bacardi" era um título pesado para alguém com a ambição dela. Ela queria ser Desiré Benoist, a executiva, não apenas a Sra. Jauregui.

A bomba explodiu numa terça-feira comum, que rapidamente se tornou o pior dia da vida de Lauren.

— Paris? — Lauren repetiu a palavra como se fosse um insulto, parada no meio da sala de estar do apartamento de Desiré.

— É a oportunidade da minha vida, Lauren. O cargo na LVMH. Eles me querem. — Desiré andava de um lado para o outro, gesticulando com aquela urgência francesa. — Eu não posso recusar.

— Nós vamos casar em quatro meses, Desiré! — Lauren riu, um som ácido e incrédulo. — Você espera que eu faça o quê? Cancele o buffet? Diga ao meu pai que a "filha" dele preferiu uma mesa de escritório na Champs-Élysées a nós?

— Não seja dramática! — Desiré parou, os olhos marejados. — Você pode vir comigo. Podemos viver em Paris. O mundo é nosso!

— O seu mundo, você quer dizer. — Lauren cruzou os braços, a postura defensiva e fria. — A minha vida é aqui. A Bacardi é aqui. Minha família está aqui. Você quer que eu seja o quê? Sua esposa-troféu que passa as tardes fazendo compras na Avenue Montaigne enquanto você brinca de executiva?

FRUTA PROIBIDA Onde histórias criam vida. Descubra agora