Quer uma salva de palmas?

6.4K 500 184
                                        

POV Liana Romano 

O voo foi tranquilo apesar de um projeto de ser humano berrar á cada cinco minutos e eu quase cogitar a ideia de explodir uma bomba em cima dos pais da cria. 

Estou esperando minha mala aparecer na esteira quando meu celular toca com o nome "Amigo Hard" na tela aparecer. Atendo e não digo nada. 

- Sei que já está no aeroporto, Raul estará te esperando próximo á saída principal. Ele está vestido com um terno azul marinho e muito provavelmente óculos escuros. Você não ficará em Roma, virá para Florença de carro com Raul. Nos vemos logo. - desligou. 

Encaro a tela do celular e bufo, e me pergunto mil vezes se estou realmente fazendo a coisa certa, caminhando em direção ao escuro sem saber o que ou quem me espera. Hoje me arrependo de não ter aparecido de surpresa nas reuniões de Hard, talvez eu soubesse quem este tal italiano é. 

Avisto minha mala e espero a mesma vir até a mim, a pego e vou em direção á saída principal, observando a Free Shop do aeroporto e as salas vips, em especial uma da Etihad toda em dourado e branco, parecia um palácio dentro do aeroporto. Me aproximando da saída principal observo um grupo de pessoas que com certeza esperavam seus parentes e amigos saírem daquele enorme corredor. 

No meio das pessoas um armário que com certeza tinha uns dois metros de altura em um terno que sem dúvidas era um Dolce azul escuro, óculos escuros e uma cara de quem comeu e não gostou. Caminhei até ele literalmente arrastando a minha mala. 

- Senhorita Romano. - ele disse com um aceno de cabeça e eu apenas sorri sem mostrar os dentes. Onze horas da noite não é um horário muito bom para se ter bom humor. 

Ele tira a mala de minhas mãos e começa á caminhar em direção ao portão que deduzi que dava para o estacionamento e eu apenas o segui com uma vontade súbita e louca de sair correndo. Afinal, quem nunca passou por uma ponte e pensou em se jogar?! Afasto estes pensamentos quando chegamos em frente á uma SantaFe preta que eu invejei demais. Apesar de motos serem minha paixão, alguns carros me chamam a atenção também. 

Raul abre a porta para que eu entre no banco de trás e rodeia o carro até o seu assento de motorista. 

- Iremos diretamente para Florença, precisa parar em algum lugar? - Raul pergunta. 

- Não, podemos ir. - digo da forma mais simpática que posso. 

O carro começa a se movimentar e eu resolvo colocar meus neurônios para trabalhar. Muitas pessoas queriam Hard morto, muitas pessoas me querem morta. A dupla imbatível de Nova York, a mercenária e o mandante. Eram assim que nos chamavam pelas ruas de Manhattam. Mas quem teria culhões o suficiente para matar Hard em sua própria casa? E porque esta pessoa não me procurou? Não me lembro de Hard ter inimigos pessoais, sempre eram apenas negócios. 

Me lembro de minha primeira recompensa. Luke Dodge, trinta e oito anos, estuprador, pedófilo e feminicida. Comprava meninas sequestradas para alimentar o seu prostíbulo. O delegado de casos especiais nos procurou, a ordem para ele era para ir até lá, resgatar as meninas e prender Dodge. Mas a polícia de Nova York não contava que o delegado não queria apenas prendê-lo. Este tipo de crime infelizmente iam á juri, e o acusado tinha chances no tribunal e não era isso que o delegado queria. Hard e eu concordamos que seria bom para mim, afinal minhas habilidades deveriam ser usada de alguma forma. Fechamos em trinta mil dólares, quinze para mim e quinze para Hard. 

Nunca foi tão prazeroso torturar alguém como naquela noite. Melhor do que condenar á vida de alguém, é deixar que o próprio diabo conclua o serviço, e foi exatamente o que fiz, só voltei ao galpão cinco dias depois para retirar o estrume e limpar o local. E ai se iniciou a minha carreira regada á sangue, dinheiro e acordos. 

GatilhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora