Como se eu fosse de vidro.

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POV Liana Romano 

Duas semanas haviam se passado após a fatídica Festa dos Fundadores. Pietro e eu havíamos conversado, ele meio que me pediu desculpas de uma forma bem sutil e eu aproveitei para arrancar informações sobre Gusteau. 

- Eu soube que seu pai trabalhou com Gusteau - suspirou - Quando Luca me contou que ele estava por trás do roubo das cargas, cheguei á mesma conclusão que você. É muito coincidência para ser apenas "acaso" - fez aspas com os dedos. 

Estávamos sentados na varanda dos fundos de frente para o bunker. 

- Eu juntei as únicas peças que eu tinha e concluí... - abaixei a cabeça respirando fundo - Por mais que as evidências estejam aí, pode realmente ser só coincidência, mesmo que no nosso meio essa palavra seja quase inexistente. - Pietro me olha. 

- Vamos descobrir, Lia. - colocou a mão em meu ombro - Quando assumi a responsabilidade de você vir para a Itália não foi por negócios, foi por proteção. Hard me livrou a cara de várias merdas, e cuidar de você era o mínimo que eu podia fazer por ele. - sorrio fraco e assinto com a cabeça. 

- Não que seja da minha conta mais... aquele dia, tinha acontecido algo com você? - pergunto - Digo, no dia que discutimos. 

- Paola comentou sem querer que você e Luca tinham voltado junto da boate, o resto eu apenas deduzi... - começou - Luca já sofreu demais por amor, Lia. O que aconteceu ele não podia impedir, mas infelizmente aconteceu e ele se fechou muito. - desabafou - O estado dele melhorou um pouco quando os pais de Ramon faleceram e ele veio morar com a gente, Luca voltou... á ser o Luca novamente, mas sempre com uma sombra no seu encalço. 

- Ele é uma pessoa boa... só é impulsivo e eu realmente não sei lidar com algumas reações dele. -- Pietro ri quando termino a frase. 

- Dê uma chance á ele, Lia. - olha para o bunker de onde está saindo Ramon e Luca rindo de algo - Sei que vocês não tem se falado muito, mas sei que ele está um porre nesses últimos dias. - diz aperta a mão em meu ombro e sai. 

Nessas ultimas duas semanas, fizemos algumas poucas missões e Pietro estava me ajudando a encontrar ligações com o Gusteau, afinal se aquela carga não chegou á ele, ele não vai parar até conseguir tirar Pietro do sério, que pelo o que eu pude ver é algo realmente difícil. De alguma forma a minha chegada na Famiglia afugentou muita gente, pelo o que eu entendi dos boatos que Paola me contou, ninguém queria irritar a Vadia Mercenária de Nova York. 

Ramon e Luca se aproximaram ainda rindo. Observei o bom humo raro de Luca, como Pietro disse, ele está um verdadeiro pé no saco ultimamente. 

- Lia! - era Ramon - Vamos em um racha hoje, que tal? - sugeriu. 

- Uau! Corridas ilegais e garotas seminuas. - digo me levantando - Porque não?! - começamos á entrar dentro de casa e eu senti o peso do olhar de Luca em minhas costas. 

- Então fechado, saíremos ás dez. - diz e pisca para mim se retirando em direção á cozinha. 

Ficamos apenas eu e Luca e digo com propriedade que este foi o nosso contato mais próximo depois da festa. Eu o encaro buscando algum tipo de reação negativa, já que é só o que eu tenho recebido quando ela demonstra claramente o quanto minha presença o incomoda. 

- Então... vai correr? - pergunta. 

- Talvez. - digo apenas e vou em direção á cozinha. 

Sou impedida por um Luca agarrando meu braço me forçando á olhá-lo. 

- Acho que não precismos fazer essa cena, Luca - digo - Somos adultos. 

- Tem razão. - observo seu maxilar travar e o mesmo engolir em seco - Desculpa por aquele dia. 

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