Que a verdade seja dita

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POV Liana Romano

- Eu vou te explicar tudo o que precisa saber.

Meus músculos se contraíram em um nivel completamente novo enquanto eu tentava explicar às minhas paranóias de que Hard parado à minha frente não era a droga de uma fantasma.

Mas óbvio que não estava funcionando.

Se Luca não estivesse segurando meu braço com certa força, eu juraria que estava em algum tipo de inferno particular, não que eu já não esteja em um, mas como se fosse aqueles depois da morte mesmo.

- Fale.

Foi a única coisa que consegui dizer, desesperada por respostas e a necessidade de aplacar a raiva que crescia dentro de mim. Eu literalmente joguei Hard na fogueira o que posteriormente explicava as enromes manchas rosas e defeituosas pelo seu rosto e os braços expostos.

- Eu sei o que está pensando e sim. Você me queimou. Na nossa mansão em Nova York.

- Sua mansão. - corrigi.

- Certo, minha mansão. - coçou a garganta - Há quase um ano atrás eu me meti com gente barra pesada. Pessoas da máfia - olhei para Pietro desconfiada - Ameaçar chegar até você e para isso eu precisava fugir ou dar um jeito para que eu sumisse.

Senti que estava começando à hiperventilar.

- Quando você me encontrou, jogado no chão e "morto" - fez aspas com as mãos - Eu havia ingerido uma forte quantidade de antidepressivos associados à choques manuais para PCR*.

- Quem fez? - choques manuais não podem ser feitos por si mesmo.

- Shelby.

Interessante. Oliver Shelby era o cliente mais antigo de Hard, sempre se metia em confusão e Erik que resolvia seus pepinos, eu deveria ter me lembrando desse francês.

- Eu devo ter ficado apagado por umas doze horas, pois quando tomei os remédios eram antes de onze da noite e só acordei no outro dia no meio do fogo.

Faz sentido levando em consideração que peguei o vôo para Itália por volta das nove da manhã.

- Precisei fazer isso para que você pudesse sair de Nova York e as pessoas não descobrissem seu paradeiro, mas... - fez um pausa longa - As coisas estão um pouco complicadas agora.

Não contive a risada sarcástica que escapou de minha garganta.

- Claro que as coisas estão complicadas, Erick - revirei os olhos - Porque é assim que você faz, é dessa forma que você funciona. - meu tom aumenta à cada palavra - Quando a bomba explode, você resolve pedir minha ajuda. Sempre foi assim, porque agora seria diferente?

Minhas mãos tatearam o cós de minha calça em busca da minha brilhante dourada, que por sorte do homem à minha frente, não estava no coldre. Observei seus olhos arregalaram lentamente enquanto ele deduzia o que eu estava tentando fazer.

- Não pode simplesmente aparecer quando bem entender. - me aproximo dele - As coisas estão diferentes agora, Hard. - uma nota de deboche ao pronunciar seu nome - E por mais que você queira explicar algo, não falou porra nenhuma. E eu não tenho mais tanto autocontrole quanto antes, e não tenho mais a mesma misericórdia, então a não ser que você tenha motivos plausíveis para ressuscitar, pode se considerar um zero à esquerda na minha vida.

Erick me olhava com cara de quem estava vendo o próprio demônio e posso entender o porquê. Eu nunca, nunca mesmo, havia usado meu tom imponente com ele, afinal éramos uma família não é? Não. Não éramos. Descobri isso à partir da pequena mentira de que eu não fui encontrada na rua.

- Eu e Pietro trabalhamos juntos durante muito tempo. Tudo corria bem, até algumas cargas começarem à ser roubadas perto demais dos destinos finais - suspirou - Investigamos e descobrimos sobre Gusteau - olhei para Pietro que estava de cabeça baixa - Então surgiu o plano, eu me infiltraria na vida do velho e arrancaria o máximo de informações possíveis. Mas eu fiz merda... - passou uma das mãos pelo rosto, cansado - Carolina Veers foi a minha merda. Não contava com a sua presença constante na casa de Gusteau e definitivamente não estava preparado para o que veio à seguir.

- Vocês treparam - não me controlei.

- Sim... E não só isso - completou - Nos envolvemos demais e fugiu do nosso controle, mas aí começaram as ameaças de vinganças pelas minhas recompensas e tive que forjar minha morte...

- Seja direto, Hard. - pressionei.

- Tudo bem.. - fez sinal de rendição - Ela sempre soube do plano, mas eu como um assassino profissional não poderia confiar em ninguém, então, tive que jogar uma isca. - suspirou - Uma noite após chegarmos de um da eventos anuais, demorei para dormir e conseguir ver quando Carolina se esgueirou para o quarto de Gusteau e ali tudo caiu por terra. - seus punhos cerraram - Uns dias depois disse à ela que havia modificado o plano, ela sempre soube que tinha você na minha vida, e disse à ela que eu tentaria fugir, mas, se você aparecesse por aqui significava que eu realmente estava morto. E ela, aparentemente mordeu à isca.

- Ainda não tô entendendo onde que eu me encaixo nessa merda. - franzi a boca me encostando na parede já não me aguentando em pé.

- Algumas ameaças que eu recebia eram sobre você, acho que ela pensa que a minha morte é culpa sua.

Comecei à gargalhar. Aquilo era de longe a maior idiotice que já tinha ouvido na vida, não fazia um pingo de sentido e não tinha coerência o que Erick me contou com o que Fergus descobriu sobre Carolina e Gusteau. Mas então, como se o destino me desse um tapa forte as peças começaram à encaixar e minha risada foi morrendo ao passo que meu coração parecia bater na minha garganta.

- Ela quer matar o Luca. - pronunciar aquelas palavras fora mais difícil do que resolver o enigma.

- Impossível, ela não seria tão baixa. - Erick diz.

- Faz todo o sentido. - digo - Pensem comigo, ela está de todas as formas tentando se aproximar de Luca, e o seu interesse em meu desaparecimento não é contentamento, é nervosismo - ganho a atenção de todos presentes - Ela quer que eu veja e que eu esteja aqui quando consumar seu plano mirabolante. Ela não está feliz que estou "desaparecida" - faço aspas com os dedos - Ela está irritada e desesperada, enquanto eu não aparecer, ela não pode concluir seu plano.

- Lia, ainda não faz sentido para mim. - Luca diz.

- Vou resumir - respiro fundo - Ela quer te matar porque acha que a culpa é minha de Erick ter morrido. - coço a nuca - Para ela, nada mais que justo que, eu tenha o mesmo fim que ela teve. Ela estava apaixonada.

Nós não sabíamos, mas ali, era o estopim da guerra. Motivações já tínhamos, mas aquela foi a cartada final, a venda retirada dos nossos olhos e nossa posição estava automaticamente declarada. Não deixaríamos ninguém tocar em Luca, e eu ainda daria um jeito de arrebentar a cara branca de Hard.

Ninguém encostaria na minha família, nem mesmo a puta da Carolina.

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PCR: Parada Cardiorrespiratória

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