Criada e treinada especialmente para matar, Liana Romano é contratada para auxiliar Pietro Ricci, chefe da Cosa Nostra que precisa de alguém para fazer o serviço sujo por ele. Apesar da máfia Italiana ser conhecida por sua crueldade, Pietro queria m...
Já faziam cinco horas que estávamos trabalhando incansavelmente. Fergus deslocou uma equipe de confiança para as investigações via satélite e internet e colaboradores para ajudar a montar o quebra-cabeça, Liana tinha uma convicção inabalável que Carolina está neste jogo sujo, eu por um outro lado estou duvidando um pouco...
É fato que as teorias de Lia são boas, mas essa perseguição com Carolina está cavando um buraco fundo nas suas idéias.
- Lia... eu acho que não tem nada a ver. - disse pela centésima vez na noite. - Nada aqui liga à ela. - gesticulei para os papéis na mesa à nossa frente.
- Tudo bem. - se deu por vencida, bufando irritada, o que me fez crer que ela não vai desistir tão cedo.
Todos no local pareciam esgotados, cansados, prestes à dormir em cima dos equipamentos. Ramon já não falava mais nada há pelo menos duas horas, meu pai andava de um lado para outro. Fergus se deslocava entre um monitor e outro pela central improvisada conversando com os hackers. A equipe de preparo já se via sem opções. Nosso plano não tinha uma cabeça, uma porta de entrada pois não tínhamos provas convictas de nada, apenas de que Gusteau estava fraudando os negócios de meu pai, o que ele mesmo teria que resolver então estamos andando por um caminho incerto em direção à lugar nenhum.
Olhei para Lia novamente e ela estava com a cabeça jogada para trás numa poltrona num canto escuro da sala, e mexia desconfortável mente o pescoço respirando fundo. Liana está sendo a mais afetada nesta situação, foi atacada brutalmente e nem sabe o exato porque, além do mais, à essa hora ela estava morta aos olhos de todos os nossos conhecidos.
- Com licença, senhores. - disse me retirando de perto da mesa.
- Olha... vamos entrar, já está bem tarde - falei assim que me aproximei dela - Você ainda está machucada e mal comeu hoje. - coloquei uma de minhas mãos em seu joelho agachando em sua frente. - Por favor, Lia. Não estou aguentando te ver nessa situação. - fui sincero, eu realmente odiava vê-la assim.
Lia me olhou e pareceu ponderar, até que respirou fundo e seus ombros amoleceram.
- Tudo bem... - disse apenas e se levantou junto comigo.
Caminhamos para fora do bunker em silêncio, a mansão estava com as luzes apagadas, provavelmente Rosa já tenha ido descansar, ela trabalhou muito hoje, considerando que fez comida para um batalhão.
Subimos para o seu quarto e vi quando Lia se jogou na cama, completamente exausta. Sorri com a visão.
- Nada disso, dona Lia. - dei dos toques em sua perna - Vem, você tem que tomar um banho. - disse e ela levantou a cabeça me olhando com uma sobrancelha arqueada e bufou derrotada.
- Tudo bem, tudo bem. - tentou se levantar mas soltou um grito alto de dor. Me contorci com o som.
- Vou te ajudar. - agarrei sua cintura e sustentei suas costas elevando seu tronco ouvindo ainda seus gemidos baixos e dolorosos.
- Os efeitos do remédio devem ter passado... - disse tentando respirar - Parece que quebraram todos os meus ossos. - apoiei seu braço em meu pescoço e caminhei com ela até o banheiro, a sentei sob a privada fechada e comecei a retirar suas botas, seguido por sua calça. E juro que foi a coisa mais difícil que fiz em anos, Lia era linda. Absolutamente perfeita e eu estava criando sentimentos fortes por essa mulher, tirando o fato de que a nossa noite de sexo foi a melhor que tive em minha vida.
- Levanta os braços - ela ergueu com uma careta e eu tirei sua jaqueta e sua regata revelando seu corpo completamente machucado.
Enquanto eu ligava o jato da banheira Lia tirou suas facas, seu coldre e as luvas. Cada gemido seu retraia meus músculos, e a cena daquele crápula batendo nela se repetia várias e várias vezes enquanto eu não podia fazer nada.
- Vem... - a sustentei novamente e a ajudei à entrar na banheira.
Quando suas costas se chocaram na porcelana, outro grito saiu de sua garganta e eu quis me bater por ser um dos causadores de seu sofrimento.
- Obrigada... - sussurrou. Eu apenas assenti com a cabeça e eu fiquei ali, olhando para ela que estava com os olhos fechados.
- Lia... nunca vou me perdoar por você estar nesse estado. - disse pousando minha mão em seu joelho elevado no meu da água.
Ela me olhou e vi um lampejo de tristeza e dor, não sabia que ela estava tão frágil assim e aquilo me destruiu.
- O que dói mais, é que... - abaixou a cabeça - Não sei em quem mais acreditar, a pessoa que me criou por toda minha vida mentiu para mim, de uma forma bem tosca, mas mentiu. - levou as mãos ao rosto - Parece que todos os meus atos se personificaram e resolveram que é a hora de me atacar. - esfregou a pele sob as palmas - Meus sentimentos estão tão confusos e eu nem sabia que podia tê-los. Estou vivendo um turbilhão de coisas, Luca, um verdadeiro trem desgovernado cheio de merda e sangue. - uma lágrima fina desceu sob sua bochecha e eu me apressei à limpá-la.
- Não seja tão cruel consigo mesma. - aproximei meu rosto do seu e ela me olhou com os olhos vermelhos - Coisas acontecem porque tem que acontecer - repeti à frase dela de hoje mais cedo. Ela deu um sorriso bem fraco e eu aproximei nossos rostos a beijando docemente. Este era o primeiro contato realmente íntimo que tínhamos desde a Celebração.
Suas mãos se elevaram em cada lado do meu rosto e eu nunca me senti tão bem. Segurei suas mãos juntas em um casulo.
- Estamos juntos nessa, mi amor - sussurrei contra seus dedos olhando em seus olhos - Nessa e em outras que vierem. - beijei o pequeno casulo e me levantei. - Me chame quando quiser sair daí. Vou buscar algo para a dor. - levantei, beijei sua testa e saí do banheiro sentindo meu coração aquecido e cheio.
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