Capítulo 30

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Não pode ser um amor perdido que nunca vou ter de volta, podemos recuperá-lo, ele será o único e não o que me escapou, mas agora

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Não pode ser um amor perdido que nunca vou ter de volta, podemos recuperá-lo, ele será o único e não o que me escapou, mas agora... eu preciso voltar.

Não consigo escapar do gosto dos seus lábios, ou te tirar dos meus pensamentos assim como no dia em que o conheci. Eu vejo as mensagens que enviou e pacientemente olho em volta para o mar de pessoas indo e vindo, prontos a encontrar seus destinos ou tristes pela despedida.

Com uma bagagem de mão relembro claramente quando cheguei para essa doce jornada, Ray não entendeu ainda minha decisões e se for completamente verdadeira nem eu ao menos entendi, sinto apenas essa necessidade intensa de voltar.

Poderia ter mudado meu vôo e seguido os planos, aproveitado mais alguns dias, ter sentado para conversar, mas dessa vez meu drama venceu, ou ao menos essa é a desculpa que estou usando para mim mesma.

- Ana! - Sua voz soa quase aliviada. - Você está em casa? Estou preocupado.

- Eu estou voltando. - Digo tentando soar controlada.

- Voltando? - Confuso consigo imaginar claramente ele em minha frente com o celular no ouvido.

- Pra Nova York, meu vôo já vai sair.

- Como assim voltando Ana, não vai se despedir? Foi pelo que aconteceu? - Sei que minha voz vai sair trêmula.

- Eu te amo. - Afirmo com certa emoção. - Quero ficar com você e não estou desistindo disso, mas não posso ter dúvidas de que isso vai funcionar com a distância, preciso ter certeza que não vou ser pega de surpresa e qualquer coisa que eu deva saber saberei por você, que serei a primeira pessoa a saber dos seus planos, seus medos, que você está nisso independente de onde estivermos.

- Ana... - O interrompo pois preciso terminar.

- Vou te avisar quando chegar, não deixarei de responder suas mensagens e sei que nos encontraremos logo, mas agora eu preciso ir pra casa. Filip, eu preciso me sentir segura e saber que tenho pra onde voltar. - Solto um suspiro longo. - Termine seus compromissos, sua temporada, e pense no que quer fazer.

- Eu te amo. - Sorrio com isso, sua voz não está controlada e sei que estou jogando coisas demais em cima dele do simples nada.

- Se concentre em acabar a temporada. - Escuto chamarem e preciso entrar. - Preciso ir, te aviso quando chegar.

- Não me esqueça ok, nós vamos nos ver logo. - Diz e sorrio, sei que não é o melhor jeito mas ainda esperava que ele me entendesse.

- Não vou, tchau Filip.

- Se cuida querida.

Desligo a chamada ainda olhando para a tela do celular, penso se estou errando e deveria dar meia volta nesse instante.

- Pronta? - Olho para Ray e aceno, sim, nesse momento eu quero colo e preciso dele.

- Vamos!

[...]

Após uma noite virada, muitas malas arrumadas e coisas a serem resolvidas, uma hora e meia de espera, mais de oito horas cansativas de vôo mais cinquenta minutos de carro consigo finalmente chegar em casa.

Meu sorriso se abriu grandemente no momento em que abri a porta sendo recebida pela minha família, a saudade é uma coisa simplesmente inexplicável, não é possível descrever como foi estar longe dessas pessoas que me amam e não me abandonam nem nos melhores ou piores momentos.

Nunca fui a pessoa que quis ir embora logo, ser independente e fazer uma faculdade do outro lado do país, gosto de estar próxima das pessoas que eu amo, ter eles comigo num dia qualquer da semana é a minha maior benção.

Por algumas horas pude apenas focar neles, saber como andam suas vidas, abraçá-los, dar e receber carinho, poder jantar juntos, brincar, implicar, me divertir como uma garotinha.

Sentada no tapete da sala com Christian dormindo com a cabeça no meu colo vejo o quanto ele cresceu nesses últimos meses, termos perdido um dos pais logo cedo na vida acabou nos conectando de algum modo, estar rodeada deles e saber que não estarei sozinha está noite era o que eu precisava.

Passei os dias seguintes respondendo mensagens de onde estava, apenas dizia que precisei voltar antes do combinado, mas que iríamos nos encontrar em algum momento.

Contei apenas por cima o que tinha me foi tomar a decisão de retornar, ao menos para minha família, de Charlie e Ray não consegui esconder muita coisa, em certo momento eles entenderam, não sei se concordaram cem por cento mas não falaram nada, apenas deixei claro que meu relacionamento não tinha acabado.

Retornar a uma rotina aos poucos era confuso, apesar de ter continuava trabalhando enquanto estudava fora é diferente quando se tem um escritório para estar. Não era lá grandes coisas, nem um prédio ou algo do tipo.

Sentimos a necessidade de ter uma sala comercial e a pouco mais de um ano e meio atrás conseguimos comprar uma a poucas quadras de onde moramos, era pequena com uma entrada que ligava a três salas - lê-se cubículos - e uma sala de reuniões separada, mas era nosso.

Nós últimos meses tive de certa forma uma procura para certas propagandas, parcerias, não era a pessoa de publicar tudo, juntando ao meus antigos trabalhos como modelo certamente me tornei mais interessante a certos olhos do ramo.

Então estava empilhadas atrás de reuniões, leituras de contratos, pesquisas, me inteirando do que ocorreu enquanto estava fora, não tinha muito tempo livre mas fazia o máximo para cumprir o prometido e continuei a trocar muitas mensagens com Filip que permanecia um eco constante em minha mente.

Ele estava chateado pois tinham participado da semifinal da temporada mas não se classificaram, acho que em poucos dias ele entraria de férias, mas não perguntei.

Pouco mais de uma semana depois estava na cozinha de casa com meus melhores amigos, estávamos com uma lasanha no forno, uma bagunça que estávamos tentando limpar e três vinhos no balcão, um já sendo consumido e quase no fim.

Não sei em que momento estávamos dançando e cantando na sala, admiti sentir mais falta do que imaginava desses momentos.

Em certo momento Ray estava rodando sua camisa no ar como se fosse o proprio magic mike, Charlie focará o quarto com o celular em mãos provavelmente fugindo do barulho.

Sentada sozinha com meus pensamentos olho minha camisa que sei ser dele, trouxe junto a alguma outras coisas que o pertence.

Sinto sua falta.

No dia seguinte poderia dar a desculpa do vinho pra lhe enviar, mas sim, sinto mais falta do que gosto de admitir, parece que tenho esse costume. Ao menos sei em que momento comecei a chorar, mas a bebida humilha amigos, e muito.

[...]

- Deveríamos ter esperado para comemorar hoje e não encher a cara antes de um dia importante. - Assumo por que apenas um bom banho gelado, remédio e muito café para me tornar receptiva hoje.

- Vocês acordaram igual aquele cara que ficava no bar no caminho da escola. - Ray fala já dando gargalhada, era um bêbado que batia ponto sempre no mesmo lugar, passar ao lado dele era sentir o fedor do álcool.

- Filho da mãe. - Xingo já lhe dando um tapa no braço.

- Como se você não tivesse dormido no chão morto de bêbado. - Charlie fala sorrindo e continuamos a nos implicar pelo caminho mas todos sorrindo felizes.

Tivemos uma reunião muito esperada que foi exatamente como nós almejavamos, estava quase em estase. Mal sabia que o que me surpreenderia ainda estava por vir.

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