Capítulo 29

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Dizem que devemos confiar em nosso instinto mas acho que o meu está quebrado, no fundo eu poderia ter a espera que estávamos destinados a ser

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Dizem que devemos confiar em nosso instinto mas acho que o meu está quebrado, no fundo eu poderia ter a espera que estávamos destinados a ser. Eu espero apenar ser o suficiente, ser a única.

Parada em sua porta posso escutar uma música melancólica no fundo da minha cabeça, talvez seja apenas o meu lado dramático falando, mas quando ele se junto ao meu eu cheio de traumas e medos uma coisa pequena se transforma eu algo monstruoso em minha mente.

Eu tinha dois caminhos a seguir, poderia enfrentar de frente o que quer que fosse o que eu vi, ou poderia voltar correndo, pegar o primeiro voo e ir embora de uma vez.

Fiz meu caminho normalmente a alguns minutos atrás, entrei com a chave que me foi dada e estava tranquila, até que curvei para o corredor do seu apartamento e o vi, era um pouco impossível de não ver, ele estava parado na porta e uma moça a sua frente o escalando praticamente.

O mesmo pé que foi para frente retornou violentamente e apenas fiquei parada por alguns segundos, conseguir escutar sua voz ecoar ao longe, parecida com um o que pensa que essa fazendo, mas inconscientemente eu retornei, passo a passo voltei pelo mesmo caminho até parar no meio fio e conseguir respirar novamente.

Massageei com o punho fechado por sobre o peito sentindo como meu coração estava acelerado, parecia que uma dor surda começará a surgir sem ao menos conseguir distinguir de onde ela iniciará.

Minha mente seguiu caminhos dispersos sobre que reação eu deveria ter tido de imediato, talvez eu precisasse ter seguido o caminho e feito um escândalo, ou tivesse realmente que correr o mais rápido para a maior distância.

Mas consegui apenas ficar paralisada no tempo.

Quero pular direto para a parte que não dói, voltar para quando estávamos com uma bagagem nas mãos cometendo a loucura de um vôo sem destino, dançar juntos sobre as luzes da cidade do amor ao som de um musico local no meio do caminho.

Estou congelando por dentro mas ficar pensando em possibilidades não me dará qualquer resposta, então apenas refaço meu caminho, bato a porta e espero.

- Ei babe. - Sorri debruçando para me beijar mas desvio para alcançar meu rosto.

- Oi. - Tiro minha bolsa dos ombros e sento no canto do sofá quase encolhendo-me nele, temendo observar algo a minha volta e encontrar.

- Tudo bem? - Questiona sentando a minha frente.

O que está acontecendo? Nunca entendi bem por que em algumas cenas as pessoas em romances ficam quietas e não abrem a boca para contar aos quatro cantos o que sabem, mas estando aqui agora parece que as palavras não alcançam minha boca, nem sei se consigo abri-la direito.

- Sim. - Afirmo apenas. - E você?

Talvez agora ele fale, por que o meu medo real não é ter acontecido alguma coisa, pelo pouco que ouvi parecia que estava bravo e se distanciando e não algo amigável.

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