REESCRITA E COMPLETA
Um momento pode te levar ao inferno e não querer mais sair dali? Um único momento pode decidir toda sua trajetória?
Ana Clara Monteiro acredita que sim. Mesmo sendo confiante e destemida 95% do tempo, ela tem aqueles 5% que em s...
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ALGUNS MESES DEPOIS
Coloco a foto no porta retrato pensando em onde colocá-lo, provavelmente no aparador próximo a mesa de jantar, o lugar carece de decorações pois não nos decidiamos.
- Cheguei. - Exclama já adentrando porta a fora com algo em mãos. - Trouxe umas coisas.
- Passou onde? - Questiono o beijando enquanto me aproximo para ver o que trouxe e nem pisco para a mochila sobre a mesa, se ele não tirar em cinco minutos sabe que vou me estressar.
- Naquela doceria que gosta, trouxe torta e um doce novo que tinha no cardápio. - Me animo só de pensar já sorrindo.
- Essa é ótima. - Já quero abrir e comer.
- Sei que está nervosa, quer comer agora ou na volta? - O abraço de lado pensando na opção.
- Um agora e outro depois.
- Ótima escolha. - Rimos pois sempre, sempre, sempre que íamos a alguma lugar, jogo, festa, reunião que fosse de noite voltávamos para casa e comíamos alguma coisinha.
Eu acho que minha vida nunca esteve tão movimentada e radiante ao mesmo tempo, os últimos meses foram um borrão.
Entre reuniões, reformas, entrevistas e mais entrevistas com a equipe antiga do hotel para saber quem continuaria e quais mudanças faria mais sentido, emcaixei no meio de tudo isso uma mudança e o apartamento que antes era meu passou a ser nosso, estamos noivos com o intuito de construir uma vida juntos, morávamos no mesmo lugar por semanas quando nos encontrávamos, então o processo foi natural para dividirmos o mesmo teto.
As férias foram ocupadas de um jeito bom pois era o início de tudo e não nos importamos, teríamos muitas oportunidades para viajar e aproveitar. Filip foi anunciado na semana seguinte do pedido de casamento, ele contou a poucas pessoas antes de ser noticiada.
Seus pais ficariam entre Barcelona e Nova York agora, pois ele não contrataria outra pessoa para tomar conta de sua carreira, felizmente não era preciso estar na mesma cidade pra isso, mas entendo que em algum momento precisaram ter um lugar deles na cidade para poderem se sentir a vontade. Em contrapartida partida Stefano está planejando se mudar também, ele trabalha com outros jogadores mas principalmente com Filip junto do Senhor Gustav, então pra ele faria sentido a mudança, não abri minha boca mas sei que ele e Charlie mantiveram contado mesmo após todo esse tempo e já se viram sozinhos muitas outras vezes, aparentemente algo entre amizade e casual, morando na mesma cidade quem sabe o que pode acontecer.
Quando conseguimos finalmente ajeitar a mudança Filip se apresentou a equipe do New York Knicks antecipadamente para poder fazer toda a preparação, exames, reuniões com toda a equipe médica, técnica, diretoria, marketing e se alinhar ao time antes da temporada começar.
Em suas palavras foi estranho aprender a jogar com o estilo de outras pessoas, mas que conseguia se encaixar pouco a pouco, apesar de sentir falta das pessoas seus amigos continuariam sendo seus amigos, a diferença agora é que poderão ter entradas na NBA, de acordo com Elisa ela já está preparada e pretende comparar a agenda de jogos para saber quando poderá vir com Javier.
Apesar de serem semanas muito movimentadas nós nos deitavamos pela noite na nossa cama sentindo realização em cada etapa, feliz em dormir e acordar nos braços um do outro sem precisar de um até logo ou adeus.
[...]
Cumprimento a todos com sorrisos e continuo a andar, meus pés já estão doloridos mas prossigo realizada, estamos em nossa inauguração intimista até certo ponto, quando se é noiva de alguém como Filip certos convites são obrigatórios a ser feito e esse é o por que de ter muitos homens enormes nesse espaço e querendo ou não conhecidos. Junta isso a morar dentro de Nova York em que você conhece sempre quem namore alguém importante, seja parente dessa pessoa, amigo, conhecido, ou seja a pessoa importante em si, então sim, tem muitas ditas pessoas importantes por metro quadrado no momento, o que de acordo com meu marketing - lê-se Charlie - é absurdamente bom.
Uso um vestido incrivelmente bonito mas discreto o suficiente para a ocasião, tenho minha família presente e amigos importantes, os antigos donos estão presentes e parecem gostar das mudanças, fiz um discurso legal sem querer falar nada emotivo ou ficar nervosa o suficiente para esquecer tudo e sigo cumprimentando a todos.
- Que bom que conseguiu vir. - Digo assim que o vejo e seu sorriso é de felicidade o que me alegra.
- Não perderia por nada. - Nos abraçamos apertados. - Um bom nome.
Me afasto pensando que esse nome foi decidido a tantos e tantos anos atrás, chegava a ser estranho pensar que algo assim estava sendo realizado.
llianas grand hotel
Um nome peculiar, diferente, anotado numa caderneta a uns sete anos atrás junto a milhares de rabiscos, na época a mistura Steve e Ana era muito clichê, Steve Willians parecia nome artístico, então usamos o Willians e Ana, meio ridículo na época, assumo, mas apesar de querer colocar apenas Willians esse não era o plano e decidi mantê-lo, era um pedaço importante dessa história.
- Eu queria agradecer tanto por ele ter compartilhado isso comigo, por ter feito isso ser um sonho nosso, e odeio que ele não esteja vendo isso se realizar, odeio que a vida simplesmente... - Suspiro irritada de certo modo, mas o homem a minha frente sorri enquanto eu as vezes ainda tenho raiva por ele não poder ver nada disso.
- Gosto de pensar que está, em algum lugar meu filho está te olhando daquele jeito bobo desde quando era adolescente e feliz pela sua vida. - Seguro certa emoção com suas palavras.
- Obrigada. - Nos despedimos sabendo que ora ou outra voltaremos a nós encontrar, nunca sairemos da vida um do outro e sou feliz com isso.
- Está tudo bem? - Filip me encontra em dado momento e sorrio mas falando a verdade.
- Um pouco esgotada emocionalmente, precisando de ficar embaixo do chuveiro por um bom tempo sem pensar em nada. - Admito pois somente falar isso vai o fazer entender como me sinto, por hoje isso basta e amanhã minha psicóloga que trabalhe para me fazer falar.
- Logo poderemos ir e faremos exatamente isso, depois podemos comer torta mas não conte pra ninguém. - Solto um riso pois sua dieta não permite mas sei que vai comer ao menos um pedacinho.
- Combinado... você está um gato amor. - Ele está clássico com um terno preto bonito, cabelos bem penteados em vez da bagunça normal e a barba do tamanho exato que eu gosto que ele use.
- Caprichei pra você. - Solta uma piscadela me animando de certo modo, tirar minha cabeça de certas situações parece ser sua arma secreta ou sua missão. - Mas você está muito mais.
Demos um beijo rápido e seguimos a noite, pois apesar da minha mente estar de certo modo um turbilhão de pensamentos constantes, eu tenho pessoas para falar, marketing para fazer, fotos para tirar, e uma noite importante para finalizar.