Capítulo 23

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Filip me puxou para perto e me abraçou como nunca antes, ficamos por minutos abraçados chorando um no ombro do outro

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Filip me puxou para perto e me abraçou como nunca antes, ficamos por minutos abraçados chorando um no ombro do outro. Relembrar a pior dor da minha vida era terrível, mas ali tive a certeza, meu coração despedaçado acelerou por ele, sei que é importante pra mim. Se quer continuar e fazer parte da minha vida tem que saber os traumas que ainda não estão totalmente superados, mas estou nesse caminho.

- Como conseguiu Ana? Como conseguiu suportar tudo isso e se tornar essa mulher incrível? - Apoiei minha testa na dele fechando os olhos.

- Eu tive ajuda. Charlie, Ray, minha mãe e meu padrasto nunca me abandonaram, foi nessa época que comecei a correr. Quando Ray via que eu ia piorar ele me levantava da cama, me ajudava a trocar de roupa e me puxava pra rua. Corríamos até onde tinha espaço suficiente pra eu gritar e chorar minha dor. Dia após dia foi ficando mais fácil. - Me separei para olhá-lo melhor.

Na realidade tinha dias que Ray precisava trocar minha própria roupa e jurar me carregar nas costas para que eu anima-se de ao menos colocar o pé do lado de fora de casa.

- Meses depois quando estava melhorando comecei a seguir meu caminho e meus sonhos como Steve sempre desejou pra mim. Me mudei pra Nova York como nossos planos, foquei apenas em trabalhar e me reerguer, o tempo foi passando e chegou o primeiro ano do acidente, foi literalmente um inferno na terra, então comecei a terapia e tudo começou a desandar lentamente.

" Uns dois anos depois estava bem melhor, então fizemos uma viagem pela Europa, era meu presente da vida de volta. Hoje fazem exatos quatro anos do acidente e tento viver intensamente cada dia para nunca me arrepender de estar aqui. Passei a viajar, nunca querer conhecer ninguém profundamente e nunca passava de casos. Me blindei contra o mundo, mas ainda sim tenho pesadelos e as vezes tenho esses "surtos", mas cada dia é melhor que o outro.

- Não sei se conseguiria passar por isso, você foi incrivelmente forte e tem sorte por todos que estiveram como você. - Afirmei com a cabeça, pois com certeza se fosse sozinha teria desistido.

Minha vida mudou completamente e eu mal tinha entrado na vida adulta, ali meus olhos se partiram para os contos de fadas, meu final feliz estava nas minhas mãos para segundos ser tirado de mim tão abruptamente.

Questionava os céus o por que tudo aquilo ter acontecido e ainda hoje não sei, acho que nunca saberei e tenho que estar ciente disso em vez de procurar o por que.

- Como ele era? - Perguntou após um silêncio enquanto permanecemos ali naquela banheiro, molhados sentados lado a lado.

- Steve era um sonhador, ele tinha muitos planos e me incluía em cada um deles, tinha toda uma vida traçada em sua cabeça. - Sorrio pois era esse seu charme que me encantava. - Nós nos vimos passar a fase estranha de adolescentes e apesar de não parecer ele era muito nerd, ia em festas para me acompanhar por que se dependesse dele ficaria em casa ou sairia para comer.

- Você também é um pouco nerd. - Comenta.

- Talvez era isso que chamava a atenção dele. - Brinco pois sei que era uma das coisas, mas balanço a cabeça querendo não pensar muito. - Não é estranho pra você?

Questiono e o olho melhor vendo-o meio que dar de ombros.

- Ele não é um ex seu Ana, ele é parte da sua vida e não te deixou por escolha própria, não é estranho mas vamos descobrir um meio termo para ficarmos confortáveis falando sobre esse assunto. - Disse com sinceridade e talvez não compreendeu ainda tudo, até por que joguei em cima dele isso muito abruptamente. - Por que me deixou entrar na sua vida, depois de tudo isso?

- Não sei. - Dou de ombros com certa incerteza. - Você é a primeira pessoa que me conhece realmente depois de tudo, as pessoas sabem do acidente e algumas do meu bebê, mas não sabem por todos os meses que passei sofrendo. - Desviei de seu olhar pra ter coragem de falar. - Eu não ia sair com você de novo, mas esses meses aqui são exatamente com o intuito de eu me abrir, me redescobrir, de me dar chances, então escolhi aceitar ir a um encontro sem reservas, sem sabotar, sem pensar que não te veria novamente depois.

Pensei um pouco e acho que certas coisas precisam ser ditas para que ele me entenda melhor e sabe em que pé eu estou nesse relacionamento, essa é uma conversa que ja tive com a minha psicóloga.

- Eu tenho medo de sofrer Filip, espero alguma coisa ruim acontecer no dia seguinte de estar feliz, sou receosa com sentimentos e me apegar a alguém sem saber o que poderá acontecer a seguir, mas não consigo me afastar mais por gostar de você, tem alguma coisa entre nós que ainda não sei que rumo pode tomar. - Resolvo ser sincera.

- Eu gosto de você Ana e quero ficar com você, não estaria aqui se não me importasse com você e quisesse que isso fosse algo real. - Ele se abaixou encostando nossas testas e suspirei feliz, apesar de ainda ter medo e receio até certo ponto.

- Só não me machuca. - Suplico em um sussurro.

- Essa nunca vai ser minha intenção. - Ele me beijou sem aprofundar, somente pra mostrar que está comigo.

Alguns momentos depois nos levantamos e tive ajuda para tirar as roupas e colocar uma camisa dele que estava perdida na minha casa.

- Precisa comer alguma coisa. - Disse ao sairmos do banheiro.

- Está melhor? - Charlie veio me abraçar assim que me viu.

- Estou sim, contei tudo que precisava ser falado. - Declaro pois sei que ela estava na dúvida e a vi suspirar aparentemente aliviada.

- Isso é uma coisa boa. - Se virou pro Filip e falou. - Bem vindo a melhor e segura parte da família, seja sincero e a faça feliz.

Filip foi embora quase ao amanhecer, quando eu estava deitava com Charlie ao meu lado e prometeu passar aqui antes de ir treinar, o que realmente fez, e ainda trouxe café da manhã. Passei a tarde com Charlie mas ela ia sair com o pessoal de noite.

- Tem certeza? Posso ficar.

- Vai logo, só ficará aqui por mais uma semana, aproveite, e logo Filip chega. - Ela pegou o celular que tocava.

- É o Stefano, já está me esperando. - Eles conversaram durante toda semana e ele até apareceu pra almoçar junto com Filip na quarta.

- Boa sorte amiga. - Ela se despediu e logo desceu.

Eu fiquei no sofá conversando com minha mãe e pensando na desculpa pra dar por que daqui a pouco já iria receber alguma mensagem. Ouvi batidas na porta e a única pessoa que esperava era Filip então só gritei para que ele entrasse.

- Oi babe, aquele senhor do andar de cima estava entrando então vim junto, você está bem? - Falou entrando vindo se sentar ao meu lado.

- Estou sim. - Ele sorriu e me deu um beijo na testa levantando-me em seguida.

- Vamos sair. - Disse me apoiando de pé.

- Estava querendo ficar quieta em casa hoje. - Sou sincera e ele me abraça.

- Vamos para minha casa, ficar aqui trancada não vai te fazer bem. - Suspirei e após alguns minutos concordei, aqui ou lá ficarei quieta e tranquila do mesmo jeito.

Me troquei rápido pois já estava de banho tomado, preparei uma mochila com troca de roupa e algumas coisas para o caso de ficar a noite o que provavelmente aconteceria e logo estávamos no carro.

Após pegarmos um pouco de trânsito e vento pelos vidros abertos do carro que me fez bem chegamos a seu prédio.

Salva-meHistórias para pegar e não largar. Descubra agora