Capítulo 34

204 25 3
                                        

Não recordo ao menos um única vez que saí com boas noticias de um hospital, eu os odeio com todas as minhas forças, posso contar em uma única mão as vezes que compareci nos últimos anos

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Não recordo ao menos um única vez que saí com boas noticias de um hospital, eu os odeio com todas as minhas forças, posso contar em uma única mão as vezes que compareci nos últimos anos.

É como um baú lacrado que se abre no instante em que preciso encarar essas paredes, as lembranças se embaralham com a realidade e posso jurar que todos eles possuem aquele mesmo tom de voz condescendente que nos traz notícias ruins.

No fundo tenho certeza que nem mesmo médicos gostam de hospitais, o ambiente estério e branco aparenta ainda mais tristeza.

Por horas a fio permanemos sentados nessa mesma sala de espera, seu Gustav entrava e saia de ligações, ora fazendo ora recebendo, mas sempre sobre estado de saúde de Filip, nem ao menos me vejo na mente como ficará sua carreira agora, se machucar no início da temporada ao menos lhe dar tempo de se recuperar a tempo, pelo menos foi o que eu entendi escutando as chamadas.

Retorno do banheiro querendo desesperadamente me sentir melhor, tomei um remédio para dor de cabeça e ao menos começou a melhor.

- Em alguns minutos devem nos chamar. - Stefano fala assim que me avista pois nos informaram que ele iria para o quarto. - Vamos esperar para avisar a tia.

Ainda é muito cedo, final da madrugada apenas então entendo, decido esperar para vê-lo para enviar noticias também. Nos deixarão entrar por uma mera exceção, mas as próximas visitas serão no horário estipulado do hospital, ele poderá ter um acompanhante e certamente acabaremos trocando em certo momento, mas não consigo focar nisso no momento.

- Ele acordou mas ainda está sonolenta por conta da medicação. - A enfermeira nos avisa e seu Gustav a acompanha.

Permaneço inqueita com vontade de roer as unhas, mas sei que apenas preciso ver com meus próprios olhos que ele está vivo e aparentemente bem.

- Vai sair quando o ver? - Stefano pergunta e checo as horas antes de responder negando.

- Vou esperar o horário de visita começar, vê-lo novamente e depois saio para pelo menos tomar um banho, hoje devem ter muitas visitas.

- Pensei o mesmo, nesse horário de manhã e da tarde deve ter mais visitas, depois deve se acalmar. - Concordo e sabendo que ele está bem tenho até esse horário para retornar. - Mas podemos combinar depois quem vai ficar aqui ainda.

- Os médicos devem vim conversar depois, então decidimos. - Sei que dona Isabel retornou para casa com uma lista de coisas que ele precisaria, mas ainda estamos perdidos.

Quando finalmente chegou o momento pediram para que levasse as mãos numa área separa, coloquei a máscara e passei alcool em gel na ports do quarto, consegui mover meus pés até entrar e o ver, pude ver hematomas nos braços e testa provavelmente pela batida.

Em passos lentos e cuidados me aproximo, de acordo com os médicos por sorte ele não teve nenhum sangramento interno ou osso quebrado, mas muitas lacerações principalmente pelo lado esquerdo do corpo, o principal que se teve maia cuida foi uma em específico que atingiu o músculo da perna e precisará de mais cuidados, Filip é um atleta, então as coisas são mim pouco diferentes.

- Ei. - Falei baixinho pois não sabia se tinha voltado a dormir, mas o vi piscar os olhos sonolentos..

- Oi amor. - Sua voz era um sussurro né quebrando por dentro.

- Está tudo bem. - Peguei sua mão de leve sentindo a pele gelada pelo ar condicionado. - Tudo bem, eu estou aqui tá bem.

- Desculpa, o carro veio... - Ele queria se explicar e meus olhos encheram de lágrimas.

- Eu sei, está tudo bem. - Passei os dedos pelos seus cabelos e rosto acalmando-o. - Descansa ok, eu te amo e vou ficar aqui, pode dormir.

- Ok. - Seus olhos já estavam fechados novamente.

Queria poder dizer como fiquei assustada, como eu me tremia por dentro por horas a fio sem saber como ele estava, dizer que ele precisa lutar com todas as forças do mundo para ficar bem.

Pela primeira vez ele parecia tão frágil e cansado, meu coração se aperto e não segurei as lágrimas silenciosas que teimavam em cair, parecia um choro preso na garganta que quer sair junto ao alívio, sabendo que tudo poderia ser uma situação muito pior.

Permaneci ao seu lado pelos minutos que me foram dados, limpei o rosto e retornei para a cadeira desconfortável me acalmando e finalmente conseguindo responder as mensagens que me esperavam com notícias suas.

As horas passaram, dona Isabel retornou junto a Olívia, minha mãe e Liam também, Javier chegou em certo momento com o técnico, médico e fisioterapeuta do time, empenhados em acompanhar o caso e focar na recuperação das lesões.

- Está melhor? - Perguntei ao entrar novamente, dessa vez ele estava mais acordado mas teríamos poucos minutos.

- Sim, com dor. - Comentou e me aproximei após espalhar o álcool em gel e pegar sua mão com a minha.

- Imaginei, mas estão te dando remédios em pouco tempo deve melhorar, se não avisa a alguém.

- Como você tá? - Perguntou me olhando com atenção e sorri.

- Preocupada e cansada. - Sou verdadeira. - Mas você está bem, isso que importa.

- Sonhei com você, aquele seu sonho. - Engulo em seco surpresa ao mesmo tempo.

- Depois conversamos sobre isso ok, eu preciso sair por que tem muitas pessoas lá fora.

- Vai descansar. - Mandou e sorri novamente, sim, apesar de machucado ele está bem.

- Vou tomar um banho, comer, e volto mais tarde. - Inclinei para lhe dar um beijo leve que me foi retribuído. - Fica bem, Stefano recuperou-se celular e apesar de precisar trocar você consegue mexer nele por enquanto.

- Ok.

Os momentos seguintes foram um pouco cheios, os médicos conversaram conosco em como seriam os próximos dias e semanas e sei que serão longas e sem dúvidas permanecerei aqui por algum tempo.

Ele permanecera no hospital por alguns dias, os exames saindo como esperado ele recebe alta então tem os cuidados em casa, as visitas do médico do time o fará para acompanhar, então tudo seguindo o rumo certo virão as fisioterapias e ele precisará passar pelo psicólogo da equipe antes de retornar, então serão longas e cansativas semanas.

Me despeço de todos seguindo minha mãe e Liam depois de poder os apresentar adequadamente. Nós seguimos para um hotel bem próximo ao hospital, eu faço tudo no automático, como, tomo banho, e durmo sem notar o quanto estava cansada até meu corpo descansar na cama.

Salva-meHistórias para pegar e não largar. Descubra agora