REESCRITA E COMPLETA
Um momento pode te levar ao inferno e não querer mais sair dali? Um único momento pode decidir toda sua trajetória?
Ana Clara Monteiro acredita que sim. Mesmo sendo confiante e destemida 95% do tempo, ela tem aqueles 5% que em s...
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- Qual foi dessa cara de merda nos últimos dias?
Coloco o celular novamente no bolso e passo a mão no cabelo um pouco frustrado. Estamos num almoço com a equipe, a temporada terminou e apesar de não termos conseguido a taça fizemos uma boa temporada, mas na certa teremos mudanças nesse meio tempo. A pergunta de Javier tem uma única resposta simples e direta.
Ana Clara
- Não é nada. - Falo por que não tem razão de ficar falando sobre meu relacionamento.
- Certeza. - Confirmo sem nem pensar. - Tudo bem, planos pras férias?
- Nada certo ainda.
- Elisa quer ir pra Disney de novo em algum momento, se tiver por lá podemos nos encontrar. - Pelo que sei já deve ser a sexta vez que fazem a mesma viagem.
- A gente mantem contato. - O cumprimento com a mão dando um meio abraço típico de homens nos despedindo.
Minhas férias chegaram e não faço ideia do que fazer agora, minha vontade era estar entrando num avião nesse exato momento para seus braços, mas parece que ela quer um tempo, ou algo assim.
Pensei muito nos últimos dias e sei que a situação com aquela maluca que desandou tudo e colocou dúvidas em sua cabeça. Ela não entende que se pudesse largaria tudo pra ir atrás dela sem ao menos pensar duas vezes?
Nós continuamos conversando mas sempre parece que temos algo travado, mal resolvido, que não flui como antes.
Observo o apartamento vazio, algumas coisas dela estão no meu quarto e não tem chances de serem devolvidas. Minha vida está completamente sem rumo e os próximos meses ainda são uma incógnita do que fazer.
Eu poderia sair agora, pegar um avião e bater em sua porta no endereço que já decorei de tanto que me imaginei ali, poderia correr atrás dela nesse instante, o problema todo é não saber se ela quer isso.
- Viaja quando meu filho? - Minha mãe pergunta após me ligar para saber se os visitaria antes de ir para os Estados Unidos.
Na verdade eu estou quieto e comentei apenas com Stefano por cima sobre como ela foi embora, não quero criar debates de uma história que faz parte apenas de nós dois.
Eu sei por tudo que ela já passou, consigo imaginar seus medos e suas inseguranças, expor isso para outras pessoas sem poder explicar o por que não seria justo, apenas abriria porta para a julgarem sem saber cem por cento dos fatos.
Como estou no vivo a voz observo a notificação chegar enquanto escuto minha mãe perguntar.
Sinto sua falta
Eu sinto sua falta mulher, com cada célula do meu corpo, cada pensamento que tenho e cada decisão que tomo, é sempre sentido sua falta e pensando em você, por isso me decido.
- Vou no primeiro vôo que encontrar, mando notícias. - Afirmo pensando no que fazer.
Ela esteve aqui desde o início, agora ela está no outro lado do oceano e a única possibilidade é eu ir ao seu encontro, o contrário não vai acontecer agora, pelo que sei ela está tendo uma reunião atrás da outra.
Desligo a ligação e não a respondo, apenas começo a procurar passagens aéreas, pouca mais de uma hora tem um vôo com conexão que não consigo pegar, mas as onze da noite em outra companhia tem um vôo direto.
Em tempo recorde compro uma passagem, faço as malas e estou a caminho do aeroporto, aviso por mensagem quem precisa saber e é isso.
Minha vez de ir te encontrar por que não tenho dúvidas sobre você.
[...]
Estou elétrico demais para ao menos sentir qualquer cansaço, o vôo atrasou quase duas horas, eu consegui dormir por umas três horas durante o vôo, o tempo simplesmente não passava.
Quando aterrisei já lembrava de coisas que esqueci de colocar na mala, apenas pensei em comprar tudo depois e segui caminho, pedi um carro e fui direto para o endereço que tenho dela.
Demora mais de uma hora pra conseguir chegar, tinha um trânsito absurdo que parecia apenas querer atrapalhar meu caminho, na altura do campeonato já estamos no final da tarde e estou com uma fome absurda.
Na cara e na coragem penso na única outra pessoa que poderia me dar alguma informação.
Oi, pode falar? Preciso de ajuda.
Aconteceu alguma coisa?
Estou na porta do prédio de vocês.
O quê?
- Filip! - Escuto chamarem pelo interfone ao lado da porta onde estou parado e me aproximo.
- Ei Charlie, não sei o número do apartamento. - Admiti pois foi a única parte do plano falha, a não ser que ela não esteja em casa. - Ana está em casa?
- Deve estar se arrumando, íamos sair pra jantar. - Fala e pelo menos em casa ela está. - Quer ligar no apartamento dela?
- Na verdade pode abrir pra mim e falar o andar dela? - Já que estou aqui posso avisar a minha chegada na porta.
Ela é solicita e abre a porta me indicando onde devo ir, o que é bom pois significa que ninguém está com raiva de mim ou algo só tipo, ou com toda certeza teria me mandado embora na primeira oportunidade.
Subo para seu andar carregando as malas e indo de encontro a porta de seu apartamento, bato na porta esperando que minha presença seja bem vida.
- Já vou, ainda não tô pronta. - A escuto gritando de dentro e sorrio.
- Olá amor. - Falo assim que a vejo abrir a porta linda como sempre de cabelos ainda presos.
- Filip? - Pergunta um pouco confusa e demora uns segundos para sorrir. - Filip!
A sinto se jogar em mim e deixo a mochila cair de qualquer jeito ao chao pegando a mulher na minha frente em meus braços, a agarro com toda vontade forçando suas pernas a me enlaçarem.
- Você está aqui mesmo. - Se afasta segurando meu rosto e seu sorriso me aquece. - Senti sua falta.
- Eu também babe, peguei o primeiro vôo que consegui.
Nos olhamos por alguns intantes antes de me inclinar e finalmente tomar sua boca, beijar Ana é uma das melhores coisas do mundo, temos uma química absurda que cada beijo fica mais gostoso que o outro, sabemos muito bem nos instigar.
- Como você veio parar aqui? - Dei de ombros como se fosse óbvio onde ela estivesse eu estaria. - Vem, entra.
Descendo do meu colo volto a pegar minha mochila e as malas para entrar em seu apartamento sem tempo de observar pois ela me abraça novamente e não perco a oportunidade.
- Me desculpe. - Sussurra contra meu peito.
- Está tudo bem, eu entendi, me desculpa também. - Digo de volta a apertando sentindo seu cheiro. - Não importa a distância, eu nunca abriria mão de você.
- Eu te amo. - Continua a sussurrar.
Sou um homem absurdamente sortudo e pode ser um dos momentos mais felizes que já tive, seguro seu rosto e a encaro de perto.
- Eu também te amo babe, nós vamos fazer funcionar, ok? - Ela assente e demos mais alguns beijos.
- Ainda estou em choque que está aqui. - Assume e acho graça.
- Pelas próximas semanas estou livre, se deixar serei seu hóspede. - Afirmo e peço ao mesmo tempo pois não tenho planos.
- Então terei você pelo próximo mês na minha casa? - Pergunta daquele jeito cheia de segundas intenções que bem conheço.