Capítulo 38

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Se avisassem a alguns anos que eu estaria tomando essa decisão teria certeza que eu precisava ser internado

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Se avisassem a alguns anos que eu estaria tomando essa decisão teria certeza que eu precisava ser internado.

Não que não fosse um desejo ou algo que todos esperam em certo momento, é só que vivendo dentro desse esporte desde novo e ter visto fora de campo a glória, a farra, e todo o lado ruim, não estava nos meus planos nenhuma mudança.

Apesar de poder eu queria apenas continuar.

Praticamente todas as vezes que Ana vem para Barcelona contrato um motorista de uma empresa para poder buscá-la, nem sempre os dias e horários de vôo coincidem com alguma folga, então sabendo que tem as chaves em mãos e que alguém sempre a fará chegar em segurança em casa me acalma.

Estar a distância me fez entender o trabalho que temos para o relacionamento dar certo, ninguém ficaria nessa situação se não acha-se que valesse a pena, com toda certeza não é fácil e tem dias difíceis, aprendemos a ceder como uma corda de empurra e puxa, cada um balanceia de cada lado para ninguém cair, mas nós literalmente fazemos dar certo de algum modo.

A temporada está acabando e apesar de estar com a agenda cheia ela vai passar quase nove dias comigo, nem sei como conseguiu isso mas o que importa é que deu certo, logo estarei de férias e passaremos muito tempo juntos.

Consigo imaginar a vendo pela cozinha numa noite qualquer usando aquele vestido solto que fica em minha gaveta com suas outras coisas, é simplesmente a roupa mais comum possível se não fosse suas costas e laterais abertas que no momento que a vejo usando não consigo tirar minhas mãos do seu corpo mais.

Acho que pela primeira vez estou fazendo algo realmente escondido dela, nossa rotina não se encaixa em muitas surpresas, posso lhe enviar flores, presentes, mas nada significativo, nunca consegui fazer uma viagem minimamente surpresa ou algo muito elaborado e fora dos planos.

Passamos nosso aniversário longe conseguindo nos ver apenas na semana seguinte o que foi horrível pois sei que é uma semana anterior de dias difíceis pra ela, mas enfim, logo conseguiremos mudar isso.

Deixei um presente no quarto pra ela com instruções específicas, acompanhei a trajetória do carro até ela chegar para enviar uma mensagem antes que ela visse tudo e começasse a me ligar antecipadamente.

Você tem quarenta minutos antes de o carro voltar para te buscar, só confia em mim bravinha.

O pior é que confio... me arrumo em trinta.

Estarei no restaurante te esperando.

Aproveitei o tempo para me arrumar e descer, confirmei com o consigliere meus pedidos e para alguém estar a sua espera, antes de me encaminhar para o restaurante seguindo para a mesa reservada.

- Está linda amor. - Me levanto para lhe receber, ela está mais gostosa do que eu imaginei que ficaria.

- Obrigada, você está um gato como sempre. - Ela sorri beijando meu rosto.

- Fiz questão de me arrumar pra você... vem. - Nos afastei puxando a cadeira para que pudesse sentar antes de retornar ao meu assento. - Pedi o vinho que gosta.

- Estou com fome. - Admite e sorrio a vendo tomar um gole de olho no cardápio.

Que ela é uma mulher linda fica nítido a primeira vista, mas alguns gestos comuns me fazem a achá-la simplesmente encantadora. Ana possui uma pintinha discreta no maxilar que gosto de beijar, os cílios grandes que fazem aquele olhar dela chegar a ser um pecado, quando fica brava suas sobrancelhas se franzem sem ao menos notar e quando sorrir seus lábios sobem um pouco mais de um lado a deixando linda.

- Então vamos pedir, temos a noite toda.

Pedimos nosso jantar, conversamos sobre a viagem, como foram as últimas semanas por que conversar pessoalmente é diferente do celular, ela se surpreendeu com o jantar e como o planejei mas disse que gostou.

- Esse é um lugar especial? - Questiona em dado momento, provavelmente por ver algumas celebridades conhecidas em algumas mesas de distância.

- Agora sim.

- Hmm, e tudo isso tem alguma importância ou é apenas um jantar delicioso. - Pergunta já na sobremesa.

Como sempre ela não mede palavras e sei que talvez possa estar parecendo outra coisa.

- A temporada está acabando, já pensou no que fazer nas férias? - Sondo atento a ela.

- Na verdade deixei uma data que poderíamos viajar, nas férias passadas não planejamos nada, pensei que iria escolher dessa vez o que fazer. - Conversamos por cima sobre o assunto anteriormente.

- Isso é bom, mas na verdade, não sei se teremos tempo para viajar.

- Tempo nas férias? - Pergunta daquele jeitinho que parece zombaria mas está apenas brincando e fazendo charme.

- Sabia que eu nunca pensei em sair de Barcelona? - Começo a falar atento em suas reações. - Achei que passaria a minha carreira aqui ou em algum outro país próximo disputando a mesma liga, então ano passado tive uma proposta nos Estados Unidos, mas não era tão boa. O ano passou, meu contrato estava a tempo de ser renovado e a proposta retornou junto a algumas outras, eu poderia ir para o melhor time da Europa, mas eles não tínham o que eu queria.

"Me desculpa mas escondi de você algumas conversas e reuniões, minha melhor proposta seria ir para Chicago o que ajudaria, mas não era o bastante pra mim, me apaixonei por alguém que não mora em Barcelona e muito menos em Chicago. Antes poderia ser algo esperado mas apesar de não estar nos meus planos inicialmente sair daqui é exatamente o que eu preciso, porque tenho milhões de motivos em uma única pessoa para mudar."

- Filip. - Ela estava me encarando desacreditada e apenas sorri tranquilo.

- Aceitei a segunda melhor oferta na mesa que fosse do outro lado do Oceano, quando a temporada finalmente terminar será comunicado à impressa meu desligamento no Barcelona e meu novo contrato com a New York Knicks. - Anunciei vendo sua descrença, choque até a realidade começar a surgir em seu rosto.

Para alguns seria um passo precipitado talvez, mas não pra mim. Em algum momento isso aconteceria e se posso fazer isso enquanto estou no auge da carreira aproveitando para encaixar minha vida a da pessoa que amo, por que não?

Barcelona é minha casa, aprendi muito do que sei aqui, eles me lapidaram e tudo continua sendo muito importante pra mim. Mas pensando na próxima década, eu não poderia deixar uma boa oportunidade que nos juntaria na mesma cidade passar sem ao menos tentar, o esporte apesar de importante uma hora vai acabar, e o que sobra é quem estará me esperando no final de tudo isso.

Quem sabe um dia eu não retorne e me aposente exatamente onde comecei? Nada é impossível!

[...]

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