REESCRITA E COMPLETA
Um momento pode te levar ao inferno e não querer mais sair dali? Um único momento pode decidir toda sua trajetória?
Ana Clara Monteiro acredita que sim. Mesmo sendo confiante e destemida 95% do tempo, ela tem aqueles 5% que em s...
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QUASE UM ANO DEPOIS
- Eu quero ser pai!
- Oi!? - Falo confusa tirando o olhar do notebook a minha frente, estou simplesmente abarrotada de trabalho em pleno final de semana e com uma lista interminável de coisas para fazer, ainda preciso ter uma reunião com a gerência do hotel e nem sei como encaixar isso nas horas seguintes, com toda certeza vai ficar para segunda.
- Eu quero ser pai.
- Tipo, agora?
- Isso, agora. - Fico ainda mais confusa e sou obrigada a levantar tentando não ficar com raiva dessa imposição simplesmente do nada.
Filip resolve me pegar num dia que já estou estressada para aumentar esse sentimento em mim.
- E eu tenho que aceitar?
- Eu quero ser pai Ana Clara. - Repete convicto e isso me deixa nervosa.
- E minha opinião não conta? Por que pelo que eu sabia vai ser gerada em mim essa criança imaginária. Minha vida que vai mudar de cabeça pra baixo, minha carreira que vai ser deixada de lado por pelo menos um ano, e meu corpo que vai ser transformado, nem falo pelo físico não e sim no psicológico, sem contar o tanto de hormônio que vai me enlouquecer.
Rebato tudo na defensiva jogando todo o lado ruim em cima dele e sei que apesar dele estar errado o meu estresse me faz ser errada junto, mas não aguento e sigo respondendo tudo na defensiva, com gestos e voz elevada.
- Você não quer ser mãe?
- Você por um acaso me perguntou isso? Não, você decidiu por conta própria que quer ser pai e pronto, claro, o peso maior vai ser sobre minhas costas não é mesmo. Estamos falando de uma decisão que muda tudo para o resto das nossas vidas e não sobre o que comeremos no jantar.
- Você não quer... quer saber, esquece. - Como uma criança emburrada ele se senta no sofá começando a mexer no celular como se a segundos atrás não tivesse me impondo uma gravidez.
- É isso então? Filip? - Ele não me responde e me ignora totalmente. - Deixa de bancar o mimado que por acaso você não é e conversa direito comigo.
Ele continua a me ignorar fazendo-me soltar um riso desacreditado pegar meu notebook e dar as costas pra ele, acho que nós dois precisando pensar depois do que acho ser a nossa primeira briga grande por um motivo tão sério, aquela minha lista de trabalho vai ter que se resolver amanhã pois fazer qualquer coisa séria estando assim e completamente impossível.
[...]
Algumas horas mais tarde me deito na cama após um longo banho para me acalmar e faço de conta que não tem ninguém ali. Não demora um minuto inteiro para mãos tentarem me abraçar e eu as tirar de mim.
- Ana...
- Não. - Ele tenta mais uma vez e eu as tiro novamente.