REESCRITA E COMPLETA
Um momento pode te levar ao inferno e não querer mais sair dali? Um único momento pode decidir toda sua trajetória?
Ana Clara Monteiro acredita que sim. Mesmo sendo confiante e destemida 95% do tempo, ela tem aqueles 5% que em s...
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Sou o tipo de pessoa que em minutos pensa em possibilidades diversas de conversas que podem surgir, dos assuntos mais banais aos mais complexos, sempre penso em como eu reagiria, o que falaria, treino em minha cabeça coisas a serem ditas e não ditas.
Em suma posso lhe afirmar que isso é uma péssima mania, pois as vezes a mente resolve não parar mesmo quando não suporta mais "e se".
Durante nossa pequena viagem de carro, pensei em milhões de possibilidades do que poderia dar errado, mas com toda certeza a chance de acharam que quero o dinheiro, sucesso e mídia do filho deles me veio a mente, até por que quando se está de fora isso é mal visto, pensar em relacionamentos baseados em classes sociais, mas hoje entendo o pé atrás quando uma pessoa aparece do simples nada na vida de alguém com um bom status financeiro, hoje o mundo está com informações a cliques de distâncias, nada mais fica escondido.
- Nervosa? - Me virei da janela ao sentir sua mão sobre a minha.
- Um pouco, é uma situação sem certo e errado, tudo pode acontecer. - Digo o que penso.
Podem me amar e odiar em segundos ou não, as pessoas são assim.
- Tenho certeza que vão gostar de você, assim como sua família gostou de mim.
Mamãe está imensamente feliz, tivemos uma longa e detalhada conversa, queria esclarecer realmente o que ocorreu para ter outra visão dos acontecimentos, a vendo satisfeita com o rumo das coisas me fez entender que não estava colocando um arco íris colorido na frente dos olhos, coisas boas também podem acontecer.
Trocamos mais algumas palavras numa conversa mas nada que tirasse minha mente dos pensamentos e situações possíveis.
Focada praticamente apenas nisso soube que estávamos chegando apenas pelo aviso, dei uma olhada pelo espelho do carro, conferi se estava tudo certo a tempo de chegarmos a frente de portões de ferro cercados por muros verdes.
Adentrando a propriedade avistei uma linda casa de campo de dois andares com um jardim bonito na entrada, ao sairmos do carro Filip pegou duas malas de mão que estavam no porta malas e veio ao meu encotro, ajeitei minha blusa e limpei a sujeira inexistente em minha calça antes de o seguir para o pequeno lance de escada que dava a porta principal já aberta por uma senhora que Filip cumprimentou como Rosa ao entrarmos.
- Filho? - Chamou uma voz feminina que deduzi ser sua mãe, ela era uma mulher que aparentava menos que sua idade com certeza, cabelos castanhos com uns fios mais claros e os olhos tão azuis quanto os de Filip.
- Olá mãe. - Cumprimentou a beijando ao rosto, logo se afastando dando um passo até meu lado. - Mãe está é Ana Clara Monteiro, minha namorada, e está é minha mãe Isabel Hernández. - Ela me lançou um sorriso acolhedor estendendo a mão segurando a minha mão seguida.
- Muito prazer Ana, Filip me falou de você, é uma moça muito bonita. - Se afastou para me olhar e Filip aproveitou a deixa para me abraçar de lado.