Daniel.
Se eu soubesse que uma mentira idiota, tiraria tudo que eu tinha! Nunca teria escondido a verdade!
Aquela manhã tudo estava normal, esperei Rebeca na entrada do colégio como de costume. Ela veio ao meu encontro, me deu um abraço apertado. Como se soubesse que aquele seria o último.
_ Então, como passou a noite? _ Pergunto, enquanto estravamos de mãos dadas no colégio.
_ Ótima!...passei a noite inteira pensando na nossa música e me lembrando de você! _ Ela dá um sorriso capaz de iluminar o planeta. Mau sabia eu que a próxima vez que Rebeca me olhasse, seu semblante estarei carregado de ódio.
Continuamos andando, até que chegamos no corredor que dava acesso ao pátio. Uma grande aglomeração se formava ali , quando chegamos perto, vi todas me olhavam e cochichar. Olhei para frente e vi o que eu mais temia.
Estampado em um grande cartaz, havia várias fotos minhas, enquanto estava no mercadão carregando caixas de verdura, e outras na feira durante o fim de semana com aquele jaleco azul ridícula, que meu pai me obrigava a usar. Bem no meio do cartaz estava escrito" Daniel Massao , o guitarrista da feira livre! .
_ O que significa isso,....Daniel? _ Rebeca indaga me encarando séria.
_Isso mesmo Daniel Massao!...., todos do colégio Heitor Salles querem saber!.... ó porque você ter mentido que era filho de um empresário que morava no Japão,... se no final você não passa do filho de um simples feirante? _ Vitor pergunta encostado do outro lado do corredor com um sorriso cínico.
E aquele gesto, me deu a certeza de que ele foi o responsável pelo cartaz. Atravessei o pouco espaço que separava nos dois, e cego de raiva acertei em cheio seu rosto. A raiva me consumia naquele momento, não conseguia ouvir mais ninguém. Acertava um soco atrás do outro em Vitor, que sequer se defendia, apenas continuava me encarar com aquele seu sorriso cínico.
_ Chega com isso Daniel! _ Nathan diz,e Arthur me segura me afastando de Vitor.
Então posso ver o estrago que fiz em seu rosto, e mesmo assim ele ainda continua a rir. Só então percebe que era aquilo que ele queria. Que eu reagisse, pois sabia que com isso eu iria arrumar problemas com o diretor Munhoz.
_ Mas o que está acontecendo aqui! _ Senhor Bento pergunta.
_ Nada! Senhor Bento! .... apenas um mau intendido!_ Rebeca diz, entrando na frente de Vitor tentando impedir que senhor Bento ó veja.
_ Como assim, um mau intendido?
.... olá só o que Daniel fez em mim, sem eu ter feito nada! _ Vitor afirma passando por Rebeca e se fazendo de vítima.
_ Vocês dois, para diretoria agora! ....e resto para suas salas! _ Senhor Bento diz, fazendo todos se dispersarem. Enquanto eu e Vitor o seguimos para diretoria.
Enquanto o babaca do Vitor está conversando com o diretor Munhoz, eu aguardo sentando no corredor. Pensando como eu fui um idiota por cair direitinho na sua tramóia. Tudo que ele queria era me ver sendo expulso do colégio, e ter o caminho livre para ficar com Rebeca. E sei que é isso que vai acontecer!. Adeus colégio, adeus festival....e adeus Rebeca.
O babaca do Vitor sai depois de alguns minutos, passa por ainda sorrindo. E eu tenho vontade de acabar o trabalho que comecei, já estou condenado mesmo.
_ Daniel Massao..., Já podemos conversar! _ O diretor Munhoz me chama, eu ó sigo já sabendo qual será meu destino.
_ Então, o que você tem a me dizer em sua defesa? _ Ele me encara com sua expressão fria.
_ Não tenho nada para dizer, pois sei que o senhor já tomou sua decisão!
_ E porque será Daniel?...talvez porque você nunca se mostrou um bom aluno! .... dês que você entrou no colégio, sempre arrumou confusão, perturbava as aulas , colova nas provas, e desrepeitava os professores!...e quando eu acho que você tinha mudado, que você ainda tinha futuro..., você faz isso! _ Ele afirma parecendo decepcionando.
_ Eu não tenho outra escolha Daniel.... infelizmente vou ter que expulsa- ló!.... já liguei para seu pai, ele está a caminho para poder assinar os papéis!.... você pode esperar no corredor! _ Aquilo não me deixa surpresa, eu já esperava por isso.
Me levanto e começo a sair, me sentindo um miserável por ter estragado minha única chance de ser melhor.
_ Daniel,...eu quero que você me faça me um favor!....se afaste de Rebeca! Você acabou com seu futuro,.... não faça o mesmo com o dela! _ Senhor Munhoz diz, e sei que ele tem toda razão. Eu apenas assenti e sigo para o corredor.
Mau dou algum passos e escuto Rebeca me chamar. Olha para ela, me sentindo o pior ser da face da terra, pelo o que eu vou fazer. Rebeca vem ao meu encontro e me abraça, mais eu não abraço de volta. Tenho que manter a frieza, ou não terei coragem para fazer o que o diretor Munhoz me pediu.
_ O que meu pai, decidiu? _ Rebeca pergunta.
_ Ele me expulsou do colégio!
_ O que?..., Tem que ter outro jeito! Posso conversar com ele dizer que Vitor.....!
_ Chega Rebeca!...,eu não quero continuar na droga deste colégio, com esse bando de hipócritas!._ Afirmo, vendo ela me encarar.
_ Eu...., não estou te entendo Daniel!
_ Então, e melhor eu te explicar...., Odeio todos aqui!...e eu só me envolvi com você, para poder participar do festival de talentos..... Juntei o útil ao agradável...!_ Não termino o que estou falando, pois Rebeca acerta um soco em cheio no meu rosto.
_ Eu te odeio,.... Daniel Massao!_ Rebeca diz carregada de raiva e com os olhos marejados. Depois vira as costas e sai correndo.
E o olhar que ela me lançou, doeu bem mais que o soco que ela me deu. Nunca me senti tão miserável como naquele momento, eu parti o coração da única pessoa que acreditava em mim.
******
Meu pai foi me buscar no colégio, assinou os papéis que acabava com meu vínculo com o colégio. No caminho até em casa ele não me dirigiu uma única palavra, mas sei que assim que chegasse um belo sermão me aguardava.
Assim que entro, encontro minha mãe na sala. Ela me olha decepcionada, e me sinto ainda pior como isso. Minha mãe era uma das únicas pessoas que acreditava que eu poderia mudar.
_ Agora você conseguiu o que queria, ser expulso!.... tinha tanta vergonha de ser filho de um feirante..., Pois agora seu futuro vai ser este, trabalhar comigo! Já que nenhum colégio era te aceitar! _ Meu pai diz, andando de um lado para o outro.
_ Eu não vou ser um fracassado como o senhor! _ Grito indo em direção do meu quarto.
Não iria ficar nesta cidade sendo motivo de chacota de todos, vendo o ódio das pessoas que eu magoei. Pego algumas peças de roupas e coloco dentro da mochila, algumas economias que guardei e também meu violão. Antes de sair, vejo o caderno de Rebeca em cima da cômoda, eu devia devolver á ela. Mas aquela era a única lembrança que eu teria de Rebeca, então resolvo levá-la comigo.
_ Por favor meu filho, não faça isso! _ Minha mãe segura meu braço.
_ Vai ser melhor para todos mãe! _ A abraço e dou um beijo em seu rosto. Infelizmente não poderei despedir de Denise, espero que ela me perdoe por isso.
_ Daniel!....se você sair por esta porta, não será mais meu filho! _ Meu pai diz me fazendo parar.
_ Eu nunca me senti seu filho, senhor Rui Massao! _ Afirmo antes de sair, prometendo a mim mesmo que nunca mais voltaria para aquele lugar.
Deveria ter ouvido meu pai. Talvez agora minha vida, não teria se tornado esse fracasso!
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Mil Palavras ao Vento!
Romansa"Dizem que águas passadas não movem moinhos" Mas não foi bem isso que aconteceu com Rebeca Munhoz. Já que seu passado voltou como um furacão caindo sobre sua vida. A última pessoa que Rebeca imaginava reencontrar era Daniel Massao, sua paixão adol...
