Bernardo segue por vários corredores do Palácio, até que chega ao salão principal, onde fica a Rainha Joana transformada em pedra. Ali estão alguns pretendentes ao cargo de chefe da guarda real. São todos bons guerreiros, assim como Bernardo. O Rei Saul chega e todos o reverenciam.
Cabisbaixo, ele diz com sua voz embargada, que havia ficado muito fraca nos últimos anos:
- Senhores, vocês sabem que procuro alguém para liderar toda a guarda real, infantaria, cavalaria, tudo. Para isso escolhi uma missão. Existe no Pântano Lavento, no extremo norte, uma pequena peça de quebra-cabeça. Eu preciso muito desse objeto para entregar ao Alquimista.
O Alquimista era um velho que vivia isolado entre as cavernas do reino e que fazia poções mágicas. O Rei quer essa peça que está perdida de um quebra-cabeça dele, para que em troca ele faça a poção mágica que libertará a rainha Joana de seu estado de petrificada. De alguma forma, o Rei sente tremendo remorso por tê-la transformado, mesmo sabendo do crime terrível que Joana havia cometido contra sua própria filha.
- Majestade, o pântano é um local inacessível – interrompe um dos candidatos.
- Sim, Majestade. Lá habitam feras horríveis e ninguém consegue pisar na lava que recobre o pântano. Dizem que todos que tentaram, morreram queimados ou engolidos pela fera voadora – completa outro candidato.
Saul se aproxima da estátua amada e acaricia-lhe os pés. Ele precisa da peça do quebra cabeça para oferecer ao Alquimista e desta forma, ele fará uma poção que reverterá a condição da rainha, trazendo-a de volta.
- Bem senhores, esta lançado o desafio. Quem tiver coragem e competência para recuperar o objeto, será nomeado no mais alto cargo do reino e se tornará meu braço direito.
Os homens que ali estavam sabiam que era uma ótima oportunidade ser o melhor aliado do rei. O prêmio era bem alto, incluía poder, status social e fortuna. Para Bernardo, era uma chance de auto-afirmação e agora também, uma chance de impressionar a princesa por quem tinha se encantado.
Todos os soldados saem e um deles, Lorenzo, encara intimidando Bernardo, pois sente nele um forte adversário. Ele, por sua vez, novamente se recorda do Sr. Simas. Certamente, se alguém poderia ajudá-lo nessa empreitada, seria seu amigo de longa data.
Saul desdobra um pesado veludo vermelho escarlate entregue por Rosália e com ele envolve a estátua. Era uma bela capa digna da realeza. As aranhas, companhia constante da estátua, logo passeiam sobre o tecido.
Lorenzo é um jovem astuto, tem uma divertida maldade sempre presente em suas atitudes. Ele é engraçado e costuma substituir a pronúncia do radical final em algumas das palavras que fala, e ao sair da reunião, trombando ombro a ombro com Bernardo diz:
- Pois bem, vamos rumo a uma "aventuration", mas saiba que o prêmio é meu, meu caro! – diz batendo no peito.
Rosália entra e encontra o Rei Saul ainda admirando Joana empedrada e se esforça para retirá-lo dali, oferecendo-lhe uma caminhada pelo jardim sem plantas que havia fora do castelo.
Durante a caminhada, eles conversam sobre os anseios do Rei em trazer de volta sua esposa amada, mas Rosália o alerta sobre os cuidados que deve ter com a princesinha, pois ela não sabe predizer como será a reação da filha ao ver a mãe com a qual nunca antes teve contato, sendo esta a grande culpada por todas as mazelas que aflige a pobre moça.
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Desígnios
FantasyDois asteroides mágicos originam reinos distintos. Por um lado havia o Império de Nede, lugar em que as pessoas viviam numa espécie de socialismo. Já no Reino de Tenebra, havia a terrível Rainha Joana, a comedora de corações. Ali nasce Sofia, portad...
