Reconciliações

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Capitulo Revisado



Diogo

Estava difícil ficar longe de André ao longo desta semana, parecia que os dias nunca mais chegavam ao fim e a cada dia que passava só fazia eu ter a certeza que era ao lado dele que eu queria estar, não importando mais nada.

A Daniela também sentia falta do André assim como do Fernando que insistia em não dar as caras o que estava a ser uma porcaria para mim, ele era o meu melhor amigo então decidi acertar tudo com o mesmo antes de qualquer coisa.

Na véspera de ver o André conduzi até á casa de Fernando, bati diversas vezes porém ninguém respondeu, eu sabia que ele estava lá dentro conseguia escutar o barulho da TV, então peguei a chave suplente que eu tinha e abri.

Fernando- Não percebeste que não estou com vontade de ver-te, por isso podes sair.

Diogo- Acho que está na altura de deixares de ser idiota e termos uma conversa definitiva a tua sobrinha sente a tua falta eu sinto a tua falta nós somos como irmãos.

Ele estava um pouco embriagado e a casa estava imunda o que era algo difícil de acontecer o Fernando era louco por organização e limpeza.

Diogo- O que é isto tudo, tu não és assim? Passaste a trocar o turno para não trabalhares comigo, porquê?

Fernando- As pessoas mudam não é, tu hoje dás o cu e eu estou me nas tintas para esta merda toda.

Diogo- Para de fazer isso queres acabar com a nossa amizade é mesmo isso eu pensava que fossemos família.

Fernando- Tu não entendes, mesmo não é porque havias de perceber eu tenho ódio de ti.

Diogo- Para de dizer isso, nós sempre estivemos juntos, tens nojo de mim? Odeias me porquê? Eu continuo a ser quem sempre fui.

Fernando- Nunca fomos apenas família e tu sabes muito bem, faz o que quiseres some da minha vida.


Do que ele estava a falar.

Diogo- Eu juro que tento entender, mas não consigo, não faz sentido nenhum essa tua reação, eu sei que não gostas muito de gays e tudo mais, mas os tempos mudaram.

Fernando- Eu estou a lixar me para os gays, quero que todos se fodam, por mim podem morrer todos.

Diogo- Então queres que eu morra também é isso só porque escolhi amar alguém do mesmo sexo, o coração não escolhe quem ama.

Fernando- Eu bem sei que não.

Diogo- Então porque tratas-me assim, eu preciso de ti, a Daniela precisa de ti, ela pergunta todos os dias, sente a tua falta eu sinto a tua falta.

Fernando- Eu também sinto a tua... a falta dela.

Diogo- Então para com isso, mesmo que não aceites, respeita pelo menos é muito importante para mim aquilo que tu pensas.

Ele nada disse, manteve-se em silêncio, então eu retirei a chave de casa dele do bolso e pousei ela no móvel da entrada.

Diogo- Se precisares de mim, de nós sabes onde nos encontrar.

Saí, um pouco frustrado pelo resultado, mas estava decidido eu vou ficar com o André.

Voltei para casa ansioso pela manhã seguinte.

De manhã resolvi passear com a Daniela, porém quando íamos a sair sou surpreendido por Fernando há minha porta, tinha melhor aspeto que ontem.

A Daniela correu para as suas pernas e ele logo a içou num grande abraço.

Fernando- Olá macaquinha.

Daniela- Olá tio, vens passear connosco?

Ele olhou para mim, como esperando uma autorização.

Diogo- Vem sim ele vem connosco á feira.

Levamos a manhã toda a passear pela feira porém nenhum de nós disse nada até nos sentarmos e ela ir brincar para o parque.

Fernando- Desculpa, eu não devia de ter reagido assim, lamento porém estou aqui agora.

Diogo- Isso é tudo o que importa, meu irmão.

Vi que ele ainda não estava sem por cento contente com tudo aquilo, no entanto era um começo.

Tudo parecia encaminhar-se, ele quis levar a Daniela para passear o resto do dia e eu aproveitei então e tratei de ajeitar tudo, fazer reserva e escolher uma boa roupa e lá estava eu á sua porta pronto para o ver, pronto para ser feliz.



André


A semana tinha sido descontraída, resolvi agarrar-me ao trabalho e recuperar o tempo perdido, eu sentia-me um pouco melhor sem dores, até sentia-me um pouco mais forte era bom ter a minha mãe ao meu lado, acho que ela sabia que eu não estava completamente bem, porém deu me o meu espaço e fomos levando a semana até que finalmente chegou o dia.

Eu tentava relaxar e não pensar tanto no entanto eu estava apavorado, tinha medo que ele não aparecesse que tudo fosse uma mera ilusão, já era final de tarde quando alguém toca á porta, fui abrir esperançoso que fosse ele, no entanto era aquela colega estranha dele a Ângela.

Ângela- Olá sei que deve ser estranho eu estar aqui.

André- Muito.

Ângela- Eu entendo no entanto preciso de falar contigo, Francisco deu-me a tua morada, posso entrar?

Eu afastei-me dando lhe espaço para entrar, a minha mãe percebeu que a conversa séria a sós pela expressão de Ângela e após as apresentações ela retirou-se para o quarto.

André- Então o quê desejas falar comigo.

Ângela- Sei que achas que sou um pouco doida, e no fundo talvez seja (risos), mas eu tenho uma espécie de dom, uma capacidade de me comunicar com as pessoas que partiram, uma forma de comunicar-me com o destino.

Eu não sabia se havia de rir, ou de mandá-la embora.

André- Pois acho que estás realmente doida, se queres fazer me uma consulta aviso te que não vou pagar nada.

Ângela- Por favor escuta me até ao fim e depois eu irei embora, está bem? E não quero o teu dinheiro.

Não sabia onde aquela conversa havia de chegar, mas estava disposto a escutar ela.

Ela então começou o seu discurso dizendo que escutava vozes.

André- Vozes?

Ângela- Sim vozes de quem já partiu e não está presente e eu sei que estás doente.

André- Como tu sabes isso? Quem te contou foi o meu médico?

Ângela- Por favor escuta-me, antes que eu perca a conexão com esta voz.

André- Tu estás a ouvir alguém nesse momento?

Ângela- Sim ele é um jovem que morreu a já alguns anos, porém que de alguma forma está ligado a ti, e ele tem um recado para te dar.

Tudo parecia loucura, porém uma parte de mim queria continuar a escutar.

André- O que ele tem para me dizer.

Ângela- Cuidado, muito cuidado, forças maiores tentam afastar-te do teu destino, da tua família, não querem que tu recordes quem és, e inimigos reais existem dispostos a afastar-te da tua alma gêmea. Presta atenção as lembranças aos teus sonhos.

Eu não sabia se acreditava no que ouvia, porém um arrepio passou pela minha espinha.

Ângela- Ele foi-se, e eu tenho que ir também, ele está a chegar e tu sabes que ele te ama, tem paciência.

André- Tenho que ter paciência e cuidado? Tu percebes o quanto tudo isto é louco, e lembrar me do quê?

Ângela- Isso eu não sei, desconfio mas não posso falar nada.

Acompanho ela até a porta e sou surpreendido pelo Diogo todo elegante encarando-me.

Diogo- Que fazes aqui Ângela?

Ângela- Vim apenas dar um recado a ele, e tenho um para ti também. Abre os teus olhos e o teu coração e verás.

Ela continuou a andar como se nada fosse e entrou no carro, deixando nos aos dois perplexos.

Diogo- Que foi que ela te disse? Ela é meio doída sabes.

André- Nada de mais e eu já percebi isso.

Entramos em casa, nenhum de nós dizia nada.



Diogo

Foi estranho encontrar Ângela ali, o que ela queria dizer ao André, ele estava lindo.

Diogo- Oi.

André- Oi.

Parecíamos ambos tímidos e receosos.

Diogo- Bem, eu vim chamar te para jantar pode ser?

André- Pode, deixa me só arrumar-me.

Enquanto ele saiu eu tentava controlar o nervosismo e tentar entender o que Ângela quis dizer, devia de ser só um devaneio dela, ele voltou rapidamente e estava radiante eu amo a luz que ele tem é igual a que tinha Mafalda, seria errado sou viúvo á pouco tempo, no entanto sinto que no meu coração é o certo a ser feito.

Diogo- Tu estás lindo.

Vi ele corar.

André- Não tão elegante quanto tu, porém obrigado.

Saímos e dirigimos nos ao meu carro, o silêncio era estranho entre nós e não estávamos habituados a isto.

Respirei fundo mais uma vez e coloquei uma música tentando quebrar o clima e vejo ele então começar a cantar ele tinha uma energia tão boa eu estava a ter a atitude certa, tinha a certeza disso, estávamos destinados.

Assim que chegámos ao restaurante e fizemos nossos pedidos, ainda permanecia-mos em silêncio.

Diogo- Como foi a tua semana?

André- Boa, mas acho que não foi para falarmos sobre as nossas semanas, que trouxeste-me até aqui?

Diogo- Não, não foi. Eu chamei-te aqui para dizer que te amo, muito e quero ser feliz contigo, quero que fiquemos juntos.

André- E os outros?

Diogo- Eu não quero saber dos outros ou pelo menos estou tentando não importar-me, eu quero saber de nós, tudo isso é novo para ambos, porém quero que dê certo.

Peguei na mão dele e entrelacei nossos dedos.

Diogo- Por isso diz me meu amor, queres namorar comigo?

André- Sim, sim é o que eu mais quero neste mundo.

Após o jantar, voltamos ao carro e beijamos nos bastante, se não estivéssemos ali provavelmente tinha acontecido mais alguma coisa.




André

Sentia uma vontade de arrancar a roupa dele ali mesmo no carro, era tão bom o gosto dos seus beijos, o seu toque em mim, era perfeito.

Diogo- Bem por mais que seja saboroso estar aqui contigo temos que ir se não ainda cometo uma loucura.

Ambos rimos e iniciamos a viagem conversando sobre várias coisas aleatórias, até que chegamos a uma avenida, eu já tinha passado por ali algumas vezes, mas nunca tinha observado bem as lojas que ali existiam, então escutei alguém buzinar assustando-me, e do nada a minha cabeça enche-se de imagens, parecia ser o dia do meu acidente, porém era tudo tão estranho, eu sinto o meu corpo rebolar, a minha cabeça a embater, olho a volta e via imagens dessas mesmas lojas, mas não parecia que eu estava numa mota, lembro me do rosto do Diogo, a observar-me cheio de lágrimas.

Do nada sou trazido a realidade, com o Diogo a chamar-me o carro estava parado e eu estava com a cabeça em seu colo.

André- O que houve?

Diogo- Não sei amor, tu perdeste os sentidos, bateste a cabeça no vidro então parei o carro.

André- Foi aqui o meu acidente não foi? Eu via as lojas vi tu a chorares dizendo que eu ia ficar bem.

Vi ele a ficar estático, e sério.

André- Está tudo bem?

Diogo- Sim, está, o teu acidente não foi aqui.

André- Tens a certeza? Era capaz de jurar que vi estás lojas.

Diogo- Esquece isso, bem vamos embora que tenho uma criança que de certeza está á minha espera.

Então seguimos viagem.

Os dois extremamente confusos com o que havia acontecido, mas com o coração, cheio de amor e muita vontade de fazer dar certo.







Espero que tenham gostado do capítulo, se preparem haverão bastantes emoções nos proximos capitulos.
Não deixem de comentar e favoritar, vocês nem imaginam como os vossos comentários nos motivam a trazer cada vez mais conteúdo.
Obrigado por tudo e estejam seguros.

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