Por Noah Cooper
Existe um erro que muita gente comete quando pensa em uma missão.
Acham que ela começa quando o primeiro helicóptero decola.
Não começa.
Ela nasce dias antes.
Em uma sala fria.
Com mapas espalhados sobre uma mesa.
Fotografias de satélite.
Relatórios de inteligência.
Rostos de homens que talvez não estivessem vivos quando o sol nascesse novamente.
Naquela madrugada, o alvo era um complexo de construções abandonadas na periferia de uma pequena cidade no Oriente Médio.
A inteligência indicava que um dos principais financiadores de uma organização extremista havia retornado ao local poucas horas antes.
Nossa missão era simples no papel.
Entrar.
Capturar.
Sair.
Missões reais nunca são simples.
...
A cidade parecia morta.
Janelas escuras.
Portas fechadas.
Nem cachorros latiam.
Quando até os animais se calam, alguma coisa está errada.
Seguimos em fila, mantendo distância suficiente para que uma única explosão não levasse nenhum de nós.
Cada passo era calculado. Cada sombra podia esconder uma arma. Cada pedaço de terra podia esconder um explosivo improvisado.
Foi então que tudo aconteceu. A explosão rompeu o silêncio com uma violência ensurdecedora.
O chão desapareceu sob nossos pés.
Terra.
Pedras.
Metal.
Sangue.
Os disparos começaram antes mesmo de a poeira baixar.
— Contato! Contato à direita!
— Cobertura!
— Seis horas!
Os tiros vinham de todos os lados.
Não era uma resistência improvisada.
Era uma emboscada.
Eles estavam esperando por nós.
Vi Mathews cair.
Por um segundo, ele tentou se levantar.
Não conseguiu.
Alex correu sem pensar.
— Eu vou buscá-lo!
— Alex, não!
Tarde demais.
Uma rajada atingiu o muro à frente dele.
Outra encontrou seu ombro.
Mesmo ferido, ele alcançou Mathews e tentou arrastá-lo para trás de uma parede destruída.
Corri até eles.
O rádio parecia enlouquecido.
Explosões.
Ordens.
Pedidos de apoio.
Gritos.
O cheiro de pólvora misturado ao de concreto pulverizado queimava os pulmões.
Olhei para Mathews.
Bastou um segundo.
Eu soube.
Mesmo antes do médico.
Mesmo antes da evacuação.
Mesmo antes de alguém dizer qualquer palavra.
Ele não voltaria para casa.
...
Na base, ninguém chorou.
Homens como nós aprendem cedo que algumas dores não passam pelos olhos.
Passam pelo silêncio.
O capacete de Mathews foi colocado sobre a mesa.
Ao lado dele, as botas.
O fuzil.
Nenhum discurso seria suficiente.
Porque não existe homenagem capaz de preencher o vazio deixado por um homem que prometeu voltar para a esposa e para os filhos... e não conseguiu.
Três dias depois, o comandante entrou no alojamento.
— Vocês têm quinze dias de licença.
Ninguém comemorou.
Apenas nos olhamos.
Às vezes, voltar para casa exige mais coragem do que entrar em combate. Quando o avião levantou voo, apoiei a cabeça no encosto da poltrona. Ao meu lado, Alex dormia sob efeito dos analgésicos, o braço imobilizado.
Olhei pela pequena janela.
Pela primeira vez em muitos anos, eu não fazia ideia do que encontraria do outro lado do oceano.
E, estranhamente...
Era isso que mais me assustava.
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Meu lugar ao Sol
RomanceNina Carvalho perdeu a mãe ainda muito nova e cresceu em um lar com um pai ausente, convencida de que nunca seria amada de verdade. Sua visão sobre o amor era limitada ao que ela via nos livros, até que conheceu Olie e sua família, que lhe mostraram...
