Capítulo 28 - O lugar onde o sol sempre voltava

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Por Noah Cooper

Existe uma diferença enorme entre aceitar... e desistir.
Demorei tempo demais para entender isso.
Passei anos convencendo a mim mesmo de que amar Nina também significava respeitar a vida que ela havia construído sem mim. Que, depois de todas as escolhas erradas que fiz, eu não tinha o direito de aparecer novamente exigindo espaço em um coração que fui eu quem machucou.
Era uma mentira bonita.
E, justamente por isso, perigosa.
Porque aceitar nunca foi o problema.
O problema era usar a culpa como desculpa para permanecer imóvel.
Foi Alex quem me fez enxergar isso.
Na verdade, ele não disse uma única palavra.
Bastou observá-lo.
Durante anos, eu assisti aos dois transformarem amor em guerra. Alex e Olie eram especialistas em esconder o que sentiam atrás de provocações, discussões e um orgulho que parecia maior do que qualquer sentimento.
Até que, de repente...
Pararam de fugir.
Os olhares mudaram primeiro.
Depois vieram os sorrisos involuntários.
Os toques rápidos.
As implicâncias que terminavam em risadas.
Era estranho perceber que a casa parecia mais leve apenas porque aqueles dois, finalmente, haviam entendido que algumas batalhas não valem a pena quando o prêmio é perder quem se ama.
E, pela primeira vez em muito tempo...
Senti inveja.
Não deles.
Da paz.
Da certeza estampada no rosto do Alex quando ele olhava para Olie como se, finalmente, tivesse encontrado o caminho de casa.
Enquanto isso...
Eu continuava perdido.
...
Gabriel aparecia em todos os lugares.
No almoço de domingo.
Nos churrascos do tio Edu.
Nas visitas ao hospital.
Na casa da Celeste.
Sempre educado.
Sempre disposto a ajudar.
Sempre com um sorriso gentil no rosto.
Todo mundo gostava dele.
Como não gostar?
Ele puxava uma cadeira antes que alguém pedisse.
Levava sobremesa.
Brincava com Thomas.
Ajudava tio Edu na churrasqueira.
Perguntava sobre o trabalho de todo mundo como se realmente se importasse.
O retrato perfeito do bom rapaz.
Talvez fosse exatamente isso que me incomodasse.
Porque a vida tinha me ensinado uma coisa que eu jamais esqueceria.
Os maiores perigos raramente fazem barulho.
Passei anos aprendendo a identificar ameaças.
No campo de batalha, o homem que gritava normalmente era o menos perigoso.
Os realmente letais caminhavam devagar.
Sorriam.
Esperavam você baixar a guarda.
Meu instinto havia salvado minha vida mais vezes do que eu conseguia contar.
E ele nunca gritava sem motivo.
Toda vez que Gabriel se aproximava de Nina...
Alguma coisa dentro de mim endurecia.
Não porque eu tivesse visto qualquer atitude desrespeitosa.
Não havia provas.
Talvez fosse apenas ciúme.
Talvez.
Mas meu instinto jamais havia confundido paz com inquietação.
E, sempre que ele estava por perto...
Eu sentia exatamente isso.
Inquietação.
...
Pensei em conversar com Alex.
Depois desisti.
Ele provavelmente diria que eu estava procurando defeitos onde não existiam.
Talvez estivesse certo.
Talvez eu estivesse desesperado demais para aceitar que outro homem ocupava o lugar que sempre sonhei ser meu.
Só que havia uma verdade impossível de ignorar.
Toda vez que Nina sorria...
Era um sorriso diferente.
Educado.
Delicado.
Mas não inteiro.
E eu conhecia cada versão do sorriso dela.
Conhecia desde os doze anos.
Sabia quando ela ria porque estava feliz.
Quando ria de nervoso.
Quando sorria apenas para tranquilizar quem estava à sua volta.
Ela fazia isso desde criança.
Colocava o mundo inteiro antes dela.
...
Naquela noite, voltei para casa incapaz de dormir.
Passei horas olhando o celular.
Abri a conversa com Nina dezenas de vezes.
Escrevi mensagens.
Apaguei todas.
"Pensei em você."
Apaguei.
"Como foi seu plantão?"
Apaguei.
"Sinto sua falta."
Apaguei.
Nenhuma frase parecia suficiente.
Nenhuma parecia justa.
Então percebi uma coisa.
Passei tempo demais esperando.
Esperando o momento certo.
Esperando que ela me procurasse.
Esperando que a vida resolvesse aquilo por nós.
Missões não eram vencidas por quem esperava.
E eu nunca fui um homem de esperar.
Na manhã seguinte, entrei em uma floricultura.
Escolhi um pequeno arranjo de girassóis.
Não rosas.
Girassóis.
Porque Nina sempre dizia que flores que acompanhavam o sol lembravam pessoas que escolhiam continuar vivendo, mesmo depois das tempestades.
No cartão escrevi apenas:
— N.
Nada mais.
No dia seguinte, enviei café para toda a equipe da emergência.
Depois vieram livros.
Chocolate para os enfermeiros.
Uma caneca com uma frase que só nós dois entenderíamos.
Nunca era um presente apenas para ela.
Não queria colocá-la em uma situação desconfortável.
Queria apenas lembrá-la, aos poucos, de que existia alguém torcendo por cada plantão, por cada conquista, por cada amanhecer.
Sem cobranças.
Sem exigências.
Sem pedir nada em troca.
...
Foi Celeste quem me deu a ideia sem perceber.
Durante o almoço de domingo, comentou casualmente:
— Faz tanto tempo que ninguém vai para Hamptons...
Hamptons.
Meu coração bateu diferente.
Fechei os olhos por um instante.
Era impossível ouvir aquele nome sem lembrar da Nina correndo descalça pela areia.
Da rede.
Do primeiro beijo.
Das noites em que deitávamos na varanda para contar estrelas.
Das risadas da Olie.
Das brigas idiotas do Alex.
Ali...
A vida ainda parecia simples.
Talvez fosse exatamente disso que todos precisássemos.
Respirei fundo.
Olhei para Alex.
Para Olie.
Para tio Edu.
E sorri pela primeira vez em muito tempo.
— E se a gente passasse o fim de semana lá?
Todos me olharam.
As respostas começaram a surgir ao mesmo tempo.
Celeste adorou a ideia.
Tio Edu já começou a pensar no churrasco.
Olie imediatamente falou da praia.
Alex fingiu reclamar, mas não conseguiu esconder o sorriso.
Só havia uma condição.
Nina precisava acreditar que aquela ideia tinha surgido naturalmente.
Eu não queria prendê-la.
Não queria pressioná-la.
Muito menos colocá-la contra a parede.
Só queria levá-la de volta ao único lugar onde, durante muitos anos, fomos simplesmente Noah e Nina.
Sem medo.
Sem culpa.
Sem passado.
Enquanto todos discutiam quem levaria o quê, fiquei olhando pela janela.
Às vezes, uma missão não começa com um helicóptero, um fuzil ou um mapa espalhado sobre a mesa.
Às vezes...
Ela começa com um convite para voltar para casa.
E, pela primeira vez desde que perdi a mulher que sempre foi o amor da minha vida, eu tinha absoluta certeza de uma coisa.
Não havia missão mais importante do que reconquistar o coração da minha Pimentinha.
Porque amar a Nina nunca foi a parte difícil.
Difícil era imaginar um futuro em que ela não estivesse nele.
E isso...
Isso eu já não aceitava mais.

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