Por Noah Cooper
Existem momentos que mudam tudo.
O problema é que quase nunca percebemos isso quando eles acontecem.
Às vezes só entendemos depois. Muito depois. Anos depois. Para mim, aquele momento aconteceu numa rede branca nos Hamptons.
Num verão que eu passei os anos seguintes tentando esquecer. E falhando miseravelmente.
Depois do beijo, nada voltou ao normal.
Pelo menos não para mim. Nina continuou sendo Nina.
Continuou rindo. Continuou correndo pela praia. Continuou fingindo que estava tudo bem.
Mas eu sabia.
E ela sabia.
Aquele beijo existia entre nós.
Em todos os silêncios.
Em todos os olhares.
Em todas as vezes que nossos dedos quase se tocavam.
Amanda percebeu antes de todo mundo.
Talvez até antes de mim.
E isso tornou tudo pior.
— Você está distante.
Amanda estava sentada ao meu lado no píer.
O pôr do sol refletia na água.
Eu já sabia para onde aquela conversa estava indo.
— Não estou.
— Está sim.
— Amanda...
— É ela?
Meu coração parou.
— Quem?
— Nina.
Aquilo deveria ter sido uma pergunta difícil de responder.
Mas a verdade é que não foi.
Porque eu já sabia.
Eu só não queria admitir.
Depois daquele verão vieram os treinos.
Os campeonatos.
As bolsas universitárias.
As viagens.
Os jogos.
A faculdade.
E eu me agarrei a tudo aquilo.
Porque era mais fácil correr cem metros do que encarar Nina Carvalho.
Mais fácil atravessar estados.
Mais fácil atravessar o país.
Mais fácil fingir.
Então foi exatamente isso que eu fiz.
Fugi.
Três anos depois.
— Você está horrível.
Olhei para Alex.
— Bom te ver também.
— Quando foi a última vez que você dormiu?
— Não lembro.
— Ótimo.
— Obrigado.
Ele me entregou uma gravata.
— Coloca isso.
— Eu odeio casamentos.
— Hoje não é sobre você.
— Ainda odeio.
— Edu vai te matar.
— Justo.
Estávamos no casamento de Edu e Celeste.
Finalmente.
Depois de meses de preparativos.
Meses ouvindo Olivia reclamar das flores.
Celeste reclamar dos convites.
Edu reclamar dos preços.
E Alex reclamar de tudo.
— Onde está a Olivia?
Alex imediatamente fechou a cara.
— Não me fala dela.
— Por quê?
— Porque ela apareceu com um namorado.
Eu quase engasguei.
— O quê?
— Eu odeio ele.
— Você conhece ele há quanto tempo?
— Dez minutos.
— Impressionante.
— Tempo suficiente.
— Como ele é?
— Muito alto.
— Isso é crime agora?
— Para minha irmã, sim.
— ALEX!
A voz de Olivia ecoou pelo salão.
Nós dois nos viramos.
E lá vinha ela.
Radiante.
Sorridente.
Segurando a mão de um rapaz.
— Esse é Ethan.
Alex parecia prestes a declarar guerra.
— Prazer.
— O prazer é meu, senhor.
— Não me chama de senhor.
— Claro, senhor.
— Eu odeio ele.
— Eu percebi.
Olivia gargalhou.
— Vocês vão se dar bem.
— Não vamos.
— Vamos.
— Não.
— Sim.
— Não.
— Sim.
Eu deixei os três discutindo.
Porque naquele instante aconteceu uma coisa muito pior.
Muito pior.
Eu a vi.
Nina.
Do outro lado do salão.
E o mundo simplesmente parou.
Talvez porque eu não a visse havia meses.
Talvez porque eu tivesse passado anos tentando esquecer.
Talvez porque fosse impossível.
O vestido azul acompanhava cada movimento dela.
Os cabelos estavam maiores.
O sorriso também.
Mas foram os olhos.
Sempre os olhos.
Os mesmos olhos que eu conhecia desde criança.
Os mesmos olhos que me olharam naquela rede.
Os mesmos olhos que eu nunca consegui esquecer.
Ela começou a rir de alguma coisa que Celeste disse.
E eu perdi completamente a capacidade de raciocinar.
— Ah, não.
Alex apareceu ao meu lado.
— O quê?
— Você está olhando para ela de novo.
— Não estou.
— Está sim.
— Cala a boca.
— Você ficou ferrado.
— Cala a boca, Alex.
— Três anos, Noah.
Três anos.
Eu sabia.
Sabia de cada um deles.
Porque em cada treino.
Em cada jogo.
Em cada cidade.
Em cada vitória.
Em cada derrota.
Eu tinha levado Nina comigo.
E naquele instante, vendo-a atravessar o salão iluminado do casamento...
Percebi que o problema nunca foi a distância.
O problema era que eu nunca tinha conseguido deixá-la ir.
E, pela forma como meu coração disparou quando ela levantou os olhos e me encontrou...
Talvez ela também não tivesse me esquecido.
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Meu lugar ao Sol
RomanceNina Carvalho perdeu a mãe ainda muito nova e cresceu em um lar com um pai ausente, convencida de que nunca seria amada de verdade. Sua visão sobre o amor era limitada ao que ela via nos livros, até que conheceu Olie e sua família, que lhe mostraram...
