Capítulo 7 - As coisas que ficam

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Por Noah Cooper

Eu tinha certeza de que seria fácil.

Era só esperar as férias.

Alguns meses.

Depois elas voltariam.

Simples.

Pelo menos foi o que pensei quando deixamos Nina e Olie no internato pela primeira vez.

Descobri rapidamente que estava errado.

Porque a casa ficava diferente sem elas.

Mais silenciosa.

Menos caótica.

Menos viva.

E eu odiava admitir isso.

Principalmente porque Alex nunca me deixaria esquecer.

— Você está olhando o calendário de novo.

— Não estou.

— Está sim.

— Cala a boca.

— Faltam quarenta e três dias.

— Como você sabe?

— Porque você fala disso todos os dias.

Joguei uma almofada nele.

Alex desviou.

Infelizmente.

Os anos passaram mais rápido do que eu esperava.

A escola acabou.

Os vestibulares começaram.

A responsabilidade apareceu sem pedir licença.

E, de repente, eu estava tentando decidir o que fazer da minha vida.

Tio Edu dizia que eu carregava o mundo nas costas.

Talvez carregasse mesmo. Depois de perder meus pais, aprendi cedo demais que algumas pessoas desaparecem.

Então passei anos tentando proteger tudo que ainda tinha.

Olie.

Alex.

Tio Edu.

E, sem perceber exatamente quando aconteceu...

Nina.

As cartas dela continuavam chegando.

Sempre organizadas. Sempre bonitas. Sempre maiores que as minhas.

Ela escrevia sobre livros. Sobre amigas.
Sobre as aulas. Sobre coisas que pareciam pequenas.

Mas que, por algum motivo, eu gostava de ler. Às vezes encontrava uma carta antiga perdida dentro de alguma gaveta.

E acabava relendo. Não porque fosse importante.

Era só...

Nina.

Quando ela tinha treze anos, alguma coisa começou a mudar. Eu só não sabia exatamente o quê. Nas férias daquele ano, percebi que ela estava mais alta.

Mais confiante.

Mais parecida com a pessoa que estava se tornando. Mas ainda carregava Thomas J. para todo lado.

Então concluí que nada realmente tinha mudado.

Foi um erro.

— Você é completamente cego.

Alex falou isso durante um churrasco.

— Sobre o quê?

— Sobre tudo.

— Explicação excelente.

— Obrigado.

— Alex.

— Noah.

— O que você quer dizer?

Ele apontou discretamente para a varanda.

Nina e Olie estavam sentadas lá fora.

Rindo de alguma coisa.

— Nada.

— Então por que apontou?

— Porque você olha para ela diferente.

Meu estômago revirou.

— Não olho.

— Claro.

— Não olho.

— Você repete muito essa frase.

Revirei os olhos.

Alex apenas voltou a comer. Como se não tivesse acabado de destruir minha paz.

Tentei namorar algumas vezes.

Nada sério.

Alguns encontros.

Algumas histórias.

Nada que durasse.

As pessoas pareciam esperar alguma coisa de mim que eu nunca conseguia oferecer. Ou talvez fosse o contrário.

Talvez eu estivesse procurando algo que não sabia explicar. Algo que nunca encontrei. Então os relacionamentos acabaram.

E a vida seguia. Quando Nina tinha quatorze anos, ela chegou diferente.

Não mais feliz.

Diferente.

Mais quieta.

Mais distante.

Como alguém tentando carregar um peso sozinha. Foi a primeira vez que percebi que ela nem sempre me contava tudo.

E, estranhamente, aquilo me incomodou.

Porque eu queria ajudar. Mesmo sem saber como. Passei dias tentando fazê-la rir. Contando histórias idiotas.

Implicando.

Provocando.

Qualquer coisa.

Até que finalmente consegui arrancar aquele sorriso torto que sempre aparecia quando ela tentava fingir que não estava se divertindo.

Foi só então que consegui respirar de novo. Eu não sabia sobre Dione. Não sabia sobre Celeste. Não sabia sobre as noites em que ela chorava escondida.

Mas sabia reconhecer tristeza. Porque tinha convivido com ela durante boa parte da minha vida.

E algo me dizia que Nina estava lutando contra alguma coisa.

Sozinha.

Mais uma vez.

No verão seguinte, sentei sozinho na varanda depois que todos foram dormir.

A casa estava silenciosa. A brisa movia as folhas das árvores. E, pela janela iluminada do segundo andar, consegui vê-la.

Nina.

Sentada na cama.

Lendo.

Como sempre.

Thomas J. encostado ao travesseiro.

Sorri sem perceber. Era ridículo. Completamente ridículo. Mas, de algum jeito, ver aquela luz acesa me trazia paz.

Como se tudo estivesse exatamente onde deveria estar. Como se ninguém tivesse ido embora.

Como se ainda existisse tempo. Tempo suficiente para descobrir quem estávamos nos tornando.

Tempo suficiente para crescer.

Tempo suficiente para entender coisas que ainda não faziam sentido.

Naquela época, eu não sabia exatamente o que Nina significava para mim.

Só sabia de uma coisa.

Quando ela não estava ali...

Eu sentia falta.

E quando ela voltava...

A casa voltava a parecer casa.

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