"Às vezes, seguir em frente não é deixar de amar. É entender que não podemos nos abandonarmos enquanto esperamos que alguém nos escolha."
NINA
As pessoas romantizam a Medicina. Acham bonito usar jaleco branco, bonito salvar vidas, mas, ninguém fala das olheiras.
Das noites sem dormir. Do café frio esquecido sobre a bancada. Do peso de olhar para uma família e perceber que você não tem uma resposta boa para dar.
Talvez fosse por isso que eu gostasse tanto da residência. Ela não me deixava tempo para pensar. E pensar era justamente o que eu mais queria evitar.
- Dra. Carvalho?
Levantei os olhos do prontuário.
Uma técnica de enfermagem me estendia outro café.
Sorri agradecida.
- Você vai acabar me viciando.
Ela riu.
- Melhor café do que desmaiar.
Ri baixinho.
Era uma preocupação válida. Eu havia saído de um plantão de trinta e seis horas e já estava emendando outro turno. Meu corpo reclamava. Minha mente também.
Mas manter-me ocupada era infinitamente mais fácil do que encarar o silêncio do apartamento quando chegava em casa.
Porque era no silêncio que ele aparecia.
Noah.
Era estranho.
Bastava um cheiro.
Uma música.
Um boné parecido com o dele.
Ou alguém chamar um "Cooper" no corredor do hospital para meu coração esquecer, por um segundo, que ele estava do outro lado do mundo.
Balancei a cabeça.
Chega.
Eu tinha feito uma escolha.
E precisava respeitá-la.
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- Você vai almoçar hoje ou pretende sobreviver só de café?
Levantei os olhos.
Gabriel estava encostado na porta da sala dos residentes, segurando duas marmitas.
Sorri sem perceber.
- Isso foi uma indireta?
- Foi uma intervenção médica.
Revirei os olhos.
- Convencido.
- Preocupado.
Ele se aproximou e colocou uma das marmitas sobre a mesa.
- Comprei comida de verdade.
Nada de salgadinho de máquina.
Olhei para a embalagem.
Meu prato preferido.
Frango grelhado.
Arroz.
Legumes.
- Como você sabia?
Ele deu de ombros.
- Eu presto atenção.
Meu coração apertou.
Não por causa dele.
Mas porque fazia muito tempo que alguém prestava atenção em mim.
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Meu lugar ao Sol
RomanceNina Carvalho perdeu a mãe ainda muito nova e cresceu em um lar com um pai ausente, convencida de que nunca seria amada de verdade. Sua visão sobre o amor era limitada ao que ela via nos livros, até que conheceu Olie e sua família, que lhe mostraram...
