Capítulo 44 - De Volta Para Casa

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Por Nina Carvalho

Dizem que, quando estamos entre a vida e a morte, a mente nos leva para o lugar onde o coração sempre quis estar.

Talvez fosse verdade.

O cheiro do mar chegou antes mesmo que eu abrisse os olhos.

A brisa morna acariciava meu rosto.

O som das ondas quebrando na areia parecia uma canção que eu conhecia desde criança.

Sorri.

Hamptons.

Nossa casa.

Nossa vida.

A varanda era exatamente como Noah havia prometido anos atrás.

Branca.

Ampla.

Com uma rede balançando suavemente ao vento.

Passei a mão pela barriga.

Ela já estava arredondada outra vez.

Sorri sem entender.

À minha frente, Noah corria descalço pela areia.

O sol iluminava seus cabelos.

Seu sorriso era leve.

Livre.

Muito diferente do homem que aprendera a sobreviver à guerra.

Na frente dele, uma menininha de cabelos ruivos corria em gargalhadas, deixando pequenas pegadas na areia molhada.

Ela olhou para trás.

Os olhos...

Azuis como os dele.

Os cabelos...

Tão vermelhos quanto os meus.

- Papai nunca vai me pegar! - ela gritava entre risadas.

Noah fingiu diminuir o passo.

- Ah, é?

Então correu mais rápido.

A menina soltou uma gargalhada tão parecida com a minha que meu coração se encheu de uma felicidade impossível de explicar.

Ele a ergueu nos braços.

Girou com ela.

Os dois riam como se o mundo nunca tivesse conhecido a palavra guerra.

- Peguei!

- Foi roubado!

- Foi estratégia.

- Igual a mamãe diz que o senhor faz!

Noah fingiu indignação.

- Sua mãe anda falando demais.

A pequena cruzou os braços.

- Ela só fala a verdade.

Eu ri.

Meu Deus...

Como era bonita.

Noah olhou na minha direção.

Depois voltou os olhos para a menina.

- Vem cá, Emilie...

Ela correu até ele novamente.

Meu coração disparou.

Emilie...

Repeti aquele nome em silêncio.

Como se ele sempre tivesse existido dentro de mim.

Como se sempre tivesse pertencido à nossa história.

Meu lugar ao SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora