Por Nina Carvalho
Algumas pessoas dizem que o primeiro amor nunca vai embora.
Eu discordo.
Ele vai.
Só leva pedaços da gente quando parte. E eu deixei Noah Cooper levar alguns dos meus. O primeiro foi no verão dos meus quinze anos, no dia em que ele me beijou.
O segundo foi quando fingiu que aquilo nunca aconteceu. Porque o problema nunca foi o beijo.
Foi silêncio depois dele. Durante semanas eu esperei.
Uma mensagem.
Uma ligação.
Um sinal.
Qualquer coisa.
Mas Noah estava ocupado demais me evitando. Nos corredores. Nas refeições. Se divertindo com sua linda namorada.
Como se olhar para mim fosse doloroso. Como se eu lembrasse algo que ele queria esquecer. Talvez eu lembrasse.
O pior não foi isso.
O pior foi Amanda.
Amanda sorrindo para ele, sentada ao lado dele e pior, usando os moletons dele.
Amanda existindo.
Enquanto eu fingia que não me importava. E talvez aquela tenha sido a primeira vez que meu coração realmente quebrou.
Porque eu entendi uma coisa. Eu nunca fui a garota escolhida. Eu fui apenas o momento.
*
Os últimos meses no internato passaram devagar. Olivia dizia que eu precisava esquecer, mas ela também tinha seus demônios e ainda não se sentia pronta a compartilhar e eu respeitei isso.
Alex ameaçava qualquer garoto que chegasse perto dela, mesmo de longe, falava que era função do irmão mais velho, sabemos bem por quê!
Noah continuava sendo Noah. E eu continuava tentando não amá-lo. Nenhum de nós estava indo muito bem.
Quando completei dezoito anos, meu pai me chamou para conversar.
Foi estranho. Meu pai nunca foi ruim. Mas também nunca foi exatamente presente. Depois que minha mãe morreu, ele simplesmente sobreviveu.
E me criou da única forma que sabia.
À distância. Sentamos na varanda naquela tarde, Dione havia ido ao shopping com as amigas.
Ele parecia nervoso.
Eu também.
— Sua mãe deixou uma herança para você.
Fiquei em silêncio.
— Eu administrei tudo durante esses anos.
Agora é seu.
Seu futuro.
Sua faculdade.
Sua vida.
Olhei para os papéis sobre a mesa.
Números.
Contas.
Investimentos.
Possibilidades.
Era dinheiro suficiente para começar uma vida. Mas naquele momento eu só consegui pensar que minha mãe não estava ali para ver. Meu pai segurou minha mão.
Um gesto raro.
— Sua mãe ficaria orgulhosa da mulher que você está se tornando, minha menina.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu chorei.
*
A faculdade parecia um recomeço.
Uma nova cidade.
Novas pessoas.
Uma nova versão de mim.
Pelo menos era isso que eu repetia para me convencer a seguir em frente. Olivia estava determinada a aproveitar tudo.
Eu estava determinada a sobreviver.
Então veio a primeira festa. Uma boate lotada. Luzes piscando. Música alta.
Gente bonita.
Gente feliz.
Gente que não carregava fantasmas. Foi lá que Olivia conheceu Ethan. Eu lembro exatamente do momento.
Porque ela olhou para ele da mesma forma que uma pessoa olha para algo que vai mudar sua vida.
E talvez tenha mudado mesmo.
Ela sorriu.
Ele sorriu.
Pronto.
Acabou.
Era inevitável.
Foi também naquela noite que conheci Logan.
Bonito.
Gentil.
Engraçado.
Interessante.
Tudo o que qualquer garota deveria querer.
Conversamos.
Dançamos.
Rimos.
Ele pediu meu número.
Eu dei.
Ele me ligou.
Me chamou para sair.
Tentou.
De verdade.
Mas sempre existia uma comparação injusta dentro da minha cabeça.
E Logan nunca teve chance.
Porque Logan não era Noah.
Ninguém era.
*
Os anos passaram.
As feridas fecharam.
Pelo menos foi o que eu pensei.
Até o casamento de Celeste.
Até atravessar aquele salão.
Até encontrar aqueles olhos.
Noah estava encostado próximo ao bar.
Mais velho.
Mais forte.
Mais homem.
Mas os olhos...
Os olhos eram exatamente os mesmos. Meu coração reconheceu antes de mim. E, pela primeira vez em anos, eu odiei isso. Porque não importava quantas cidades eu tinha conhecido ou quantas pessoas passaram pela minha vida.
Quantas vezes eu tinha jurado que estava curada. Bastou um olhar.
Um único olhar.
Para eu perceber que uma parte de mim ainda estava sentada naquele banco do internato.
Esperando uma mensagem que nunca chegou.
Foi Olie quem apareceu ao meu lado.
Como sempre.
Sabendo demais.
— Você ainda ama ele.
Revirei os olhos.
— Não seja ridícula.
— Claro.
Ela pegou uma taça.
Sorriu.
E apontou discretamente para o outro lado do salão.
— Então me explica por que você não consegue parar de olhar.
Meu olhar encontrou Noah outra vez.
E naquele instante aconteceu uma coisa perigosa. Muito perigosa.
Pela primeira vez em anos...
Eu não quis fugir.
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Meu lugar ao Sol
RomanceNina Carvalho perdeu a mãe ainda muito nova e cresceu em um lar com um pai ausente, convencida de que nunca seria amada de verdade. Sua visão sobre o amor era limitada ao que ela via nos livros, até que conheceu Olie e sua família, que lhe mostraram...
