Por Noah Cooper
Eu deveria ter desconfiado. Na verdade, deveria ter corrido. Porque quando Tio Edu apareceu na cozinha com um sorriso satisfeito demais e Celeste usando um chapéu ridiculamente grande para uma viagem de lua de mel, eu soube que algo estava errado.
Muito errado.
— Se comportem.
— Somos adultos — Olivia respondeu.
Tio Edu soltou uma gargalhada.
Celeste também.
— Foi exatamente por isso que eu disse para se comportarem.
— Estamos ofendidos — Nina falou, tomando café.
— Vocês deixaram Alex cuidar da churrasqueira semana passada — Celeste respondeu.
— Foi um acidente isolado.
— Você incendiou metade do jardim — Olivia lembrou.
— Tecnicamente foi um arbusto.
— Um arbusto enorme.
— Detalhes.
Tio Edu apontou para nós quatro.
— Nada de festas.
— Certo.
— Nada de problemas.
— Claro.
— Nada de polícia.
— Que específico — Nina observou rindo feito uma hiena.
— Experiência própria — respondeu.
Celeste beijou a bochecha dele.
— Boa sorte.
Então eles foram embora.
E nos deixaram sozinhos. O que, olhando em retrospecto, foi uma decisão extremamente irresponsável.
*
As primeiras horas correram surpreendentemente bem. O que deveria ter sido o primeiro sinal de alerta. Olivia estava espalhada no sofá assistindo televisão.
Nina lia alguma coisa no tablet. Alex fingia que não observava cada movimento de Ethan e ele, por sua vez, fingia que não percebia.
Eu observava os dois. Porque alguém precisava registrar aquela guerra silenciosa.
— Você está encarando ele de novo — falei.
Alex nem piscou.
— Estou analisando.
— Você parece um agente do FBI.
— Obrigado.
— Isso não foi um elogio.
— Ainda assim.
Nina levantou os olhos do tablet.
— Você sabe que Ethan não é um serial killer, certo?
— Ainda não encontramos evidências suficientes.
— Meu Deus!
— Só estou sendo cauteloso.
Olivia pegou uma almofada.
— Você é insuportável.
— Você me ama.
— Infelizmente.
Alex sorriu.
E, por um segundo, vi exatamente o garoto que conheci anos atrás. Aquele que chegou assustado naquela casa e acabou virando meu irmão.
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Meu lugar ao Sol
RomanceNina Carvalho perdeu a mãe ainda muito nova e cresceu em um lar com um pai ausente, convencida de que nunca seria amada de verdade. Sua visão sobre o amor era limitada ao que ela via nos livros, até que conheceu Olie e sua família, que lhe mostraram...
