Capítulo 35 - Distância

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Por Noah Cooper

Existe uma diferença enorme entre sentir saudade...
...e deixar que ela te machuque.
Durante muito tempo, a saudade foi uma ferida aberta.
Agora...
Ela era apenas a lembrança de que existia alguém esperando por mim.
O treinamento havia terminado fazia pouco mais de uma hora. Alguns caras ainda estavam no refeitório, rindo alto enquanto discutiam uma partida de futebol. Outros aproveitavam o pouco tempo livre para dormir antes do amanhecer.
Eu preferi o silêncio.
Sentei no degrau em frente ao alojamento, deixando que a brisa fria da noite aliviasse o calor que o treinamento insistia em deixar no corpo.
Levantei os olhos.
A lua estava alta.
Sorri sozinho.
Era engraçado pensar que, naquele mesmo instante, Nina provavelmente também poderia vê-la da janela do apartamento em Nova York.
Será que ela tinha conseguido almoçar?
Ou tinha passado o dia inteiro sobrevivendo de café, como fazia sempre que o hospital engolia sua rotina?
Só de imaginar, balancei a cabeça.
— Teimosa...
Murmurei para mim mesmo.
Como se tivesse escutado meu pensamento...
Meu celular vibrou.
Meu coração reconheceu antes mesmo dos meus olhos.
Pimentinha ❤️
Você está acordado?
Sorri imediatamente.
Era uma pergunta incomum.
Nina nunca perguntava.
Ela simplesmente ligava.
Mesmo assim, comecei a responder.
Sempre. Aconteceu alguma...
Parei.
Olhei para a tela.
Reli aquelas três palavras.
"Você está acordado?"
Não.
Aquilo não era uma conversa para acontecer por mensagem.
Apaguei cada letra.
Respirei fundo.
E toquei no ícone da chamada de vídeo.
O telefone começou a chamar.
Uma vez.
Duas.
Três.
Meu coração acelerou.
Por um instante, pensei que ela não atenderia.
Então...
A tela ganhou vida.
Lá estava ela.
Usando um moletom cinza enorme que parecia duas vezes maior que seu corpo.
Os cabelos presos de qualquer jeito.
Nenhuma maquiagem.
Os olhos levemente avermelhados.
Mas, ainda assim...
A mulher mais bonita que eu já tinha visto.
Sorri.
— Achei que minha doutora tivesse esquecido como fazia uma chamada de vídeo.
Ela riu baixinho.
Aquele riso tímido que aparecia sempre que tentava esconder alguma coisa.
— Pensei em mandar mensagem.
— Percebi.
Levantei uma sobrancelha.
— Mas achei melhor ligar.
Ela inclinou a cabeça.
— Como você sabia?
Ri.
— Porque você nunca pergunta se eu estou acordado.
Ela abaixou os olhos, mordendo discretamente o canto do lábio.
— Você me conhece demais.
Balancei a cabeça.
— Ainda não o suficiente.
Ela voltou a sorrir.
E, por alguns minutos, fizemos o que sempre fazíamos.
Falamos da vida.
Do café horrível da base.
Do plantão interminável dela.
De Alex implicando com todo mundo.
De Olivia enlouquecida com uma nova coleção.
De assuntos tão simples...
...que só se tornavam especiais porque eram nossos.
Foi então que o silêncio apareceu.
Ela respirou fundo.
Brincava distraidamente com a barra da manga do moletom.
Conhecia aquele gesto.
Sempre acontecia quando estava nervosa.
Inclinei um pouco a cabeça.
— O que foi, Pimentinha?
Ela tentou sorrir.
— Nada.
Sorri de canto.
— Você sabe que essa resposta nunca funciona comigo.
Ela suspirou.
Olhou para a mesa ao lado da cama.
Pegou um envelope.
Meu olhar foi direto para o símbolo estampado na frente.
E, antes mesmo que ela dissesse qualquer palavra...
Meu coração já sabia.
Médicos Sem Fronteiras.

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