Capítulo 11 - O primeiro erro!

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Por Alex Cooper

Eu tinha nove anos quando cheguei naquela casa. Lembro da mochila rasgada. Das roupas dentro de um saco preto.

Do medo.

Principalmente do medo. Meu pai abriu a porta com um sorriso que eu não sabia como retribuir.

— Seja bem-vindo, garoto.

Garoto.

Naquele dia eu ainda não era Alex. Era só um menino que ninguém tinha escolhido. Até que ele escolheu.

Entrei devagar. A casa era enorme. Bonita. Quente. Parecia aquelas casas dos filmes que eu assistia pela vitrine das lojas de eletrônicos.

E então eu ouvi uma gargalhada.

Alta.

Livre.

Inconfundível.

Virei o rosto.

E a vi pela primeira vez.

Ela desceu correndo a escada. Cabelos loiros voando. Olhos brilhando. Um vestido amarelo girando junto com ela. Parecia um raio de sol. Um pequeno pontinho amarelo de raio de sol.

— Você é o Alex?

Assenti.

Ela sorriu.

Meu Deus. Ela sorriu.

— Eu sou a Olivia, mas você pode me chamar de Olie.

Como se aquilo resolvesse tudo. Como se eu não tivesse acabado de chegar carregando o mundo inteiro nas costas. Como se fosse simples. Ela estendeu a mão.

— Quer brincar?

Foi naquele momento. Não anos depois.

Não no primeiro beijo.

Não no dia em que ela ficou bonita. Foi ali. No instante em que aquela menininha loira decidiu que eu não ficaria sozinho. Meu primeiro erro foi achar que aquilo passaria.

Não passou.

Só piorou.

*

Os anos transformaram tudo.

Menos ela.

Olivia continuou sendo luz.

Continuou entrando nos lugares como se tivesse sido criada para iluminá-los. E eu continuei orbitando ao redor dela como um idiota.

Até que um dia Tio Edu me chamou de filho. Noah me chamou de irmão.

E Olivia...

Olivia passou a me apresentar para as pessoas como irmão também. Foi nesse dia que eu entendi.

Eu estava ferrado.

Porque ninguém ensina um garoto de quinze anos a lidar com o fato de estar apaixonado pela própria irmã.

Mesmo quando ela não é sua irmã de verdade. Mesmo quando você sabe exatamente de onde veio.

Mesmo quando o sangue não é o mesmo.

O mundo não liga.

A família não liga.

E ela certamente não ligava.

Então eu enterrei aquilo.

Bem fundo.

Tão fundo que comecei a acreditar que tinha conseguido esquecer. Até o dia do shopping.

Até o dia do meu segundo erro.

*

— Qual seu número?

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