Por Nina Carvalho
Hamptons sempre teve um jeito curioso de existir dentro de mim. Alguns lugares são apenas pontos no mapa. Outros...
São pedaços da nossa história.
Bastava ouvir aquele nome para que minha memória começasse a trabalhar sozinha. O cheiro do mar. A areia quente sob os pés.
As tardes intermináveis em que Noah, Alex e Olie competiam por qualquer coisa que pudesse ser transformada em brincadeira. As noites na varanda da casa do tio Edu, quando acreditávamos que crescer era a coisa mais distante do mundo.
Às vezes eu me perguntava se era possível sentir saudade de uma versão de nós mesmos. Porque era exatamente isso que Hamptons despertava em mim.
A menina que eu fui, ainda morava lá.
E, de alguma forma...
A mulher que eu tentava me tornar continuava procurando por ela.
Meu celular vibrou sobre a bancada da cozinha.
Sorri assim que vi o nome de Olie aparecer na tela.
- Nem adianta inventar plantão - ela disse antes mesmo que eu conseguisse dizer alô.
Ri.
- Bom dia para você também.
- Bom dia nada. Você anda trabalhando igual uma maluca e eu decidi que isso acabou.
- Ah, decidiu?
- Decidi.
Era impossível não rir quando Olivia Cooper resolvia mandar em alguém.
- Celeste está reclamando que ninguém conversa com ela sobre outra coisa além de fralda, gravidez e Thomas. Eu preciso reclamar da minha vida na grife e você precisa sair desse hospital e preciso fofocar sobre meu boy.
- Olie...
- Sem discussão.
- Eu tenho...
- Não. Você não tem nada mais importante do que um fim de semana com as mulheres mais incríveis da sua vida.
Balancei a cabeça.
- Quem vai?
- Eu, você e Celeste.
- Só nós?
- Só nós.
Ela fez uma pequena pausa antes de completar:
- Vamos para Hamptons colocar a fofoca em dia.
Meu coração tropeçou.
Hamptons.
Fechei os olhos por um instante.
- Nina?
- Estou aqui.
- Então?
Olhei para o jardim em frente a sala de descanso. Talvez fosse exatamente do que eu precisava.
Respirar.
- Tudo bem.
Do outro lado da linha, Olie comemorou como uma criança.
- Sabia! Sexta-feira, depois do seu plantão. Eu passo para te buscar.
Desliguei sorrindo.
Não fazia ideia de que aquele simples "sim" mudaria muito mais do que um fim de semana.
...
No hospital, o dia transcorreu como qualquer outro.
Consultas.
Cirurgias.
Reuniões.
Papeis.
A rotina frenética que eu costumava usar para silenciar meus próprios pensamentos.
Foi perto do fim da tarde que Gabriel apareceu na porta da minha sala.
Trazia dois cafés nas mãos.
- Achei que você ainda estaria aqui.
Aceitei o copo por educação.
- Obrigada.
Ele sorriu daquele jeito tranquilo que fazia todo mundo gostar dele.
- Precisamos conversar sobre o congresso.
L
Franzi a testa.
- Que congresso?
- O de Boston. No mês que vem.
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Meu lugar ao Sol
RomanceNina Carvalho perdeu a mãe ainda muito nova e cresceu em um lar com um pai ausente, convencida de que nunca seria amada de verdade. Sua visão sobre o amor era limitada ao que ela via nos livros, até que conheceu Olie e sua família, que lhe mostraram...
