Por Noah Cooper
Existe um momento em que todo soldado entende uma verdade cruel.
Há batalhas que nenhuma arma vence.
Passei metade da minha vida aprendendo a enfrentar homens armados.
Aprendi a sobreviver ao frio, ao calor, à fome, ao medo.
Aprendi a desarmar explosivos.
A identificar armadilhas.
A caminhar por campos minados.
Mas ninguém...
Nunca...
Me ensinou o que fazer quando a mulher que eu amava era quem estava sobre uma mina terrestre.
Respirei fundo.
Devagar.
Porque, se eu me permitisse sentir tudo o que estava acontecendo, perderia a capacidade de pensar.
E ela precisava que eu pensasse.
- O especialista está chegando - murmurei, mantendo meus olhos presos aos dela.
Nina sorriu daquele jeito teimoso que eu conhecia tão bem.
- Você sempre dá um jeito.
Balancei a cabeça.
- Hoje não sou eu.
Ela arqueou a sobrancelha.
- Claro que é.
Aquela resposta me desmontou.
Porque ela acreditava em mim mais do que eu acreditava em mim mesmo.
Poucos minutos depois, ouvi passos atrás de mim.
- Capitão.
Levantei apenas o suficiente para abrir passagem.
O sargento especialista em explosivos ajoelhou-se lentamente a alguns metros da Nina.
Não havia espaço para erro.
Ele retirou uma pequena haste metálica da mochila e começou a afastar a terra ao redor da mina milímetro por milímetro.
Ninguém respirava.
Nem mesmo o vento parecia ousar atravessar aquele pedaço de chão.
Alex mantinha a segurança do perímetro.
Os outros operadores formavam um círculo silencioso.
Até os disparos ao longe pareciam mais distantes.
O especialista permaneceu vários minutos sem dizer uma única palavra.
Meu coração apertava a cada segundo.
Por fim, ele respirou fundo.
E levantou os olhos para mim.
Não gostei do que vi.
Soldados aprendem a ler expressões.
Aquela era a expressão de quem não tinha boas notícias.
- Capitão...
Minha garganta secou.
- Fala.
Ele voltou a olhar para a mina.
- Ela não é militar.
Franzi a testa.
- O que isso significa?
- Significa que foi fabricada artesanalmente.
Meu estômago revirou.
Ele continuou:
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Meu lugar ao Sol
RomanceNina Carvalho perdeu a mãe ainda muito nova e cresceu em um lar com um pai ausente, convencida de que nunca seria amada de verdade. Sua visão sobre o amor era limitada ao que ela via nos livros, até que conheceu Olie e sua família, que lhe mostraram...
