Capítulo 33 - Lar

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Por Noah Cooper

Existe uma diferença enorme entre voltar para casa...
...e saber que alguém está esperando por você.
Passei anos acreditando que minha profissão me ensinaria o significado da palavra lar.
Achei que seria um lugar.
Uma casa.
Um endereço.
Depois pensei que fosse a base. Os homens ao meu lado. A rotina. O uniforme.
Eu estava errado.
Lar nunca foi um lugar.
Era uma pessoa.
Sorri sozinho enquanto fechava o armário do alojamento.
Alex passou por mim carregando o colete tático e arqueou uma sobrancelha.
— Tá sorrindo desse jeito desde que voltamos.
Ignorei a provocação.
— Estou?
— Está parecendo propaganda de creme dental.
Ri baixo.
— Acho que só estou feliz.
Ele parou por um instante.
Olhou para mim como quem tentava encontrar alguma pegadinha.
— Você?
— Eu.
Alex soltou uma risada desacreditada.
— Nunca pensei que fosse viver para ver Noah Cooper dizendo isso.
Empurrei seu ombro antes de seguirmos para o pátio.
O treinamento começou exatamente como todos os outros.
Cinco da manhã.
Corrida.
Areia.
Peso.
Gritos.
Dor.
O corpo fazia tudo automaticamente.
Mas minha cabeça...
Minha cabeça estava em Nova York.
Eu me perguntava se Nina já havia tomado café.
Se ainda esquecia de comer quando mergulhava nos estudos.
Se continuava prendendo o cabelo de qualquer jeito antes de entrar no hospital.
Coisas pequenas.
Ridículas.
Que, de alguma forma, passaram a ser as mais importantes do meu dia.
Foi estranho perceber que a saudade podia ser leve.
Durante anos ela sempre doeu.
Agora...
Ela apenas lembrava que existia alguém esperando por mim do outro lado do mundo.
E isso mudava tudo.
As ligações se tornaram parte da rotina.
Não importava o fuso.
Sempre dávamos um jeito.
Às vezes eu saía escondido do alojamento para conseguir alguns minutos de silêncio.
Às vezes era ela quem atendia escondida na escada do hospital, ainda de jaleco, com o cabelo preso de qualquer jeito e olheiras que jamais conseguiriam esconder o quanto ela ficava linda.
— Você almoçou? — eu perguntava.
Ela fazia uma careta.
— Talvez...
— Nina.
— Tá bom... ainda não.
— Vai comer.
Ela revirava os olhos.
— Sim, senhor.
E eu ria.
Porque finalmente existia alguém que aceitava minhas ordens...
Mesmo fingindo que não.
Naquela noite, a ligação demorou mais do que o normal.
Quando a tela finalmente acendeu, encontrei o sorriso que fazia qualquer dia ruim parecer pequeno.
— Oi, Pimentinha.
— Oi, militar.
Ficamos alguns segundos sem dizer nada.
Nenhum de nós parecia ter pressa.
Ela me mostrou a caneca enorme de café.
Eu mostrei o céu alaranjado visto da base.
Ela reclamou dos plantões.
Eu reclamei do café do refeitório.
Tudo parecia... simples.
E talvez fosse justamente isso que tornasse aqueles minutos tão preciosos.
Até que percebi.
Ela sorriu.
Mas seus olhos...
Não.
Os olhos dela carregavam alguma coisa.
Algo que ela tentava esconder.
Inclinei um pouco a cabeça.
— O que aconteceu?
Ela franziu a testa.
— Como assim?
— Você está diferente.
Ela desviou o olhar por um instante.
Foi rápido.
Quase imperceptível.
Mas eu conhecia Nina desde os nove anos.
Sabia reconhecer cada silêncio dela.
— Não aconteceu nada.
Mentira.
Não era uma mentira maldosa.
Era uma mentira de quem ainda não sabia como colocar um sentimento em palavras.
Respirei fundo.
Eu poderia insistir.
Perguntar de novo.
Pressionar.
Mas amar também era respeitar o tempo do outro.
Sorri.
— Tudo bem.
Ela pareceu surpresa.
— Você não vai perguntar outra vez?
Balancei a cabeça negativamente.
— Quando você estiver pronta para dividir esse peso...
— Noah...
— ...eu também quero carregá-lo.
Vi seus olhos marejarem imediatamente.
Ela levou alguns segundos para responder.
— Você sempre sabe o que dizer, não sabe?
Sorri.
— Não.
Só sei que nunca quero que você enfrente nada sozinha.
Ela respirou fundo, como se estivesse travando uma batalha silenciosa dentro de si.
Então sorriu.
Daquele jeito.
O sorriso que sempre me fazia acreditar que, apesar de todas as guerras do mundo...
Ainda existia paz.

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