Capítulo 37 - Entre a vida e o para sempre

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Por Noah Cooper

O tempo tem um jeito curioso de transformar saudade em rotina.

Os meses passaram depressa.

Entre treinamentos, missões, aeroportos e chamadas de vídeo que terminavam sempre tarde demais, nós aprendemos a amar de um jeito diferente. Não era menos intenso. Era mais forte.

Porque amar alguém à distância exige muito mais do que paixão.

Exige escolha.

Todos os dias.

Nina concluiu a residência exatamente como eu sabia que faria: brilhando.

Cada conquista dela parecia minha também.

Eu acompanhava apresentações pelo celular, comemorava aprovações do outro lado do oceano, acordava no meio da madrugada apenas para desejar boa sorte antes de uma prova ou de um plantão importante.

E, em silêncio, agradecia.

Agradecia por, em meio a tantas incertezas, ainda ser o primeiro para quem ela ligava quando algo bom acontecia.

Às vezes eu me perguntava em que momento deixei de enxergar a garota do internato e passei a admirar a mulher que ela havia se tornado.

Inteligente.

Corajosa.

Gentil.

Ela possuía uma força silenciosa que jamais precisou ser anunciada.

Enquanto muitos sonhavam em reconhecimento, Nina sonhava em servir.

E foi justamente isso que me fez ter certeza.

Eu não queria mais esperar.

Passei anos acreditando que precisava encontrar o momento perfeito.

Mas homens como eu vivem esperando.

Esperando a próxima missão.

A próxima folga.

A próxima oportunidade.

E a verdade era cruel.

A próxima missão sempre chegava.

Então decidi que, assim que voltasse daquela operação, pediria licença.

Compraria uma passagem.

Iria até ela.

Olharia dentro daqueles olhos castanhos que mudaram completamente a minha vida.

E pediria que passasse o resto dela ao meu lado.

Até Alex percebeu que havia alguma coisa diferente.

— Tá com essa cara de idiota apaixonado por quê? — perguntou enquanto organizávamos o equipamento.

Sorri.

— Vou pedir a Nina em casamento.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois abriu um sorriso enorme.

— Finalmente.

— Demorei, né?

— Uns quinze anos.

Rimos juntos.

Naquela mesma semana comprei o anel.

Passei horas olhando para aquela pequena caixa de veludo.

Parecia estranho pensar que um objeto tão pequeno carregava um significado tão imenso.

Ensaiei dezenas de discursos.

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